Liga das Nações
Um pouco de bastidores e sensações diretamente de Munique, pelo enviado da Renascença
04 jun, 2025 - 10:40 • Luís Aresta
Luís Aresta, o editor de desporto da Renascença, lança o Portugal-Alemanha, dá conta do espaço onde a rádio vai ficar no estádio, explica uma ou outra logística e avalia as possibilidades da equipa de Martínez.
“É Portugal que vem ter connosco”. Estas palavras, saídas da boca de um emigrante português há muitos anos na Alemanha, ficaram-me no ouvido. Escutei-as no verão passado, em Hamburgo, no dia em que a seleção nacional acabaria por ser afastada do Euro2024 pela França. Passados 11 meses, aí está o reencontro, justificado pela meia-final da Liga das Nações entre Portugal e Alemanha.
Na Arena de Munique, mais de 10 mil portugueses – acredito que emigrantes, na sua grande maioria – vão entoar o hino nacional e empurrar a seleção para uma vitória que coloque a equipa na final do próximo domingo.
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Na véspera do Alemanha- Portugal, Roberto Martinez apresentou-se na sala de imprensa da Arena de Munique, com um registo menos tenso do que o que lhe observámos em conferências de imprensa recentes. É verdade que não foi confrontado com as eventuais consequências de um desaire na Liga das Nações, para o qual teria sempre em sua defesa o escasso tempo de preparação desta meia-final.
Martinez esteve sorridente, defendeu com números a sua prestação como selecionador nacional, comparou o futebol das duas seleções e foi minimamente esclarecedor quanto à estratégia para a meia-final desta noite. Foi prudente, sem deixar de ser ambicioso. Não se podia esperar muito mais.
Alemanha sem Musiala. Portugal com Vitinha
Musiala é o grande ausente na meia-final de Munique. Como reconheceu Bruno Fernandes, a ausência por lesão do pensador, distribuidor e finalizador da seleção germânica pode subtrair dificuldade à tarefa de Portugal, mesmo reconhecendo que não falta matéria-prima a Julian Nagelsmann para construir um 11 suficientemente forte para se impor em campo.
Kimmich, Serge Gnabry, Leroy Sané, Goretzka e o criativo Florian Wirtz (dado como reforço possível para o Liverpool, na próxima época) dão garantias de qualidade ao selecionador germânico.
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Já Roberto Martinez tem Vitinha como garantia de coesão defensiva, qualidade na circulação e chegada ao último terço. Estranho seria se o selecionador não centrasse as operações num dos melhores médios do futebol mundial e não aproveitasse as rotinas, qualidade de jogo e tónico anímico dos campeões europeus pelo PSG.
Nuno Mendes tem lugar no onze, de caras, e acredito que o crescimento de João Neves terá dado a Martinez o conforto suficiente para o colocar no onze inicial desta noite.
É confiar que o meio-campo nacional estará à altura da exigência, que haja capacidade de desequilibrar a partir dos corredores e que, na área, Cristiano Ronaldo e companhia tenham inspiração suficiente para marcar.
Onzes prováveis:
Alemanha (4x2x31): Ter Stegen; Kimmich, Tah, Anton e Raum; Andrich e Goretzka; Sané, Wirtz e Gnabry; Woltemade
Portugal (4x3x3): Diogo Costa; Dalot, Ruben Dias, Gonçalo Inácio e Nuno Mendes; João Neves, Vitinha e Bruno Fernandes; Bernardo Silva, Rafael Leão e Cristiano Ronaldo
Portugal procura a quarta vitória, em 20 jogos contra a Alemanha
Já tem 40 anos o pontapé de Carlos Manuel, com que Portugal bateu a Alemanha na caminhada para o Mundial de 86, naquela que foi a única vitória portuguesa sobre os germânicos, em solo alemão.
No total, só por duas vezes Portugal derrotou a Alemanha em jogos oficiais. Aconteceu também em 2000 (há 25 anos), na fase de grupos do Campeonato da Europa, com três golos de Sérgio Conceição. Era selecionador Humberto Coelho, como lembrou Roberto Martinez.
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Estes dois sucessos foram precedidos de um triunfo por 1-0, num particular disputado em 1983; o golo da vitória portuguesa foi marcado por Dito.
Em 19 jogos: 3 vitórias de Portugal, 5 empates e 11 triunfos da Alemanha.
Pelos bastidores
O futebol é muito mais do que um jogo de 90 minutos, também para nós, jornalistas. As vésperas dos grandes jogos são quase sempre agitadas, com as chegadas das equipas, revelações de última hora, conferências de imprensa, etc.
Na terça-feira fui muito cedo para a Arena de Munique. Queria ter a garantia absoluta de que as ligações requisitadas para o relato na Renascença tinham sido devidamente asseguradas; e tinham, felizmente. Um alívio… (uma vez cheguei a São Petersburgo, para um relato de um Zenit - FC Porto e só encontrei o espaço para me sentar!)
Desta vez, aqui na Arena de Munique, ainda eram visíveis os despojos – entenda-se, restos de comida e garrafas de plástico – deixados pelos jornalistas e comentadores que acompanharam, nesta mesma bancada de imprensa, a final da Liga dos Campeões entre Inter e PSG. Mas tudo bem; o importante é que os meios estão garantidos e que o lugar que me está reservado na bancada proporciona uma visão de excelência sobre o retângulo de jogo, essencial a um bom relato.
Na mesma ala do estádio, uns 20 metros por baixo da bancada, os jornalistas encontram ótimas condições de trabalho: espaço, informações precisas sobre os horários de cada evento, boa qualidade de internet, acesso ao serviço de tradução e apoio de cafetaria.
Pela minha parte a UEFA está de parabéns. Agora só falta o mais importante: Portugal qualificar-se para a final e evitar ter de fazer as malas. Não tenho nada contra Estugarda (palco do jogo de terceiro e quarto lugares), mas prefiro ficar aqui por Munique…
- Bola Branca 18h15
- 19 mai, 2026











