Fórmula 1
F1 pediu 60 milhões de euros por ano à Malásia para Grande Prémio voltar ao país
22 ago, 2025 - 09:25 • João Pedro Quesado
Luís Montenegro anunciou o "formalizar" da vontade de recuperar o Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, para o Autódromo do Algarve. Malásia tem um Produto Interno Bruto 36% maior que Portugal e desistiu da ideia da F1 se nenhuma empresa se oferecer para cobrir os custos.
A Fórmula 1 colocou o preço do regresso do campeonato à Malásia acima dos 60 milhões de euros, segundo o governo do país asiático. O Grande Prémio da Malásia, no circuito de Sepang, fez parte do calendário da F1 entre 1999 e 2017, saindo depois de anos sucessivos de perda de interesse no campeonato e vendas de bilhetes insuficientes.
Esta quinta-feira, a ministra da Juventude e do Desporto da Malásia, Hannah Yeoh, disse ao parlamento malaio que o governo não tem planos para tentar voltar ao calendário da F1, segundo a Reuters. A ministra apontou como razões "o custo alto das taxas do direito a receber a corrida e preparações de instalações, assim como o calendário de corridas preenchido", cita o jornal malaio New Straits Times.
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"Receber a F1 obrigaria o governo a investir cerca de 300 milhões de ringuites malaios [60,9 milhões de euros] por ano para pagar os direitos de receber a corrida à Liberty Media, que detém os direitos comerciais da F1", detalhou a governante, acrescentando que a Malásia teria "de se comprometer a um contrato com um período mínimo de três a cinco anos com a Liberty Media" — o que resulta em pelo menos 182 milhões de euros para três anos, e pelo menos 304 milhões num contrato de cinco anos.
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O Governo português anunciou, pela boca do primeiro-ministro Luís Montenegro na Festa do Pontal, do PSD, a intenção de fazer a Fórmula 1 regressar a Portugal em 2027. Segundo o Dinheiro Vivo, o Ministério da Economia já apresentou a proposta à Formula One Management — a empresa dona dos direitos comerciais de F1, detida pela Liberty Media.
Os custos de trazer a F1 de volta a Portugal podem ser estimados ao olhar para as taxas pagas por corridas na Europa, que tendencialmente não ultrapassam os 30 milhões de dólares (mais de 25 milhões de euros), como explicou a Renascença no dia a seguir ao anúncio do primeiro-ministro.
Faltam ainda os custos da logística de organizar cada corrida e o espaço no calendário, que pode faltar se a F1 continuar a ir a Barcelona, por exemplo — ainda não se sabe que Grande Prémio vai entrar em rotatividade com a corrida da Bélgica, que não vai acontecer em 2028 e 2030.
O problema da falta de espaço no calendário — que não deve ir além das atuais 24 corridas — também foi referido pelos responsáveis malaios. A ministra Hannah Yeoh afirmou que seria necessário competir com outros países no Sudeste Asiático por um lugar no calendário: Singapura recebe um Grande Prémio desde 2008, pagando pelo menos 35 milhões de dólares (30 milhões de euros) por ano, enquanto a Tailândia quer uma corrida nas ruas de Banguecoque a partir de 2028 e aprovou um investimento de 1,2 mil milhões de dólares para o conseguir — já depois de um encontro público da primeira-ministra com o diretor executivo da F1, Stefano Domenicali.
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A governante da Malásia apontou, no entanto, que o governo está interessado na F1 "se parceiros empresariais estiverem interessados em cobrir os custos das taxas", ecoando o que o diretor do circuito de Sepang já tinha referido numa entrevista da semana passada ao New Straits Times: "muitas outras partes interessadas, tanto do governo como do setor corporativo, também querem a F1 de volta".
O responsável do circuito, que ficaria encarregue pela organização do Grande Prémio, referiu ainda que o foco é manter a corrida de MotoGP na Malásia, e que um regresso da F1 obrigaria à integração de vários setores: "Temos de ver como Singapura está a fazer. Eles têm toda a gente a bordo a tornar a corrida um sucesso, dos ministérios ao setor corporativo aos hotéis".
A Fórmula 1 teve o Grande Prémio da Malásia no calendário entre 1999 e 2017. A corrida, que foi a primeira na Ásia além do Japão e inaugurou a expansão da F1 para leste da Europa, deveria ter acontecido até 2018, mas os organizadores desistiram do último ano do contrato depois de anos sucessivos de vendas de bilhetes insuficientes para cobrir os custos. Nesses anos, a F1 assistia a uma queda sustentada das audiências televisivas e tinha uma presença reduzida nas redes sociais.
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Ironicamente, os organizadores malaios desistiram da corrida no primeiro ano depois da Liberty Media comprar os direitos comerciais da F1. Desde então, através de uma forte atenção à comunicação digital, projetos como a série da Netflix "Drive to Survive" e uma melhoria significativa do produto que é a transmissão televisiva, o campeonato de Fórmula 1 tornou-se atrativo para novas gerações de adeptos, aumentando a concorrência pelos lugares no calendário dos Grandes Prémios e, assim, o valor cobrado pela F1 por cada lugar.
Em 2024, a Malásia registou um Produto Interno Bruto (PIB) de 421 mil milhões de dólares, segundo os dados do Banco Mundial. No mesmo ano, o PIB português foi de 308,6 mil milhões de dólares — 285 mil milhões de euros, segundo o INE.
- Bola Branca 18h16
- 12 jun, 2026











