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Fórmula 1

Vasseur continua. Ferrari elimina dúvidas sobre liderança antes da pausa de verão

31 jul, 2025 - 19:31 • João Pedro Quesado

A Ferrari venceu pela última vez uma corrida no Grande Prémio do México de 2024, pelas mãos de Carlos Sainz — o local da pole position mais recente da equipa. Já os títulos fogem à equipa desde 2008.

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“Fred Again”, diz-se em Maranello. A Ferrari anunciou esta quinta-feira que Frédéric Vasseur vai continuar a ser o diretor de equipa da Scuderia na F1. O francês assinou uma renovação "plurianual" do contrato, tendo chegado à Ferrari em 2023.

O lugar de Vasseur começou a ser colocado em causa em junho, depois de um início de temporada desapontante para a Ferrari. A equipa terminou 2024 perto da McLaren e do título de construtores, mas ainda não venceu nenhuma corrida em 2025.

Com o contrato original a durar até ao fim do ano, alguma imprensa italiana — onde, habitualmente, não há fumo sem fogo quando o assunto é a Ferrari — sugeriu que Vasseur estava em risco. O chefe da Ferrari ficou irritado com a especulação "desrespeitosa", e sugeriu que a única intenção era criar problemas para a equipa.

"Renovar o contrato do Fred reflete a determinação da Ferrari de expandir as fundações construídas até agora. A capacidade dele de liderar sob pressão, abraçar a inovação e perseguir a performance alinha-se completamente com os valores da Ferrari e as ambições de longo prazo", anunciou a Ferrari, apontando que a equipa está "unida, focada, e comprometida com melhorias contínuas".

O CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, reforçou que a equipa quer "reconhecer o que foi construído e comprometer-nos com o que ainda precisa de ser alcançado", e afirmou que a renovação "reflete a confiança na liderança do Fred".

Melhorias pequenas em toda a operação

Enquanto muitos diretores de equipa na Ferrari receberam apoio público enquanto a marca procurava o seu substituto — caso do antecessor de Vasseur, Mattia Binotto, no final de 2022 —, esta renovação mostra que aconteceu o contrário: houve silêncio público porque foi dado apoio interno, sublinhado com esta prova de confiança.

Além de mudanças na estrutura da equipa e de algumas lideranças de departamentos, uma diferença visível desde que Frédéric Vasseur lidera a Ferrari é a forma como a equipa tem respondido a perdas de performance durante a temporada. Se antes, nos anos em que disputou títulos com a Mercedes e, depois, em 2022, com a Red Bull, era típico ver a Ferrari a colocar peças novas no carro que prejudicavam o desempenho, os últimos dois anos e meio têm mostrado recuperações em plena temporada.

Também a operação em pista está melhor. Há menos erros visíveis na estratégia — e menos gritos desesperados dos pilotos no rádio a pedir que a equipa pare de inventar, apesar da adaptação complicada de Hamilton —, e ir trocar de pneus deixou de ser uma experiência perigosa para a saúde mental dos pilotos. Tanto que a equipa tem sido das mais rápidas nas boxes em 2025.

Os pilotos também gostam do estilo de Vasseur. Leclerc, que sofreu com Binotto de 2019 a 2022, disse na apresentação do carro deste ano que “o Fred tem um ponto forte muito grande de manter o nível emocional da equipa num nível muito bom”.

“Temos estado mais sólidos nisso”, acrescentou o monegasco. O que só pode ser bom na Scuderia, uma equipa que mais se parece com uma seleção nacional, e em que o escrutínio é constante, intenso e, por vezes, agressivo.

Ferrari de Vasseur ainda não produziu o primeiro carro

Vasseu precisa de provar que as mudanças que fez nos últimos anos resultam em mais vitórias, disputas pelos títulos e títulos conquistados. Mas, na F1 moderna, mudar o rumo de equipas é como mudar a direção de um porta-aviões: são estruturas com bem mais de mil pessoas, com muitos departamentos a interagir entre si e, por isso, muitas instâncias onde é possível entrar areia na engrenagem.

Um exemplo: Loic Serra, atual diretor técnico, foi contratado durante 2023, quando estava na Mercedes. Mas a contratação apenas foi anunciada em 2024, e Serra apenas chegou à equipa em outubro desse ano — produto dos longos períodos de nojo dos contratos atuais. O mesmo é dizer que o primeiro carro projetado por Serra será o de 2026

A Ferrari venceu pela última vez uma corrida de Fórmula 1 no Grande Prémio do México de 2024, pelas mãos de Carlos Sainz. Foi também aí, com o mesmo piloto, que conseguiu a pole position mais recente da equipa.

Já os títulos fogem à equipa desde 2008, ano em que venceu o campeonato de construtores. O último título de pilotos foi em 2007, com Kimi Räikkönen.

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