Seleção Nacional
Ruben Neves: "A nossa convicção é voltar só depois do dia 19 e com a taça na mão"
01 jun, 2026 - 16:59 • Inês Braga Sampaio
Ruben Neves admite que a memória de Diogo Jota pode ajudar a superar os momentos mais difíceis e aborda debate sobre a melhor seleção portuguesa de sempre.
Ruben Neves aponta ao objetivo máximo: ajudar Portugal a sagrar-se campeão do mundo. E para isso, conta com a "ajuda" de Diogo Jota.
"A nossa convicção é trabalhar da melhor forma, para conseguirmos voltar só depois do dia 19 [de julho, dia da final do Mundial 2026] e com a taça na mão", afirma o médio, em conferência de imprensa, esta segunda-feira.
A memória de Diogo Jota, internacional português que morreu em julho de 2025, na sequência de um acidente de viação, pode dar "uma força extra nos momentos mais difíceis", rumo ao sonho do Campeonato do Mundo.
Portugal estreia-se no Mundial 2026 diante da República Democrática do Congo, no dia 17 de junho, às 18h00, em Houston, nos Estados Unidos.
Diogo Jota: "Já falámos muito sobre isso e dizemos sempre o mesmo. Às vezes é preciso agarrarmo-nos a algo para ir buscar uma força extra nos momentos mais difíceis, que nestas competições são inevitáveis. Esse pode ser um aspeto que nos pode dar essa força extra nesses momentos e fazer-nos chegar onde queremos chegar."
Pressão: "Todos os jogadores da seleção nacional estão mais que habituados. Todos jogamos em grandes equipas. Ainda agora tivemos quatro jogadores a ganhar a Champions pela segunda vez. Somos um grupo jovem, mas muito experiente e sabemos das nossas qualidades. É uma pressão positiva. É uma responsabilidade ainda maior, porque sabemos que temos qualidade e chegar a grandes conquistas por Portugal."
Samu Costa: "Samu já esteve connosco antes. É uma mais-valia, como todos os que aqui estão.
Versatilidade: "É uma mais-valia para qualquer jogador poder em duas ou mais posições. Este ano, devido a algumas lesões no clube, fiz muitos minutos como defesa-central. Já não era a primeira vez que faria a posição na seleção. Sinto-me confortável. Como é óbvio, eu sou um médio, mas estou preparado para jogar em qualquer posição para ajudar a seleção naquilo em que for necessário."
Objetivo individual: "Título é o grande objetivo de todos os jogadores. Estamos todos muito focados no que podemos ganhar como grupo e jogador. E melhor marcador eu não vou ser de certeza, por isso, o objetivo é ganhar."
Marcou o penálti que deu a Liga das Nações a Portugal, gostava de repetir o feito? "Claro que sim. Depois desse jogo, disse que foi dos golos mais importantes da minha carreira, se não o mais importante. Se voltar a acontecer neste Mundial, que seja da mesma forma, para a equipa passar a próxima fase ou até vencer a competição. Seria um sonho, como é óbvio, mas preferia sem dúvida poder ganhar nos 90 minutos e não ter de chegar às grandes penalidades."
Esta é a melhor seleção de sempre? "A melhor seleção de sempre é muito relativo. Portugal ganhou o Europeu em 2016, por isso é muito difícil dizer que somos a melhor seleção de sempre. Ganhámos uma Liga das Nações, mas não podemos chegar a esse patamar, porque ainda falta um bocadinho para lá chegarmos."
Experiência ajuda os dez estreantes em Mundiais? "É muito importante ter esse tipo de experiência no grupo. Eu lembro-me do primeiro Mundial, foi a competição que me senti mais nervoso e ansioso para participar. Sem dúvida que os jogadores mais experientes nesse grupo me ajudaram imenso. É o que vamos tentar fazer com os dez jogadores que se vão estrear: tentar tranquilizá-los ao máximo, para usufruírem desta experiência o máximo possível, porque é uma experiência única."
Acredita que só volta a Portugal depois da final? "Vamos começar desde hoje a preparar o Campeonato do Mundo da melhor maneira possível e, como é óbvio, a nossa convicção é voltar só depois do dia 19. É para isso que aqui estamos. Temos de ter muita expectativa, mas com responsabilidade também. É uma competição muito difícil, há muitos fatores em jogo, mas o o nosso objetivo é chegar à final e vencer. A nossa convicção é trabalhar da melhor forma, para conseguirmos voltar só depois do dia 19 e com a taça na mão.
Novas regras do jogo entram em vigor no Mundial: "Vamos preparar os jogos do Mundial já a contar com as novas regras. Podem ser muito benéficas, principalmente as regras do tempo que os jogadores têm para sair de campo e para ser assistidos. Vai ser importante para aquelas equipas que gostam de empatar um bocadinho mais o tempo."
Momento de forma: "Sinto-me bastante bem, fiz muitos minutos. Fisicamente, sinto-me numa das melhores formas da minha carreira. Portanto, chego muito confiante."
Marcou 13 golos esta época, a melhor da carreira: "É sempre bom quando conseguimos ajudar a equipa com assistências e com golos, ser influentes. Esta época correu-me muito bem nesse aspeto e se for algo que consiga trazer para a seleção, será benéfico para mim e para todos. Espero conseguir dar continuidade a essa veia goleadora aqui no Mundial também."
Jogar a central ou a médio-defensivo: "A principal diferença é que, como central, vejo sempre o jogo de sempre e é muito melhor, tenho uma visão muito mais abrangente de todo o campo. Quando jogo como médio, jogo algumas vezes de costas e tenho de ter a capacidade de ver o que se passa antes de receber a bola, que essa é a mais-valia dos grandes médios, é conseguir pensar antes de a bola chegar. Sinto-me confortável com as duas posições. Já tive treinadores que me pediam quase sempre para sair a três, mesmo jogando a médio. Depende também muito do movimento coletivo da época. Quando baixo para jogar a três, os laterais projetam na frente e a equipa fica com uma dinâmica diferente. Quando jogo à frente dos centrais, talvez seja para que um dos centrais tenha mais espaço com bola quando as equipas pressionam o médio-defensivo individualmente. Sinto-me confortável com as duas posições e darei o meu melhor."
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- 05 jun, 2026









