Mundial 2026
"Temos mais opções de ganhar se jogarmos bem", mas Martínez aceita jogar mal e ser campeão
05 jun, 2026 - 18:20 • Inês Braga Sampaio
Selecionador nacional confirma baixa de Matheus Nunes para o jogo de preparação com o Chile, em que a prioridade, salienta, não é ganhar: "É melhorar a equipa para o Mundial."
Roberto Martínez quer jogar bem no Mundial 2026, porque acredita que isso aproximará Portugal da vitória final. No entanto, também aceita jogar mal se, no fim de contas, a seleção nacional se sagrar campeã.
"Assino já", confessa o selecionador nacional, com um sorriso.
Em conferência de imprensa, esta sexta-feira, Martínez salienta, contudo, que a melhor equipa em campo está sempre mais perto de vencer.
"Com o talento que temos, se ganharmos bem, temos mais opções de ganhar. Há o adversário, há decisões durante o jogo... Os aspetos que podemos controlar é jogar bem, então o foco é jogar bem. E a consequência... Eu acho que temos mais opções de ganhar se jogarmos bem, se formos a melhor equipa durante o jogo. É mais fácil focarmo-nos nisso. Querer ganhar é muito geral. Que é isso? Nós queremos ganhar bem: manter a posse, reagir rápido, defender acima, controlar o jogo, marcar golos... Tudo isso ajuda a ganhar o Mundial", explica o técnico.
Palavras de Roberto Martínez na antevisão do jogo particular com o Chile, marcado para as 18h45, no Estádio Nacional, no Jamor. Matheus Nunes está de fora. Encontro com relato e acompanhamento na Renascença.
Equilíbrio entre os dados e o "feeling": "Quando precisamos de tomar decisões há um equilíbrio muito importante entre tudo aquilo que é subjetivo, experiência, ver o jogo, a ideia da equipa técnica, o que precisamos de fazer, os momentos de forma dos jogadores; e o aspeto muito, muito objetivo, que é importante também: as estatísticas e tudo aquilo que fizemos juntos que podemos medir. Hoje no futebol podemos medir tudo e ajuda muito para tomar decisões. A decisão final é uma mistura e permite preparar aspetos de uma forma mais profissional e mais certa."
Preparação para o Mundial: "Há dois blocos muito importantes. O bloco que temos agora, já estamos com cinco treinos, e o foco é individual. É tentar levar todos os jogadores ao mesmo nível, para poder executar os conceitos como equipa e poder estar no Mundial ao melhor nível. O bloco que temos agora já é uma continuação do trabalho feito em março, porque já experimentámos muitos aspetos importantes daquilo que vamos fazer durante o Mundial. E agora, os treinos tiveram uma intensidade, a dinâmica de grupo é muito boa e os adversários já têm aspetos dos adversários do Mundial. Jogar contra o Chile é porque é uma equipa que tem a questão dos duelos como a Colômbia, uma equipa sul-americana, mas depois há aspetos nossos de conceitos de tudo aquilo que precisamos de fazer com e sem bola. Este bloco é muito mais individual, para levar todos os jogadores ao melhor nível, fisicamente e de clareza daquilo que precisam de fazer no Mundial. O outro bloco é os três jogos da fase de grupos do Mundial. É um trabalho totalmente diferente. Agora, estamos à espera de que, amanhã, os quatro jogadores campeões da Europa cheguem e continuarmos a nossa preparação desde um ponto individual, até terminar o período de preparação. E também dizer que para nós é muito importante jogar em frente aos nossos adeptos. O significado de representar Portugal num Mundial. Jogar no Jamor, em frente aos nossos adeptos, e jogar no Dia de Portugal, frente à Nigéria, também faz parte da nossa preparação do aspeto psicológico dos jogadores da nossa seleção."
O selecionador da Argentina, Lionel Scaloni, diz que consulta Messi para todas as decisões. Martínez faz o mesmo com Cristiano Ronaldo? "Eu respeito todas as seleções do mundo, todos os jogadores do mundo, mas nós trabalhamos de forma diferente."
