17 set, 2025 - 10:43 • Hugo Tavares da Silva
Já passava das 1h20 da manhã quando Rui Costa se sentou na sala para falar aos jornalistas e sobretudo ao povo, ao seu povo, os benquistas. Vinha confirmar o despedimento de Bruno Lage, depois de derrota com Qarabag e empate com Santa Clara, e explicar porque manteve o treinador no início da época e porque agora mudar tudo outra vez, praticamente um ano depois de Lage entrar para substituir Roger Schmidt, que também ardeu em lume brando até que foi despedido. Rui Costa não confirmou José Mourinho. De seguida, a declaração de Rui Costa:
Queria comunicar a todos os benfiquistas que acabámos de chegar a acordo com o Bruno Lage, que deixa de ser treinador do Benfica. Agradeço ao Bruno tudo o que tentou fazer, tudo o que fez pelo Benfica, o empenho que teve ao longo desde ano que representou o nosso clube.
Mas, infelizmente, chegou o momento e entendemos que era o momento de alterar. Relativamente ao próximo treinador, contamos evidentemente que no sábado, na Vila das Aves, já tenhamos o novo treinador no banco.
O perfil do treinador do Benfica tem de ser um perfil ganhador. É uma semana dura para todos os benfiquistas e lamento pelo jogo de sexta-feira com Santa Clara e o desta noite, são inesperados para os nossos argumentos e objetivos, mas não hipotecámos nada.
Já segue a Bola Branca no WhatsApp? É só clicar aqui
Não perdemos nada, não deixámos de estar em nenhuma competição, mas entendo que este é o momento de trocar, precisamente para não hipotecar a época. Por consequência, o treinador que vier tem de ser um treinador ganhador, um que represente um clube desta dimensão e tenha capacidade para pôr esta equipa nos patamares exigidos e que nos deem os títulos que pretendemos.
É inútil falar em nomes, não há treinador nenhum neste momento. O Benfica está sem treinador. A única coisa que se passou após o jogo foi a conversa com o Bruno Lage. Temos as nossas preparações para que na Vila das Aves o Benfica já esteja com um treinador no banco.
Benfica
O treinador demitido após derrota com o Qarabag, n(...)
É por essa análise [equipa desintegrou-se e há sentimento de impotência] que chegámos a este momento, acima de tudo é isso. Como disse anteriormente, é uma semana pesada, dura, para todos os benfiquistas. Mas não hipotecámos nada, mas esta semana deixou-nos uma marca, temos de levantar a cabeça imediatamente, pensar nos objetivos do clube e desta equipa, que estão todos intactos.
Mas é difícil explicar como é que a equipa, de um momento para o outro… vocês lembram-se, foi público, o discurso que fiz à equipa após o apuramento para a Liga dos Campeões. É difícil explicar esta mudança. Não serve de desculpa, mas esta é uma época bastante atípica para o nosso clube.
Vale a pena repetir: tivemos o período de descanso que tivemos, tivemos aquele período de preparação para uma Supertaça e pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Desde esse dia até hoje, a equipa não parou de jogar duas vezes por semana. A única parou foi aquela que tivemos quase o plantel todo nas seleções e o treinador não conseguiu trabalhar também. O facto é que estes dois jogos deixaram uma marca. Temos de tentar mudar este rumo agora.
Muito honestamente, certo ou errado, sou muito apologista da continuidade dos projetos. No ano passado, acabámos por não ser campeões e não ganhámos a Taça de Portugal, mas a uma semana do fim tínhamos tudo em aberto para ganhar tudo. Saímos dessa época nacional e fomos para o Mundial de Clubes onde chegámos aos oitavos de final, eliminados por quem seria campeão do mundo.
Para além da confiança que mantinha em Bruno Lage e por achar que é importante dar seguimento a um trabalho, considerava uma irresponsabilidade hipotecar a época logo de principio, isso significava entrar numa Supertaça e numa pré-eliminatória da Liga dos Campeões sem pré-temporada, com um treinador novo que pudesse não conhecer os jogadores no período do mercado. Parecia-me e parece-me uma irresponsabilidade, os resultados vieram a dar-me razão.
