Benfica
Mourinho. "Faltam 27 pontos. Difícil recuperação de 7 pontos"
08 mar, 2026 - 21:18 • Carlos Calaveiras
Técnico não gostou da ação de Lucho Gonzalez na altura da expulsão de ambos. Benfica e FC Porto empataram 2-2 em partida da jornada 25 da I Liga.
O treinador do Benfica, José Mourinho, lamenta a primeira parte "horrível" dos encarnados, fala das ausências de Aursnes e Leandro Barreiro e realça a fisicalidade dos dragões.
A expulsão
"O último lance não vi. Já não estava no banco e não tive ocasião de ver na televisão. E não quero cometer o erro que cometi a semana passada, pedir penálti e depois não era. Eu queria falar de duas coisas diferentes: do jogo e da minha expulsão.
Relativamente à expulsão, duas coisas. O árbitro diz que me expulsou porque rematei uma bola para o banco do FC Porto, o que é completamente falso. Não sei se foram três, quatro ou cinco, mas já fiz muitas vezes na Luz golo nosso, bola para a bancada. Uma maneira de celebrar e dar bola ao sortudo do adepto. Sei que tecnicamente não sou muito bom, mas era para a bancada.
Relativamente à expulsão, o elemento do banco do FC Porto que também foi expulso e que no túnel chamou-me 50 vezes traidor. Gostava que ele me explicasse: traidor de quê? Estive no FC Porto, dei a alma ao FC Porto. Fui para o Chelsea, para o Inter, Real Madrid, Fenerbahçe, dei a volta ao mundo e dei a alma, a vida todos os dias. A isto chama-se profissionalismo. Uma coisa são os insultos dos adeptos. E isso é futebol. São os mesmos adeptos que há anos não podia andar na cidade, que se ajoelhavam aos meus pés. Agora insultam-me. Não há problema. Mas um colega de profissão chamar-me traidor? Traidor de quê? De dar tudo ao Benfica? Se amanhã sair do Benfica e for para o E. Amadora, U. Leiria ou Moreirense, vou dar o mesmo. Traidor de quê? Não gostei. Fui mal expulso. O quarto árbitro fez um trabalho péssimo durante todo o jogo e continuo a fazê-lo quando disse isso ao árbitro.
"FC Porto é muito superior na intensidade do jogo"
"Relativamente ao jogo: durante grande parte, o FC Porto esteve mais perto de ganhar do que nós. Pode gostar-se muito ou menos, ou detestar-se, mas o FC Porto construiu uma equipa com uma ideia. É aquilo que querem, a maneira como jogam, o perfil é para aquele modelo de jogo. É uma equipa de uma fisicalidade tremenda. É muito difícil jogar contra o FC Porto. Tem quatro alas e qual deles o mais rápido. São muito superiores a nós na intensidade do jogo. O jogo que fizemos melhor contra o FC Porto dos três foi o da Taça. Aursnes e Barreiro no meio-campo e tivemos muita bola. Quando perdes muita bola contra o FC Porto vais correr atrás deles. Mas eles vão de mota e tu de bicicleta. O perigo esteve sempre aí. Eles fizeram o jogo que queriam fazer. Levam um resultado que acho que é bom para eles. Mas acho que vieram para ganhar, nem sequer acho que vieram para defender. Apanharam-se em vantagem e depois são peritos na gestão do jogo, dos tempos, nas faltas, nos cartões, no protesto... E depois levam o João Pinheiro atrás. Mas acho que fizeram o seu jogo, um grande jogo. Nós fizemos uma péssima primeira parte, permitimos que jogassem o jogo que queriam. Senti-me muito limitado porque, apesar de não gostar muito de o fazer, é óbvio que tenho de o fazer. Uma coisa é jogar com Aursnes e Barreiro, outra com Enzo e Ríos. Não digo que uns são melhores do que os outros, mas o perfil é completamente diferente. E para o FC Porto foi muito melhor o Benfica que fomos. Na segunda parte, a minha preocupação ao intervalo, estando muito limitado com as substituições, porque o Barreiro não podia fazer mais de 10/15 minutos... Foi ele próprio que definiu os timings. Disse 'mister, 10/15 numa situação limite'. Manu é muito parecido com o Enzo. O Sudakov igual ao Barreiro, muito parecida com o Barreiro. E o Lukebakio a crescer, mas ainda sem condições para o ter metido ao intervalo. A minha preocupação ao intervalo foi equilibrar a equipa psicologicamente. Não quis que, por estar a perder 2-0 e a fazer um jogo horrível, a equipa pensasse 'vamos rebentar com eles'. Eles é que rebentavam connosco se não fossemos equilibrados. E quando eles tiram dois Ferrari para meterem dois McLaren, o risco estava sempre ali. Ao intervalo dissemos que se fizéssemos o 2-1, o jogo poderia mudar como mudou. E foi coração, foi orgulho, foi desejo de ganhar, foi desejo de 'se não ganhares, não perdes'. Jogamos por nós e por uma classificação, também pelos adeptos e significado do jogo. Mas diria que, de acordo com o que eles e nós queríamos fazer, eles foram mais fortes".
Benfica ainda está vivo na corrida pelo título?
“Aconteceu o que aconteceu na 1.ª volta. Sporting e Sp. Braga empate, FC Porto e Benfica empate, voltámos a fazer o mesmo resultado. A classificação não altera, só se altera que já não jogamos com o FC Porto e não podemos recuperar pontos diretamente. Faltam 27 pontos. Considero difícil a recuperação de 7 pontos. Em termos de diferença de golos, devemos estar muito parecido. No confronto direto teremos de ver no futuro. Mas 7 pontos não me parece fácil. Digo isto desde o princípio da época. É muito fácil identificar como o FC Porto joga, muito difícil jogar contra eles. E não me parece que seja fácil o FC Porto perder mais pontos. Mas enquanto for matemática, tudo pode acontecer".
Já falou sobre a renovação com Rui Costa?
"Não, não tive nenhuma conversa nesse sentido”.
Benfica e FC Porto empataram 2-2 em partida da jornada 25 da I Liga.
- Bola Branca 18h16
- 18 mai, 2026







