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Seleção Nacional

Proença definiu meias-finais como mínimo, Martínez é mais cauteloso. "Não há um objetivo"

09 jun, 2026 - 17:48 • Inês Braga Sampaio

Selecionador nacional diz que o objetivo frente à Nigéria é "levar os jogadores ao avião para Miami preparados para o Mundial" e diz não estar a par dos problemas políticos que têm assolado o torneio: "Ficamos de portas fechadas."

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Roberto Martínez contraria o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Embora admita que quer ganhar os oito jogos possíveis, o selecionador diz que não há objetivo mínimo para o Mundial 2026.

"O mau Mundial será, obviamente, não chegar acima dos quartos de final", disse Pedro Proença, antes do particular de sábado com o Chile, que Portugal venceu por 2-1. Esta terça-feira, contudo, o selecionador mete água na fervura e sublinha que o foco está na fase de grupos.

"O presidente tem a sua opinião e eu respeito isso. Para mim há um Mundial que são três jogos, não tem mais nada. O foco para mim é o jogo de amanhã, preparar todos os jogadores e, depois, preparar os três jogos da fase de grupos. Não há um objetivo. A ideia é ganhar tudo. A ideia é ganhar oito jogos, seja em 90 minutos, 120 ou nas grandes penalidades", diz.

Declarações de Roberto Martínez em conferência de imprensa, em que também garante que os problemas políticos que assombram o Campeonato do Mundo não entram na Cidade do Futebol. Também reitera que os particulares de preparação, o próximo com a Nigéria, servem para "levar os jogadores ao avião para Miami preparados para o Mundial".

Portugal defronta a Nigéria na quarta-feira, às 20h45, no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria. O último ensaio antes da partida para o Mundial 2026 terá relato e acompanhamento na Renascença.


Jogo com Nigéria é ensaio geral para o Mundial, já com onze próximo do inicial? "Não, porque é o primeiro jogo para seis dos nossos jogadores, mais o Diogo Costa, sete. É o último jogo de preparação, mas o foco continua a ser individual, recuperar e dar minutos aos jogadores que precisam. O primeiro objetivo é levar os jogadores ao avião para Miami preparados para o Mundial. Isso é o objetivo número 1. Claro que queremos ganhar. É preciso esperar o inesperado. Com a Nigéria temos oportunidade de treinar aspetos semelhantes a pontos fortes que o Congo tem. São muitos jogos que treinamos com onze inicial. Aqui a responsabilidade é preparar os jogadores para ajudarem a equipa. Não é o onze inicial, não é o onze que termina. Vamos ajustar o que precisarmos, vamos fazer 11 substituições. A ideia é tentar que todos os jogadores tenham minutos."

Qual é o estilo de Portugal? "O estilo de Portugal é muito fácil. É um grupo de jogadores com muito talento e temos uma estrutura e um equilíbrio e uma disciplina dentro desse talento para ganhar jogos. Os números estão aí: vitórias, número de golos, chegadas à área. Um compromisso total para defender rápido, defender acima. Isso é o estilo. Outro aspeto é o aspeto tático, que é diferente, falar da nossa estrutura tática. A nossa ideia é ter flexibilidade tática para poder ajustar todo o talento individual dentro da estrutura da equipa. É muito difícil para pessoas de fora, que não têm conhecimento de futebol, falar do aspeto tático, eu percebo isso, mas o estilo é muito fácil e definido."

Este pode ser o último jogo de Cristiano Ronaldo por Portugal, em Portugal? "O nosso capitão é um exemplo para o dia a dia. São 24 horas a dar tudo para melhorar e ajudar a seleção. O capitão e todos os jogadores da seleção não pensam no futuro. Ninguém sabe o futuro. O foco é treinar hoje, ser o melhor dentro do treino, apanhar e executar os conceitos, mostrar orgulho de mostrar a camisola de Portugal e é isso o exemplo dele. Com a experiência que ele tem, o único objetivo é tentar utilizar o jogo de amanhã para melhorar."

Ponto de situação na preparação: "Não é o fim de época. Estamos a falar do começo da época. O balneário tem frescura, alegria. Os jogadores que estiveram no último jogo da época, a 30 de maio, já estão totalmente recuperados. Agora, é reativar e recomeçar o aspeto físico para o Mundial. Há dois Mundiais: agora há só três jogos e acho que depois do jogo de amanhã estaremos todos prontos para os três jogos. E no Mundial acontece que precisas de melhorar muito durante os primeiros três jogos, momentos difíceis, de mostrar resiliência, de mostrar os valores do grupo, em que individualmente precisas de melhorar. E é aqui que podemos pensar num segundo Mundial. Mas por agora, estamos prontos para fazer um bom jogo. Amanhã, esperamos que seja mais um passo à frente na preparação."