Seleções como França e Espanha não venceram nos primeiros amigáveis: "Os resultados nos jogos amigáveis não são o resultado final, mas sim todos os aspetos que a equipa trabalha durante os cinco, seis dias antes do jogo e poder ajustar aspetos coletivos. São momentos em que os selecionadores tentam experimentar e ajustar aspetos, para melhorar a equipa. O foco amanhã para nós não é ganhar ao Chile. O foco é melhorar como equipa e, depois, a consequência é tentar ganhar. Porque vestir a camisola de Portugal é tentar ganhar. Mas não é a prioridade. Não é fazer tudo para ganhar o jogo, é fazer tudo para melhorar a equipa. Vamos utilizar as 11 substituições, para gerir os minutos de que os nossos jogadores precisam. Não é o mesmo terminar a época a 16 ou 24 de maio, não é o mesmo jogar mais de 4.000 minutos que jogar 2.000 minutos. É um jogo em que o aspeto individual é mais importante que o resultado final. O foco é melhorar a equipa para o Mundial."
Portugal não viaja demasiado tarde para os Estados Unidos? "Estivemos na América em março, trabalhámos altitude, mudança do fuso horário, humidade, vários aspetos muitos importantes. Os dois primeiros jogos são em Houston, num estádio fechado, que já trabalhámos em março, e agora para nós o importante é chegar o mais tarde possível. Porque o trabalho que precisamos de fazer em Portugal é muito focado no jogador. Podemos fazer isso na Cidade do Futebol, não podemos fazer isso nos EUA. Temos quatro jogadores que tiveram sete dias para 'recomeçar' a época. Este é o meu terceiro Mundial e estou a utilizar a experiência que tive nos outros Mundiais para perceber do que precisa o ´balneário de Portugal para a preparação dos jogos."
Pouco importa, pouco importa, se jogamos bem ou mal? "É uma pergunta difícil. O importante é ganhar, mas a nossa equipa, com o talento que temos, se ganharmos bem, temos mais opções de ganhar. Há o adversário, há decisões durante o jogo... Os aspetos que podemos controlar é jogar bem, então o foco é jogar bem. E a consequência... Eu acho que temos mais opções de ganhar se jogarmos bem, se formos a melhor equipa durante o jogo. É mais fácil focarmo-nos nisso. Querer ganhar é muito geral. Que é isso? Nós queremos ganhar bem: manter a posse, reagir rápido, defender acima, controlar o jogo, marcar golos... Tudo isso ajuda a ganhar o Mundial."
Mas assinava jogar mal e ganhar o Mundial? "Assino já."
Matheus Nunes e João Félix falharam o treino de quinta-feira: "No futebol não há nada certo. Trabalhamos sempre a esperar o inesperado. Infelizmente, o Matheus Nunes ainda não está em condições de treinar. Então, amanhã fica fora da lista, não é o momento de arriscar. Esperamos que esteja bem para o jogo com a Nigéria. O João Félix vai treinar e tomamos uma decisão a seguir ao treino, mas acho que é uma situação diferente. Sinto que vai estar apto para jogar."
Alguma seleção o tem surpreendido pela positiva ou pela negativa? "É certo que adoro ver futebol e acompanhar muitas seleções, mas agora só estamos a acompanhar os nossos adversários, a RD Congo, o Uzbequistão e a Colômbia. A Colômbia é uma equipa com clareza no que faz e que joga muito bem. Gosto muito. A RD Congo também está a mostrar flexibilidade tática, a utilizar uma linha de cinco. Não fizeram isso até ao último jogo. O Uzbequistão está a trabalhar muito bem, com o novo treinador, o aspeto defensivo, é uma equipa muito competitivo. O jogo de amanhã é importante ao nível dos duelos individuais. Estamos a desfrutar do período de preparação."
Gostava de uma final diante da Espanha? "Com toda a humildade do mundo, por agora, Portugal só tem três jogos no Mundial. Eu adorava chegar aos oito, seja que for. Temos de ter a humildade de preparar bem os jogos, tentarmos apurar-nos, tentar crescer e ter o melhor nível possível. Depois, estamos abertos a tudo."