Eu não estou aqui para salvar cargos nenhuns, eu sou presidente do Benfica, ainda nem fiz campanha, nem dei uma entrevista, não fui a lado nenhum fazer campanha. O meu objetivo, como presidente, é assegurar o melhor futuro para o Benfica, independentemente do que aconteça nas eleições. Esta tomada de decisão tem a ver única e exclusivamente com a época desportiva do Benfica, para não hipotecá-la.
Fui eleito para tomar decisões em prol do Benfica, estou longe de poder pensar o que isto me traz ou deixa de trazer em termos de eleições. Estou perto de saber o que traz ao futuro do Benfica, essa a única tomada de decisão que posso e quero tomar neste momento. Nunca pus os meus interesses à frente do Benfica, não é agora que vamos fazer.
A minha responsabilidade é fazer o melhor para o futuro do Benfica, não pode ser hipotecar uma época quando ainda não perdemos nada daquilo que são os nossos objetivos. Estamos no início da época, perdemos dois pontos no campeonato que não devíamos ter perdido, perdemos um jogo da Liga dos Campeões de uma forma difícil até de explicar que não devíamos ter perdido. Mas não perdemos nada ainda.
O meu papel é assegurar o futuro do Benfica, com o melhor que posso fazer para o Benfica. O melhor que posso fazer é não hipotecar a época.
Não é a minha preocupação neste momento [eleições], é liderar o Benfica no cargo que tenho hoje, que é de líder do Benfica, para tomar as melhores decisões para o futuro do Benfica e não do Rui Costa.
Presidente do Benfica espera ter novo treinador já(...)
A vinda de Mário Branco é para ser diretor geral de futebol do Benfica, não é por Mourinho ou deixar de ser Mourinho, independente do treinador que venha, isso é ponto assente. Se fosse essa a intenção, o Bruno Lage não tinha começado a temporada.
Se os jogadores têm quota parte na responsabilidade? Neste momento, toda a gente tem. Quando as coisas não correm bem, ninguém fica isento de responsabilidades, a começar por mim, como é óbvio. É um período, depois do que se passou esta semana, que temos de analisar o que não correu bem, sobretudo sobre esta semana. Não esquecer que estamos pesados porque os jogos foram os que foram, souberam a duas derrotas.
Temos de analisar o que se passou. Se tivéssemos perdido com o Sporting na Supertaça, tínhamos perdido um título; se não tivéssemos sido apurados para a Liga dos Campeões, tínhamos perdido um dos objetivos. Agora, perdemos pontos que nos penalizam, mas não nos retiram de nenhum objetivo que traçámos no início da época. É apenas sobre isto que temos de trabalhar neste momento e dar a volta por cima o mais rapidamente possível, não há muito tempo a perder, como é óbvio.
Expliquei porque comecei a época com o Bruno Lage, não sou jogador de totobola à segunda-feira. Não tenho a bola mágica, mas tenho a certeza do que fiz, independentemente do que se possa pensar. Para além da confiança que tinha no Bruno Lage e para além do que mostrava o trabalho dele, havia dois objetivos que implicavam muito conhecimento daquilo que tínhamos internamente. O tempo era muito curto. Considero uma irresponsabilidade começar aquele ciclo, que era de extrema importância para o clube, sobretudo estar na Liga dos Campeões, com um treinador que chegasse e, sem dias para preparar a equipa, tivesse de enfrentar um desafio desta dimensão. Não é ser casmurro, mas é ser consciente da necessidade naquele momento. São objetivos que foram traçados naquele momento e acabaram por surtir efeito, só isso.
Falei com os jogadores no final do jogo. Eu falo sempre com os jogadores no final do jogo.
Como devem calcular, o Benfica tem estrutura suficiente para poder dar o treino de amanhã [quarta-feira] com toda a certeza. Isso não será um problema, nem para a estrutura, nem para os jogadores. Temos treinadores interinos, não há problema, é um treino de recuperação. Temos treinadores interinos que fazem esse papel na perfeição e estão preparados para isso.
Os treinadores estão sempre a prazo, infelizmente, independente de eleições ou sem eleições. Neste momento, é evidente que ninguém queria chegar aqui, considero que o mais importante é precaver a temporada desportiva do Benfica. Não pude evitar esta decisão, assim como não posso evitar contratar um novo treinador para assegurar o futuro do Benfica.