Conferência Bola Branca
Félix da Costa revela que há interesse em levar a Fórmula E para Lisboa. "Já estivemos mais longe"
27 mai, 2025 - 19:36 • João Pedro Quesado (entrevista) , Inês Braga Sampaio (texto)
Piloto português admite que o ambiente na Porsche "não está leve" e que tem propostas para mudar de equipa. Se o convite para a Fórmula 1 chegasse, "provavelmente ia dizer que sim".
António Félix da Costa revela que a possibilidade de haver uma corrida de Fórmula E em Portugal, concretamente em Lisboa, é real.
Em entrevista na 3.ª Conferência Bola Branca, no Auditório da Renascença, esta terça-feira, o piloto de Fórmula E e resistência revela que já houve reuniões com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, ainda que o momento de eleições seja mais complicado.
"Conseguimos montar uma reunião com a Câmara de Lisboa há um, dois anos, com os chefes da Fórmula E e com Carlos Moedas, que foi cinco estrelas. A verdade é que interesse há. Tem de se arranjar algum dinheiro para fazer o evento. Essa parte também seria fazível, a meu ver. Já estivemos mais longe. Não é algo que vá acontecer amanhã, mas a Fórmula E está numa fase de tanto crescimento que temos países que dispostos a pagar para ter provas. Um 'ticket' para ter uma corrida na China é mais fácil para o governo chinês que para o português", vinca.
Além disso, diz Félix da Costa, "em Portugal temos problemas mais graves para resolver". De qualquer modo, o piloto considera que uma corrida de Fórmula E em Lisboa teria mais sucesso do que a Fórmula 1 teve no Algarve, em tempo de pandemia: "Um evento destes justifica-se pelo tráfego humano e de comércio, e pela pegada que deixas da cidade de Lisboa e do país e que continue a gerar turismo."
"A minha parte seria abrir portas e facilitar, nunca serei eu a negociar o que quer que seja mas estou completamente aberto a dar a cara pelo evento. Para mim seria um sonho poder correr em Portugal com um carro ganhador um Campeonato do Mundo. Disputar uma vitória num Mundial em casa seria um sonho", confessa.
Ambiente na equipa "não está leve"
António Félix da Costa está no terceiro lugar do Mundial de Fórmula E, a 11 pontos do colega de equipa na Porsche, o alemão Pascal Wherlein, e a 88 do líder da classificação, o britânico Oliver Rowland (Nissan).
O piloto português admite que ele próprio já não acredita muito que seja possível ser campeão: "Há uma parte realista em mim que pergunta: 'Como é que eu vou ganhar 80 pontos a um piloto que está rápido e tem um bom carro?' Vamos ver, é tentar meter a pressão e induzir o erro."
Quanto ao colega de equipa, Félix da Costa não esconde que o facto de estarem a competir taco a taco azedou a relação entre ambos.
"O ambiente dentro da nossa boxe não está leve. A primeira luta é dentro da minha boxe, o que prejudica a objetividade para o objetivo final", diz. Ainda assim, espera "conseguir dar a volta à situação".
Mudança de equipa é hipótese
E este ambiente duro, mais ainda depois de a Porsche o ter obrigado a competir apenas na Fórmula E em vez de conciliar o seu tempo com o Mundial de Resistência, dá-lhe vontade de encontrar nova equipa?
"Andas a ler os meus emails?", começa por gracejar.
Mais a sério, Félix da Costa reconhece que está "numa luta interna, porque correr pela Porsche é um orgulho enorme" e permite-lhe competir para ganhar: "Dá-me as armas para lutar por campeonatos."
"E isso vale muito. Mas a Porsche, ao fim de dez anos de eu estar a fazer o Mundial de Resistência e Fórmula E ao mesmo tempo, e de ter sido campeão do mundo nos dois, e depois puxarem-me o tapete de debaixo dos pés foi algo de que não gostei. Existem outras propostas em cima da mesa para competir na Fórmula E que me deixam voltar ao Mundial de Resistência. Agora, temos de fazer uma análise bem feita, com calma, tentar tirar a emoção da decisão. O que decidir será para os próximos quatro anos. Estás condicionado a disputar bons contratos", sustenta.
O anúncio pode não ser imediato, mas algo já tem prazo: "Na próxima semana e meia, duas no máximo, tenho de ter a decisão tomada."
Convite da F1? "Provavelmente, diria sim"
António Félix da Costa esteve muito próximo de entrar na Fórmula 1 em 2013, para a temporada de 2014, quando era ainda muito jovem. Na Conferência Bola Branca, o piloto explica o que aconteceu na altura.
"Eu tinha tudo feito, tinha contrato assinado, tinha o meu banco, os meus fatos, os meus capacetes, tudo pronto para começar, e de repente foi anunciado um Grande Prémio da Rússia e dentro da estratosfera da Red Bull havia um piloto russo e decidiu-se promovê-lo", conta.
Agora, quer deixar o tema para trás, de forma a não ficar "na maionese". Ainda assim, questionado sobre se aceitaria um eventual convite de uma equipa da categoria rainha, Félix da Costa confessa que aceitaria.
"Largar uma Porsche e disputar corridas e ganhar campeonatos na Fórmula E e em Le Mans para ir para a Fórmula 1 e ser mais um, não sei se seria o caminho. Mas o pelotão do meio também está muito competitivo e há uns anos seria mais fácil tomar essa decisão, porque as equipas de baixo eram más. Provavelmente ia dizer que sim, mas não seria uma decisão fácil", reconhece o piloto, enfim.
- Bola Branca 18h15
- 14 jul, 2026