Chegada dos quatro campeões europeus do PSG dá ainda maior confiança? "Sem dúvida. Já experienciámos isso no ano passado, foram campeões da Europa e chegaram e ajudaram muito com a sua confiança, acreditar muito. Quando ganhas a Liga dos Campeões, acreditas que tudo é possível. O Nuno Mendes ser o homem do jogo na final contra a Espanha, o Vitinha fez uma Final Four muito boa, o Gonçalo Ramos é um exemplo pela sua atitude, estar sempre preparado para ajudar a equipa, e o João Neves, um jogador que está neste momento ao melhor nível dos médios no futebol europeu. Agora, precisam de desligar, a sua época fechou bem. Uma bola celebração. Tiveram tempo com as famílias e, a partir de amanhã, a sua energia é muito importante para nós."
Jogo com o Chile ainda sem a espinha dorsal da equipa: "Estamos a falar de uma equipa que está junta há 38 jogos, é um período bom. O que é importante é a ideia de criar um balneário muito competitivo. No futebol moderno, há 11 jogadores que começam o jogo, mas há cinco substituições. O que é importante é tentar terminar os jogos ainda melhor que o nível em que os começaste. Isso foi chave nos jogos com a Alemanha e a Espanha na Liga das Nações, e é isso que tentamos fazer agora. Todos os jogadores terão oportunidade de se mostrar nos dois próximos jogos, abrir a competitividade e o onze inicial para todos os jogadores. Porque é só desta forma que somos uma equipa mais forte. Não podemos trabalhar só com um onze inicial e esperar que tudo corra bem. Precisamos de utilizar toda a qualidade que temos, temos muitas valências diferentes, jogadores diferentes, podemos criar estilos diferentes, planos de jogo diferentes, e para isso todos os jogadores precisam de estar ao melhor nível. Agora estamos a fazer isso individualmente. Não é só 11 jogadores para o Chile, 11 jogadores para a Nigéria. Por agora, temos 18 jogadores de campo e quatro guarda-redes, e vamos tentar preparar todos eles para o início do Mundial."
Chile: "Para nós é muito importante o facto de ser uma seleção nova. O selecionador está a fazer um trabalho muito interessante, gosto muito das ideias do jogo posicional. É uma equipa com muita flexibilidade e que nos vai exigir muito. Para nós, é um jogo de preparação para o Mundial e para o Chile é um jogo para preparar o futuro desta seleção, e isso faz com que seja um jogo muito competitivo, que nos vai aproximar muito daquele nível individual da seleção da Colômbia, como outras seleções sul-americanas, e para poder pôr em prática conceitos que queremos trabalhar."
Como pode o Chile ajudar a preparar o Mundial? "É uma equipa que vai exigir muito de nós quando estivermos sem bola. É uma equipa muito bem trabalhada e com ideias muito claras. Depois, com bola, é uma equipa que defende muito bem os duelos individuais e é um aspeto que individualmente nos vai exigir e vai dar-nos muito na transição daquilo que temos feito no treino para contexto de jogo."
Já tem onzes iniciais na cabeça para os jogos com RD Congo, Uzbequistão e Colômbia? "Sei totalmente o que precisamos de fazer nos três jogos, mas não sei quem vai executar. O importante é perceber como os nossos jogadores estão, como trabalham e o aspeto competitivo é muito saudável durante o treino e no balneário, para criar uma dinâmica ganhadora. A minha experiência de ter tido sete jogos no Mundial 2018 permite-me perceber que precisas de ajustar muito, ser flexível taticamente, e o mais importante para nós é isso: sermos uma equipa que esteja confortável com flexibilidade tática e não termos aspetos táticos muito fechados e muito rígidos. Por agora, o equilíbrio é bom. Precisamos de continuar a melhorar e a sincronizar aspetos defensivos, algo que vamos tentar no jogo de amanhã e no jogo com a Nigéria. Adversários diferentes, que vão ajudar muito para os que vamos ter no Mundial, mas acho que a flexibilidade é muito importante para um torneio de oito jogos."
- Bola Branca 12h45
- 22 jul, 2026






