Seleção Feminina
Neto tira lições de derrota "injusta" e rejeita "retrocesso" do futebol feminino português
03 jun, 2025 - 21:21 • Inês Braga Sampaio
Selecionador nacional recusa-se a colocar o ónus do avanço ou retrocesso do futebol feminino nas suas jogadoras, mas admite que, com o Euro 2025 à porta, é preciso "trabalhar ainda mais".
Francisco Neto diz que a derrota (3-0) de Portugal com a Bélgica foi exagerada, mas assume que é preciso "trabalhar ainda mais" quando se compete contra as melhores seleções do mundo. Ainda assim, considera "injusto" falar de um retrocesso do futebol feminino português.
Depois das goleadas sofridas nos últimos três jogos da Liga das Nações (16-1, no total) e da descida à segunda divisão europeia, o selecionador nacional admite que Portugal não está num bom momento a nível defensivo. No entanto, entende também que os números desta derrota, que dita a despromoção, não traduzem o que se passou em campo.
"Por aquilo que nós produzimos e pela forma como competimos, com o nível da organização que tivemos, é um resultado injusto. Se a derrota já considero injusta, quanto mais pelos números que foram. Foi nos detalhes que perdemos, é mais uma lição que levamos", admite.
Portugal perdeu por 3-0 com a Bélgica, na última jornada da Liga das Nações, e assinou a descida à Liga B do futebol feminino europeu. Complica desde logo o apuramento para o Mundial 2027, no Brasil.
Liga das Nações
16-1 em três jogos. Seleção feminina volta a perder e desce à segunda divisão europeia
Derrota por 3-0 com a Bélgica, na última jornada d(...)
Análise
Por aquilo que nós produzimos e pela forma como competimos, com o nível da organização que tivemos, é um resultado injusto. Se a derrota já considero injusta, quanto mais pelos números que foram. Foi nos detalhes que perdemos este jogo, é mais uma lição que levamos.
16 golos sofridos nos últimos três jogos
Não estamos num bom momento defensivo, nitidamente. Não podemos permitir tantos golos na alta competição. É algo que teremos de rever, teremos de trabalhar. Temos, enquanto equipa técnica, algumas reflexões sobre o motivo disso, agora cabe-nos também a nós arranjar as soluções, e é isso que iremos fazer. Vamos trabalhar para ter um Portugal mais consistente nesse momento de jogo no Campeonato da Europa.
Retrocesso do futebol feminino em Portugal?
Sinceramente, com toda a honestidade, seria de uma injustiça muito grande olharmos dessa forma. Estas jogadoras, este grupo de jogadoras, não pode ter o ónus de serem elas, unicamente, o retrocesso, ou não, do futebol feminino português. Sabemos onde é que queremos estar, queremos estar na Liga A, como já estivemos. Não conseguimos, não fomos competentes o suficiente, nesta Liga das Nações, para o conseguir. Iremos regressar, de certeza absoluta, no futuro, mas, felizmente, o desenvolvimento do futebol feminino português é muito mais do que apenas a Liga das Nações. Assenta em muitas coisas. Não nos podemos esquecer, que às vezes esquecemos um bocadinho, que se para hoje estarmos onde estamos, aquilo que também já atravessámos e aquilo que já fizemos, foi grandioso. É preciso também respeitar e olhar um bocadinho para aquilo que já foi feito.
O que é preciso para voltar à mó de cima?
Acima de tudo, neste momento, aquilo de que nós precisamos é uma recuperação total das jogadoras, destas que estão. Nota-se no final da época alguma fadiga, nota-se que a época tem sido muito longa, tem sido também um grupo que há muito tempo que não tem férias. Fruto da competência delas, felizmente assim é. Agora, temos de voltar a perceber que, estando na Liga A e estando num Campeonato da Europa, temos de trabalhar ainda mais. Independentemente das jogadoras que estiverem connosco, temos de continuar a cativar os portugueses, temos de fazer com que os portugueses se orgulhem de nos ver jogar. Apesar de que hoje os portugueses que viram o jogo de certeza absoluta que se sentiram orgulhosos na mesma, independentemente do resultado. Aqueles que só virem o resumo, ou aqueles que só lerem amanhã os títulos dos jornais, terão mais dificuldades em se orgulhar de nós. Mas quem esteve no estádio, quem viu na televisão hoje, eu não tenho dúvidas de que não pode apontar nada às nossas jogadoras. Podem apontar ao treinador, isso é legítimo, mas às nossas jogadoras não. Por isso, aquilo que eu quero é que os portugueses acreditem em nós, continuem a acreditar. Vamos dar-lhes mais alegrias no futuro.
Expectativas estavam demasiado altas?
É importante maturar as nossas jogadoras para conseguirem lidar sua pressão, mas não acho que seja essa a questão. As jogadoras são muito conscientes das suas capacidades. Acho acima de tudo que é um período que estamos a passar menos positivo. Não nos podemos esquecer que jogámos com as campeãs do mundo e as campeãs da Europa, em curto espaço de tempo. Não o conseguimos fazer com a competência que gostaríamos. Agora, as jogadoras querem estar ao mais alto nível, querem jogar contra as melhores, querem ser melhores, têm muita ambição e nós iremos continuar a ajudá-las a crescer, porque é esse Portugal que agarra os portugueses à televisão. É esse Portugal que nós queremos. Queremos ser como os melhores e, se queremos um dia lutar por coisas maiores, temos de estar entre as melhores.
- Bola Branca 18h15
- 08 mai, 2026









