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Seleção Nacional

Críticas "são subjetivas" para Martínez, que mais que tirar a bola à Alemanha, quer usá-la bem

03 jun, 2025 - 22:25 • Inês Braga Sampaio

Selecionador nacional deita fora o "jogo a jogo", para a Final Four da Liga das Nações, e não revela se dará a titularidade aos campeões europeus do PSG já na meia-final com os alemães.

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Roberto Martínez responde às críticas com números e afirma que as opiniões são "subjetivas", antes de uma meia-final da Liga das Nações em que deita fora o "jogo a jogo" e salienta que, mais importante que roubar a bola à Alemanha, é saber o que fazer com ela, em especial na área.

Em conferência de imprensa de antevisão da partida com os alemães, esta terça-feira, o selecionador nacional reage aos detratores.

"Olho para os 28 jogos que jogámos, temos o maior número de pontos, de golos, de vitórias durante as últimas décadas da seleção. É nisso que o selecionador se foca e em que trabalha. (...) A minha ideia é o contexto global e continuar a trabalhar para preparar a equipa ao máximo nível. As opiniões fazem parte e são subjetivas", afirma Martínez.

Portugal prepara-se para defrontar a Alemanha, nas meias-finais da Liga das Nações. Jogo marcado para quarta-feira, às 20h00, com relato na Renascença, diretamente de Munique, e acompanhamento em rr.pt.

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Dificuldades perante a Alemanha
A Alemanha é uma equipa que arrisca. Julian Nagelsmann está a fazer um trabalho muito interessante. Não é tanto o individual, é mais o coletivo. Gostam de arriscar, do jogo interior. Temos duas equipas são muito muito semelhantes. Dezasseis golos de bola corrida, oito sofridos. A Alemanha marca mais de bola parada. Mas, no geral, é muito semelhante. É um jogo para mostrar o que estamos a fazer, ter uma ideia muito clara do que mostrámos durante o Europeu, para tentar acrescentar e ajustar conceitos. Respeitamos muito a Alemanha, jogar fora é um duplo desafio.

Roberto Martínez joga o futuro nesta Final Four?
No futebol, as opiniões são subjetivas. Isso faz parte do meu trabalho. O importante são os dados. Olho para os 28 jogos que jogámos, temos o maior número de pontos, de golos, de vitórias durante as últimas décadas da seleção. É nisso que o selecionador se foca e em que trabalha. Estamos onde queremos estar, na Final Four da Liga das Nações. Agora, precisamos deste jogo para poder continuar o objetivo: ganhar títulos a nível internacional. Aqui, temos uma oportunidade. E daqui a 12 meses, temos o Mundial. A minha ideia é o contexto global e continuar a trabalhar para preparar a equipa ao máximo nível. As opiniões fazem parte e são subjetivas.

Vai poupar jogadores do PSG?
É uma boa reflexão. O aspeto emocional é muito importante para nós. O João [Neves], o Vitinha, o Gonçalo [Ramos] e o Nuno [Mendes] terem conquistado a Liga dos Campeões é contagioso, uma energia positiva. Mas é importante ter uma boa adaptação. No primeiro dia fizeram um treino geral, hoje fizeram um bom treino. Agora, é avaliar as próximas 24 horas. Vamos ter dois jogos em quatro dias e precisamos de gerir todos os jogadores, os níveis de energia, as ligações, os conceitos táticos. O que precisamos de fazer durante o jogo faz parte dessa decisão. O aspeto emocional é importante, mas a decisão é esperar até amanhã para avaliar os aspetos físicos, porque, claramente, o aspeto emocional é superlativo.

Seria melhor eles não terem jogado a final da Liga dos Campeões?
Não. A carreira dos jogadores é para criar memórias, ganhar títulos, ficar em balneários exigentes. Agora, temos uma oportunidade de ganhar um título internacional. Adoro ver histórias dos nossos jogadores, vê-los ganhar títulos. E depois, o compromisso que trazem para o balneário. Para ganhar títulos, precisas da experiência de ganhar. Não é suficiente ter valências e talento. A experiência de ganhar são detalhes de momentos-chave. Para Portugal, é melhor ter jogadores com muitos títulos e experiências neste nível. Gostei muito da reação do balneário quando os jogadores do PSG chegaram, mas depois o foco deles foi demonstrar o compromisso de que durante o estágio podemos dar um título aos nossos adeptos. Tivemos um apoio incrível durante o Europeu na Alemanha, sabemos que metemos mais de dez mil adeptos no estádio e é um aspeto invulgar, jogadores que ganham a Liga dos Campeões e, agora, mais dois jogos e podemos ganhar um título internacional. Está tudo ligado.

Marc-André Ter Stegen, Florian Wirtz e Leon Goretzka serão titulares
Conhecemos a Alemanha muito bem. Nagelsmann está a mostrar conceitos que já utilizou no Leipzig, no Bayern. É o aspeto coletivo. Há jogadores que têm valências específicas, mas a ideia coletiva do selecionador é muito clara. Para nós, é ser Portugal. É o maior desafio. Respeitamos o adversário, mas temos de ver o que podemos fazer e perceber como podemos continuar a fazer o que fizemos no segundo jogo com a Dinamarca. Do jogo fora de casa, não gostámos, porque não fomos nós. E esse é o desafio maior, ser a equipa que fomos em casa.

Como roubar a bola à Alemanha
São duas equipas semelhantes. Tecnicamente, taticamente, posse de bola, dribles, chegada ao último terço, zonas de recuperação. As duas equipas gostam de arriscar e chegar à área do adversário. O que nós e o que a Alemanha pode fazer na área vai ser a diferença. São os detalhes mínimos. Para um adepto neutro, será um jogo muito interessante. É uma questão de gerir bem a bola, não a quantidade. Criar boas situações para poder utilizar as qualidades individuais que temos e, depois, defender bem. Esta Alemanha e Portugal não vão mudar a identidade.

Jogo para "homens de barba rija"
Com todo o respeito pelo adversário, temos de nos focar no que nós podemos fazer. Acreditar muito no que já mostrámos, no que fizemos contra a França [quartos de final do Euro 2024], em que jogámos olhos nos olhos. E precisamos desses jogos para mudar o patamar a nível internacional. Temos seis jogos, depois da Liga das Nações, para o apuramento para o Mundial. É um período muito curto e precisamos do jogo de amanhã para continuar a mostrar o que podemos fazer. Individualmente e coletivamente, mostrar o que o senhor Humberto Coelho fez há 25 anos. Se foi feito uma vez, pode ser feito mais uma.

Não revela o onze inicial
Honestamente, posso dizer que a decisão será tomada nas próximas 24 horas. Tivemos jogadores que fizeram viagens, amigáveis, jogos importantes. É importante avaliar bem. Posso dizer que os 23 jogadores de campo e os três guarda-redes estão preparados. Todos podem ajudar e trazer qualquer coisa diferente. E isso deixa-me orgulhoso. Mas, até amanhã, não temos ideia do onze inicial. Também é importante os jogadores do banco que possam fazer a diferença.

Martínez deita fora o "jogo a jogo"
O jogo mais importante é amanhã. A meia-final é o jogo que abre caminho para a final. Mas também estamos a falar de um período muito curto. Temos 23 jogadores e gerir bem as energias faz parte da ideia de que, para ganhar a Final Four, é preciso ganhar dois jogos. Vamos utilizar os jogadores da melhor forma possível.

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