Onze substituições, que tal no caso de quem jogou mais tempo frente ao Chile? "Todos os jogadores que jogaram mais de 45 minutos recuperaram muito bem. A nossa ideia para o João Cancelo era ter mais de 45 minutos, acho que o seu estilo de jogo e a sua capacidade física permitem isso. Com o Bruno Fernandes e o Ruben Dias também. Há jogadores que precisam de aspetos fisicamente diferentes e amanhã só temos a limitação do Rafael Leão. O resto, todos os jogadores vão estar preparados. Na baliza, o Diogo Costa vai jogar os 90 minutos. É o nosso guarda-redes número 1, é uma posição que precisa de muita clareza. As posições de campo são para utilizar amanhã. Que seja um jogo com muitos jogadores, mas com a mesma ideia, a mesma intensidade e que possamos ganhar o jogo juntos."

Uzbequistão: "É uma mistura importante. É uma equipa asiática mas com um treinador europeu, com muita experiência em Mundiais. É uma equipa com uma clareza tática muito forte. O resto é uma mistura. Há um aspeto conhecido: não sabemos como é que uma equipa que nunca participou num Mundial pode ajustar num jogo. Acho que durante três, quatro, cinco jogos é fácil poder esperar o nível de um adversário. Mas já tive a experiência de jogar com o Panamá em 2018, um estreante, e há um aspeto inesperado, ninguém consegue preparar o nível a que o adversário consegue jogar, porque é uma final na carreira dos jogadores. Acho que o Chile, o aspeto emocional, dos duelos, da intensidade, das situações de 1 para 1, é muito semelhante à Colômbia, são equipas que arriscam. A Nigéria é muito diferente do Congo, mas tem aspetos semelhantes, como a capacidade dos atacantes de explorar os espaços nas costas da linha defensiva, muitos jogadores na zona central... O aspeto tático é muito diferente, mas culturalmente há aspetos muito semelhantes nas equipas que já trabalhámos: México, EUA, Chile, Nigéria. Nos quatro adversários, temos tudo aquilo de que precisávamos para os três jogos da fase de grupos."

Nunca um selecionador foi campeão do mundo com um país que não o seu: "É um desafio que adoro, é fantástico. A minha carreira está cheia de desafios assim. É o primeiro Mundial com oito jogos, com 48 seleções... É um momento especial para fazer algo que nunca foi feito, que é o que queremos fazer com Portugal."

Proença disse que será um mau Mundial se Portugal não chegar às meias-finais: "O presidente tem a sua opinião e eu respeito isso. Eu sei que é chato eu estar a dizer isto, mas para mim há um Mundial que são três jogos, não tem mais nada. O foco para mim é o jogo de amanhã, preparar todos os jogadores e, depois, preparar os três jogos da fase de grupos. Não há um objetivo. A ideia é ganhar tudo. A ideia é ganhar oito jogos, seja em 90 minutos, 120 ou nas grandes penalidades."

Problemas com segurança imposta pelos EUA: "Não, porque estamos a falar de um Mundial. É o meu terceiro Mundial e podemos dizer que aconteceu o mesmo em todos, seja aspeto político... O Mundial é a maior competição do mundo, não só no desporto. Esses aspetos fazem parte do que significa estar num Mundial. Mas nós ficamos de portas fechadas e focamo-nos naquilo que podemos controlar, mais nada."

Nigéria: "Gosto muito das ideias do treinador da Nigéria, é muito flexível taticamente. Jogar com um 4-4-2 losango, com opções depois de mudar e trazer alas e dois pontas de lança... Utiliza muito bem as valências da sua equipa, tem atacantes muito rápidos e fisicamente muito fortes. São atacantes diferentes do estilo do Chile. Para nós é muito importante poder trabalhar isso."

Preparação: "Na seleção, todos os dias de trabalho são importantes para construir uma equipa. O jogo do Chile acelerou muito. Foi melhor ganhar 2-1 do que ganhar 2-0, porque pudemos avaliar e melhorar. Amanhã é o mesmo, vamos tentar ganhar, mostrar clareza naquilo que queremos no relvado, abrir competitividade entre os jogadores, os momentos de forma e, no fim do jogo, poder celebrar com os nossos adeptos o último jogo de preparação para o Mundial."

Ricardo Velho vai ter minutos? "É um equilíbrio entre o que todos os jogadores precisam. Era importante que o José Sá e o Rui Silva tivessem minutos. Também era importante recuperar o Diogo Costa, esteve acima dos quatro mil minutos, então a sua preparação para o primeiro jogo precisava de mais treinos. O Ricardo Velho está a trabalhar muito bem. Todos os jogadores estão a respeitar muito o que ele traz à seleção, mas a posição do guarda-redes é muito importante poder jogar 90 minutos antes de um jogo. Para o Diogo Costa, foi o processo perfeito: poder treinar, preparar, recuperar. É o começo da nova época, não a continuação nem o fim da época. O Diogo desligou e agora começa a nova época e faz sentido jogar os 90 minutos amanhã."

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