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Antunes sente que só servia para "bombeiro" na seleção

29 mar, 2023 - 10:25 • Redação com Lusa

O lateral do Paços de Ferreira diz que foi "dos mais castigados e injustiçados" na seleção e lamenta nunca ter sido chamado para uma fase final: "Parece que só contava para certos jogos."

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Vitorino Antunes sente que foi "dos mais castigados e injustiçados" na seleção nacional. O lateral-esquerdo do Paços de Ferreira lamenta não ter sido chamado para nenhuma fase final de uma grande competição.

Em entrevista à agência Lusa, publicada esta quarta-feira, Antunes diz que só era chamado à seleção quando era necessário apagar fogos.

"Sinceramente, acho que fui dos mais castigados e injustiçados. Fiz as fases de qualificação todas, estive inclusive no 'play-off' com a Suécia e, depois, na convocatória final [para o Mundial 2014] foram chamados três defesas-direitos. Também fiz a qualificação para o Euro 2016 e, depois, voltei a não estar presente. Sei apenas que, quando faltava alguém, chamavam o bombeiro Antunes", lamenta o defesa, que amealhou 13 internacionalizações durante a carreira, todas entre 2007 e 2017.

Agora com 35 anos, o antigo jogador de Roma, Málaga, Dínamo de Kiev, Getafe ou Sporting admite a "mágoa" de ter falhado sempre as fases finais. Para Antunes, "algumas opções não são fáceis de explicar".

"Não guardo rancor a ninguém, mas custou-me bastante ter ficado fora de algumas fases finais, como em 2016 [ano em que Portugal venceu o Europeu]. Não é que fosse um dos indiscutíveis, mas parece que só contava para certos jogos", desabafa o capitão do Paços de Ferreira.

Num olhar sobre o presente, Antunes identifica "muitas qualidades" na seleção portuguesa. No entanto, lembra que "já não há jogos fáceis e os grupos, seleções e treinadores estão hoje mais preparados do que há 10 ou 20 anos" e que houve várias equipas que "evoluíram muito".

"Para mim, por exemplo, a melhor seleção de sempre foi a de 2004 e não ganhou nada", assinala o internacional português, em alusão à equipa portuguesa que perdeu a final do Euro 2004, em solo nacional.

Antunes defende CR7 das críticas


Há um denominador comum entre a seleção de 2004, a de 2016, campeã europeia, e a de agora: Cristiano Ronaldo, o jogador (masculino) mais internacional e mais goleador por seleções de sempre.

Antunes considera que os portugueses deviam valorizar mais aquilo que o capitão da seleção "tem feito pelo país" desde a estreia, em 2003.

"Os portugueses deviam agradecer, dar mais valor e aproveitar enquanto Ronaldo continua a jogar futebol. Ele deu muito ao futebol português, à Federação e à seleção, mas continuamos a calcar e a massacrar aquilo que é nosso e a invejar o que é do vizinho", critica o defesa.

Antunes realça que Ronaldo, "um homem de trabalho, golos, dedicação e recordes", "continua a dar muito à seleção", mesmo aos 38 anos.

O lateral garante, ainda, que o avançado do Al Nassr, da Arábia Saudita, tem noção das limitações da idade e não prejudicará a seleção: "Será o primeiro a abandonar quando sentir que não pode ser mais útil."

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