Liga das Nações
Portugal desafia favoritismo espanhol
08 jun, 2025 - 09:45 • Luís Aresta, enviado da Renascença à Alemanha
O enviado da Renascença a Munique, Luís Aresta, reflete sobre o duelo ibérico na Liga das Nações e sobre a possibilidade de Portugal bisar o título conquistado há 6 anos no Porto.
Que onze e que estratégia vai apresentar Portugal, este domingo, frente à Espanha, para reeditar 2019 e juntar ao seu palmarés a segunda Liga das Nações?
Roberto Martinez garante que a seleção nacional não vai mudar forma de jogar pelo facto de ter pela frente a atual campeã da Europa, detentora da Liga das Nações e, acrescentaria eu, séria candidata a campeã do Mundo. Mas o selecionador nacional também advertiu que a equipa terá de estar compacta e comprometida quando tiver de defender, para depois poder explorar a possibilidade de visar a baliza espanhola.
As palavras de Martinez são fáceis de entender: o mais comum dos adeptos do futebol, é capaz de detetar na seleção espanhola uma capacidade para ter e circular bola que não encontra paralelo em qualquer outra seleção na atualidade. Consegue fazê-lo com velocidade, intensidade e objetividade. Ao virtuosismo técnico de individualidades como Pedri e Lamine Yamal, o conjunto de Luís de La Fuente associa dinâmicas de jogo assentes na alternância entre os corredores laterais e o jogo interior. Fá-lo com enorme facilidade, adora ter a bola no pé ao ponto de revelar uma equipa impaciente no momento defensivo; na meia-final com a França foi possível observar a teia montada por duas ou três unidades junto do portador, na ânsia de rapidamente recuperar a bola, sabendo que a partir daí é possível chegar com arte e engenho a zonas de finalização (haverá aqui algo para Portugal explorar?).
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Neste jogo gato e do rato, será importante Portugal contrariar a Espanha detendo a bola o maior tempo possível – Vitinha será aqui uma peça fundamental – e, quando a perder, estar preparado para os zigue-zagues ofensivos de Pedri González, para a verticalidade de Nico Williams e para tudo o que significa na seleção espanhola o talento Lamine Yamal; a pressão sobre o portador e as coberturas defensivas serão essenciais para travar o ímpeto e a capacidade dos espanhóis de visar a baliza de Diogo Costa.
“El encantador” Cristiano, a quem já nada tira o sono
Cristiano Ronaldo admite que já sente saudades de erguer um troféu. A última vez que o fez foi em 2021, após ter conquistado a Taça de Itália, ao serviço da Juventus.
A imprensa espanhola ficou encantada com a forma como o capitão da seleção nacional e melhor marcador da história das seleções falou aos jornalistas na antevisão à final desta noite. Foi um Cristiano consciente da dura tarefa que Portugal terá pela frente, mas sempre de olhos na conquista. E respondeu a tudo: assumiu a defesa intransigente de Roberto Martinez; deixou claro que o duelo individual com Lamal Yamal é interessante mas não o mais importante; revelou que já tem como praticamente assumido que não irá ao Mundial de Clubes apesar de ter recebido vários convites; e também admitiu que será difícil (mas não impossível) ter Messi como companheiro de equipa, Messi de quem foi rival e com quem assegura manter uma relação de amizade (até revelou que nos preparativos para as galas da UEFA e da FIFA fazia de tradutor, porque o argentino não pesca nada de inglês…).
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Cristiano respira saúde, física e mental. Está de bem com a vida porque fez por isso e jogos decisivos como o deste domingo já não lhe tiram o sono, como disse. Aos 40 anos é uma referência, nomeadamente para a geração 20 anos mais nova, que esta noite vai estar em campo na Arena de Munique. Este estado de espírito do capitão da seleção e o que, na meia-final, mostrou ainda ser capaz de fazer, são bons indicadores para a Final.
Ao início da noite conheceremos os nomes dos 11 que vão a jogo, mas como ficou provado na meia-final com a Alemanha, Roberto Martinez joga pelo todo. Partilho da ideia do selecionador de que Portugal fez um jogo a tempo inteiro na meia-final, com uma primeira parte bem controlada e uma segunda em que foi capaz de operar a reviravolta no marcador, quando depois de um golo de legalidade duvidosa, recorreu à criatividade de Vitinha e de Francisco Conceição para romper as linhas alemãs. Martinez conta com todos e essa confiança transversal será muito útil para superar os espanhóis.
De La Fuente com travões e marcha-atrás; Oyarzabal um “señor”
De focado que está na sua equipa – sem derrotas nos 90 minutos há 27 meses -Luís de la Fuente quase se esquecia de falar sobre Portugal. Já ia de saída da sala de imprensa da Arena, quando recuou para reconhecer que a seleção portuguesa está recheada de grandes individualidades, mas que vale sobretudo pelo coletivo.
Também reconheceu que a invencibilidade não é eterna e garantiu estar preparado para esse momento. Que bom seria para nós portugueses, colocar o selecionador espanhol à prova esta noite.
Já o avançado Oyarzabal espera que Cristiano Ronaldo (pelo muto que já fez e continua a fazer) e Lamine Yamal (pelo tanto que faz e promete fazer) possam contribuir para uma grande final em que, disse, não existe favorito
Espanha mais forte. Portugal com “reforços”
Para mim há um favorito: a Espanha; por ser campeã da Europa, por ter conquistado a última Liga das Nações e, sobretudo, pela regularidade e solidez de processos que revela sob o comando de Luis de la Fuente.
Fez bem, Pedro Proença, ao marcar presença no último treino da seleção, ao lado de Toni e de Domingos Paciência. Não creio que a posição de Roberto Martinez, enquanto selecionador de Portugal, dependa do resultado de hoje, a não ser que Portugal sofra uma derrota humilhante, coisa que não antevejo. Todo o treinador depende de resultados; é a vida…Em princípio Martinez vai continuar até ao Mundial. E até pode contar com os reforços anunciados pelo Presidente da República: ele próprio e o primeiro-ministro Luís Montenegro. O primeiro, está em fim de contrato. Quanto ao segundo, o valor no mercado vai depender das exibições e dos golos que marcar, sabendo que a Liga das Nações o pode ajudar. Caramba, onde o futebol nos leva…
Nestas horas, ser jornalista puro e duro é de uma exigência extrema. Vou olhar para o relvado e para as bancadas da Arena de Munique e sentir-me-ei um privilegiado, por ver adeptos de lágrimas nos olhos só de entoar “A Portuguesa”. Serei frio q.b. para distinguir patriotismo de rigor jornalístico, confiante de que, em campo, vai estar uma seleção nacional que honrará Portugal.
Tudo mais, é futebol.
- Bola Branca 18h14
- 05 jun, 2026












