Benfica
Mourinho: "Perdemos as últimas possibilidades que teríamos de lutar pelo título"
06 abr, 2026 - 23:01 • Inês Braga Sampaio
Treinador do Benfica assume que luta pelo segundo lugar também fica mais difícil e lamenta falta de nervo de alguns jogadores: "Uns são perfis que, independentemente dos títulos e da conta bancária, têm fome. E há outros perfis que levam esta vida de uma maneira leve e isso entristece-me."
José Mourinho deita a toalha ao chão: o treinador do Benfica já não acredita na possibilidade de ser campeão nacional e assume que a equipa deixou de depender de si própria para chegar ao segundo lugar.
"Diz [o jornalista] que perdemos dois pontos, eu diria que nós perdemos as últimas possibilidades que teríamos de lutar pelo título. Deixamos de depender de nós próprios para ficar em segundo lugar", declara o treinador do Benfica, em declarações à Sport TV, após o empate, a um golo, com o Casa Pia, em Rio Maior, no fecho da jornada 28 da I Liga.
Com este resultado, o Benfica continua no terceiro lugar, a dois pontos do Sporting, que tem menos um jogo, e a sete do FC Porto.
Mourinho atira a toalha ao chão: "Mais do que o lance, eu diria mais. Diz que perdemos dois pontos, eu diria que nós perdemos as últimas possibilidades que teríamos de lutar pelo título. Deixamos de depender de nós próprios para ficar em segundo lugar. Não gostei da primeira parte, ao intervalo falámos sobre aquilo que teríamos de mudar. Tentei que eles percebessem, porque às vezes há alguns que não comem e respiram futebol, e parecem que se esquecem das realidades, fiz um bocadinho de matemática: não ganhando este jogo, a luta difícil mas possível pelo título acabava, e deixávamos de depender de nós próprios para ficar em segundo lugar. A equipa melhorou muito na segunda parte e criou muitas oportunidades. Mas quando não se faz um golo com 75% ou 805 de posse de bola, num jogo em que o adversário não faz um remate à baliza, e está-se a ganhar 1-0, há de facto displicência e não há aquela fome de uma equipa que está a jogar tudo. Para quem estava a jogar tudo, é um lance que não pode acontecer."
Fome: "Obviamente que aquilo que jogámos era suficiente para ganhar o jogo, mas há jogos como este, contra equipas que dizem que querem ganhar, mas não querem. Querem empatar. E eu não condeno isso. Condeno o árbitro, que deixa jogar, condeno a senhora VAR, que dá seis minutos de descontos num jogo como estes. Mas não condeno o Casa Pia, que está a jogar com fome para não descer de divisão, com fome de mais um ponto. Estou profundamente dececionado. Não gostei de nenhuma das três equipas. O Casa Pia tinha fome deste ponto e lutou como pôde por isso. O árbitro sem influência no resultado, mas com muita influência num jogo pobre. O Benfica na primeira parte foi muito pobre na atitude, na segunda parte melhorou a todos os níveis e depois acaba o jogo e, entre aspas, o campeonato, com uma atitude displicente que não podes ter com 1-0."
Displicência é fator decisivo na época? "Há muitos fatores. O Benfica exige que pensemos neste campeonato até ao fim, mesmo não lutando pelo título. Há muitos fatores externos, não controláveis por nós, que influenciaram este campeonato, com impacto gigante e que continuarão a ter esse impacto. A nosso respeito, sem ter tido nunca até agora a verdadeira tristeza da derrota, temos muitos empates com sabor a derrota. Começou logo no início, com o Santa Clara. Empatámos em casa com o Casa Pia, com influências externas. Empatámos com o Tondela. Empatámos com o Braga, com influências externas. Tivemos muitos empates. Não me levem a mal, não há gente má, conflituosa, desrespeitosa ou arrogante. Existe é determinados perfis: uns são perfis de gente que independentemente do estatuto, dos títulos e da conta bancária, tem fome. E há outros perfis que levam esta vida de uma maneira leve e isso entristece-me, porque não consigo. Faz-me confusão. Não são maus profissionais, mas falta-lhes aquele caráter."
Adeptos assobiaram e disseram "joguem à bola": "Na segunda parte, houve ambição, contra uma equipa que defendia como defendia, atiravam-se para o chão, perdiam tempo, e o árbitro a compactuar. Não é fácil, mas na segunda parte jogou-se. Agora, tens um lance que é preciso fazê-lo de forma eficaz, séria, sem dar a mínima hipótese ao adversário — porque quando se ganham campeonatos, ganha-se muitas vezes em situações de 1-0. Os adeptos estão certamente frustrados, mas não estão certamente mais do que eu."
- Bola Branca 12h45
- 14 abr, 2026








