Munique ainda "cheira" a Champions e ignora Liga das Nações
02 jun, 2025 - 18:30 • Luís Aresta, enviado especial da Renascença à Liga das Nações
Não só a imprensa alemã dá pouca relevância ao tema, como a própria capital da Baviera parece ignorar que a “Mannschaft” vai discutir com Portugal a presença numa final europeia.
A importância que o selecionador Julian Nagelsmann confere à Liga das Nações é bem maior do que o mediatismo da meia-final desta quarta-feira entre Alemanha e Portugal, em Munique.
Não só a imprensa alemã dá pouca relevância ao tema, como a própria capital da Baviera parece ignorar que, em jogo, vai estar a presença da “Mannschaft” numa final europeia. Em boa verdade, a bela Munique ainda não teve tempo para se desmaquilhar da final da Liga dos Campeões, ganha pelo PSG sobre o Inter de Milão, no passado sábado.
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Bem diferente tem sido a imagem que Nagelsmann tem transmitido desde que a seleção germânica se concentrou, na tarde da passada sexta-feira, na cidade de Herzogenaurach. O selecionador germânico quer conquistar a Liga das Nações, pelo título em si – por pouco relevante que possa parecer – mas sobretudo pela importância de que a conquista se pode revestir, a um ano do Campeonato do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá.
Neste capítulo, Nagelsmann diverge, e muito, do seu compatriota Jurgen Klopp, que em tempos classificou a Liga das Nações como a competição “mais inútil do mundo”.
O título da Liga das Nações não se equipara a um Europeu e muito menos a um mundial, mas não deixa de conferir estatuto e alimentar o ego de quem ganha. É colocar os olhos na Espanha, que venceu esta mesma prova um ano antes de sagrar campeã da Europa.
Germânicos concentrados em Herzogenaurach
Alemanha e Portugal vão lutar, na quarta-feira, por um lugar na final da Liga das Nações. Quem vencer a meia-final já não sai de Munique, onde, no domingo, terá por adversário o vencedor do jogo entre França e Espanha, agendado para quinta-feira, em Estugarda.
Os germânicos chegam a esta meia-final com mais tempo de estágio do que a seleção portuguesa, que apenas se reuniu no domingo, na Cidade do Futebol, ainda sem os recentes campeões europeus pelo PSG – Nuno Mendes, Vitinha, João Neves e Gonçalo Ramos.
Já a “Mannschaft” concentrou-se na passada sexta-feira em Herzogenaurach, cidade onde nasceram duas conhecidas marcas de artigos de desporto, situada cerca de 200km a norte de Munique. A modernidade e excelência do complexo de treinos que acolhe a seleção alemã rivaliza com a beleza medieval da pequena cidade, que dista poucos quilómetros de Nuremberga.
Herzogenaurach foi quartel-general da seleção alemã no Euro 2024. Depois disso, os germânicos já voltaram a utilizar o mesmo local em duas concentrações. Voltam a fazê-lo agora, antes de receberem a seleção portuguesa, para a Liga das Nações. De Portugal, são poucas as referências na imprensa desportiva germânica, que nos últimos dias se entreteve a alimentar a novela do “fica ou sai” entre Marc-André Ter Stegen e o Barcelona, que o guarda-redes tentou aplacar, afirmando que na próxima época continuará na Catalunha.
Alvo de elogios tem sido Joshua Kimmich, que frente a Portugal cumprirá o seu 100.º jogo pela seleção A da Alemanha. Nada que se compare aos 220 de Cristiano Ronaldo, mas um motivo de grande orgulho, como o próprio Kimmich reconheceu na antevisão do desafio frente à seleção das quinas.
A multicultural Alemanha
Deniz Undav é um dos 26 convocados de Nagelsmann para a Liga das Nações. O ponta de lança, de 28 anos, do Estugarda, tem dupla nacionalidade alemã e turca. Não é caso único na seleção germânica, onde pontuam nomes com ascendência camaronesa, senegalesa e costa-marfinense, entre outras.
Vem isto a propósito do pequeno hotel onde por estes dias estou alojado e que se situa na Schillerstraße, a algumas centenas de metros da conhecida Marienplatz. Um dos rececionistas falou comigo em português (com sotaque brasileiro). O outro referiu-se a Cristiano Ronaldo como o melhor do mundo.
Um acolhimento simpático, antes de subir ao terceiro piso, de onde observo uma rua onde se cruzam dezenas de rostos de diferentes etnias. Vejo uma loja de telemóveis afegã e um restaurante com esplanada, do qual emana o aroma típico do “kebab”. A Alemanha também é esta multiculturalidade.
- Bola Branca 18h15
- 15 mai, 2026











