13 jan, 2026 - 14:09 • Hugo Tavares da Silva
O treinador do Benfica esteve esta manhã perante os jornalistas para lançar o jogo de quarta-feira, para os ‘quartos’ da Taça de Portugal, no Dragão, contra o FC Porto. José Mourinho confirmou António Silva convocado e Gonçalo Oliveira como plano B.
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“O facto de ser um jogo a eliminar e de obrigar a que haja um vencedor, eventualmente terá nuances diferentes daquilo que é um jogo de campeonato, principalmente no momento em que nos encontrávamos, nós e Porto, quando jogámos no Dragão. A vitória das duas equipas era importante, mas a não derrota também era importante. Neste caso, o empate não serve nenhuma das equipas, o que pode proporcionar um jogo diferente.”
“Não me parece que seja a entrada ou saída de um jogador ou alteração do treinador que vá alterar o que eles são como equipa. É tão fácil, com base em dados, números e percentagens, analisar o Porto. Acho que mesmo o leigo ou o que pensa que sabe muito de futebol basta agarrar-se aos números e perceber a equipa que eles são.”
“O diálogo [com a equipa] correu muito bem. Mas vou também dizer-lhe que não consigo ser o que vocês querem que eu seja. Nem como homem, nem como treinador. Eu não consigo jogar mal e dizer que joguei bem. Eu não consigo aceitar mediocridade, nem nos outros, nem da minha parte. Cheguei onde cheguei a ser Mourinho e vou ser Mourinho até ao fim.”
“Não me parece que essas críticas que deram origem a uma telenovela sem fim que tenha sido exatamente assim, e honestamente esqueceram-se rapidamente que no dia anterior eu tinha dito que gostava muito de ganhar a competição, não por mim, mas pelos adeptos e pelo grupo fantástico de jogadores. É um grupo, do ponto de vista humano, fantástico. Eu amo aqueles gajos. Agora, não consigo ser diferente, não consigo fazer o que vocês gostam, atirar areia para os olhos das pessoas.”
“A relação que tenho com os meus jogadores atuais e a relação que tive, em mais de duas décadas de futebol, com os meus jogadores e grupos é das coisas mais bonitas que tenho na minha carreira. Não estou a falar de 100% dos meus jogadores ou ex jogadores, graças a Deus, porque alguma coisa estaria errada. (...) Os meus jogadores na maioria gostam de mim, são centenas de jogadores. Eu sou capaz de dizer a um jogador que não jogou nada, como sou capaz de fazer o que fiz com o Dahl. Quando quiseram matar o Dahl no jogo contra Bayer, eu saí do jogo a dizer que no Dahl não se tocava, que no domingo era Dahl e mais 10. Eu sou quem sou, não vou mudar. Vou ser assim até ao fim.”
“Os erros individuais pagam-se. Tenho mais facilidade ou menos facilidade em aceitar determinados tipo de perfil de erro individual. Obviamente que o golo do Zalazar tem um mérito incrível do jogador, mas um demérito nosso. É o tipo de erro que, com outro jogador, outra história, outra experiência e formação, eu teria mais dificuldade em aceitar do que tive. Também no momento em que se fala de Sudakov pela dificuldade na forma atual, a nível físico, dificuldades porque não teve a pausa invernal como está habituado a ter… o contexto em que ele cresceu e viveu não é propriamente de uma altíssima competição e nível de responsabilidade. Vem do campeonato ucraniano, numa Ucrânia a viver o momento que vocês conhecem.”
“Não quero nem pensar ter uma pessoa que amo, no caso dele várias, num cenário de guerra a não saber quando pode ser o últimos ia, se amanhã vai falar com eles. Não posso imaginar a influência que isso tem num jovem jogador. Da minha parte, tem apoio. Tem crítica, mas tem apoio. Se temos de meter alguém com outro tipo de responsabilidade defensiva? Se calhar, sim, mas tenho de meter alguém que faça o Pepê ou o Alberto Costa pensarem ‘este pode lixar-me’…”
“Ou o António Silva ou o Gonçalo Oliveira. A condição clínica do António não está perfeita, não posso garantir que vai jogar, mas também não quero arriscar mentir-lhe e dizer que não vai jogar. O António, Gonçalo, Tomás Araújo e João Fonseca estão convocados, a pensar que o António pode não jogar.”
“Uma vitória significa que jogaremos a meia-final. E uma derrota significa que o Porto joga a meia-final e que nós ficamos de fora. Se ganharmos e tivermos na meia-final, regressaremos a casa com felicidade e regressaremos ao trabalho com um sorriso. Se perdermos, regressaremos com a mesma cara fechada com que temos estado nos últimos dias, mas com a mesma disponibilidade para preparar o jogo do Rio Ave com o mesmo profissionalismo e mesma atitude."