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Fórmula 1

Sem Williams e às escondidas, F1 começa testes de pré-temporada em Barcelona

26 jan, 2026 - 10:05 • João Pedro Quesado

Desafio das novas regras faz Williams ficar de fora, e coloca a Aston Martin em risco de também faltar. O teste é a primeira oportunidade dos novos carros rodarem sem limite de quilometragem, e o primeiro contacto com os novos pneus da Pirelli.

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A Fórmula 1 começa esta segunda-feira os primeiros testes de pré-temporada de 2026, ano de mudança das regras de motores e aerodinâmica. Os cinco dias de testes vão decorrer à porta fechada no circuito de Barcelona, e têm uma baixa confirmada entre as equipas: a Williams.

É a primeira vez que a F1 faz um teste à porta fechada. A comunicação oficial da Fórmula 1 não lhe chama um teste, mas “shakedown” — um nome tipicamente dado aos testes iniciais dos carros —, porque o Bahrain paga pelo privilégio de albergar os testes oficiais de pré-temporada.

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Teste secreto para proteger as equipas

Adeptos e jornalistas ficam de fora por uma razão simples: as equipas não querem as prováveis debilidades dos novos carros expostas aos olhos do mundo. A introdução de novos motores e novos combustíveis aumenta em muito o risco de problemas mecânicos — naturais no desenvolvimento de novos protótipos.

Dado que nem durante os testes públicos os planos das equipas são conhecidos — colocando toda a gente a tentar adivinhar intenções com base no número de voltas sem parar e outros detalhes —, os adeptos casuais não vão perder muito com este encerramento. A F1 vai produzir resumos diários e entrevistas com pilotos e diretores de equipa, mas não se sabe o quanto esses conteúdos serão curados face à realidade nua e crua.

Informações sobre voltas feitas, os tempos conseguidos e tudo o mais não deverão ser distribuídas — talvez algumas equipas o façam, especialmente se estiverem confiantes. No vazio de informação, os rumores vão ser especialmente fortes.

O teste dura toda a semana. Dos cinco dias, as equipas podem utilizar apenas três. Cada uma terá a sua estratégia: enquanto a Audi e Mercedes querem ter o carro em pista logo às 9h do primeiro dia, a Ferrari só começa o seu programa no segundo dia, e a McLaren pode começar apenas no terceiro.

Williams atrasada na construção do carro

A Williams anunciou na sexta-feira a ausência do teste. A equipa detalhou ter sofrido “atrasos no programa do FW48 [o novo carro] enquanto procuramos a máxima performance”. O carro — o que já existir dele — vai ser testado numa plataforma dinâmica na fábrica em Grove.

Não foi dada nenhuma indicação em relação ao motivo real para o atraso. Várias publicações especializadas apontam para um chumbo no primeiro teste de embate do chassis do FW48. Esse chumbo obrigaria a um redesenho e novo fabrico do componente de segurança mais crítico de todo o carro, adicionando potencialmente semanas de trabalho extra.

Reprovar num teste de embate na F1 não é inédito — faz parte das equipas tentarem responder às exigências de absorção de energia (que aumentaram novamente) com a menor quantidade de material possível, para reduzir o peso. A Ferrari terá passado pelo mesmo no final de dezembro, fazendo surgir rumores, no início de janeiro, que o novo carro estaria atrasado.

Faltar a todo o teste é indicação que algum prazo no projeto do FW48 não foi cumprido, e não por pouco. A equipa podia aparecer nos últimos três dias, apenas nos últimos dois ou até só no último — um dia em pista seria melhor que nenhum, permitindo verificar que todos os componentes essenciais funcionam como projetado. É um revés considerável, que pode prejudicar a Williams durante meses.

Aston Martin com problemas

Também a Aston Martin corre risco de faltar. Segundo a publicação italiana Autoracer, a equipa agora liderada por Adrian Newey corre o risco de faltar ao teste coletivo em Barcelona devido a dificuldades na montagem do novo carro, o AMR26.

Na imprensa inglesa, o rumor noticiado é de que a equipa pode falhar “pelo menos” o primeiro dia. A Autoracer indica que a Aston Martin pode começar o teste apenas na quarta ou na quinta-feira. A equipa continua sem comunicar oficialmente as intenções.

A Aston Martin terá falhado o teste de embate do chassis mais que uma vez. O rumor é que carregará um excesso de peso de dois dígitos no início da temporada, a par da Racing Bulls. A diferença para quem estiver no limite mínimo de 768 quilos, ou perto dele, pode estar nas algumas décimas de segundo por volta.

Ferrari à espera de novo engenheiro de Hamilton

Há dez dias, a Ferrari confirmou que Riccardo Adami deixou o cargo de engenheiro de corrida de Lewis Hamilton, correspondente ao papel de líder da equipa de engenharia do lado da garagem do britânico.

Ao longo de 2025, a relação nunca pareceu solidificar-se, com uma comunicação abaixo do necessário entre os dois em pista. Como as coisas decorriam nos bastidores, apenas os dois — e a Ferrari — sabem, mas a mudança é sinal que não seria de forma encorajadora.

Durante os testes — pelo menos este primeiro —, Hamilton terá o mesmo engenheiro que Charles Leclerc: Bryan Bozzi. Este terá o apoio de Carlo Santi, responsável pela garagem remota da Scuderia, que presta ajuda às operações em pista a partir de Maranello.

É uma medida temporária, enquanto a Ferrari espera pelo substituto de Adami. Ele é, segundo a imprensa italiana, Cédric Michel-Grosjean, até dezembro engenheiro-chefe de performance em pista na McLaren, na garagem de Oscar Piastri. Na rede social Linked In, o engenheiro colocou-se como "em relocalização" em janeiro.

O que se passa num teste?

Os testes de pré-temporada são a oportunidade de as equipas testarem os novos carros. Seja num ano de total mudança dos regulamentos, seja num ano em que nada muda, há sempre algo para testar.

Várias equipas já rodaram com o novo carro. Isso permitiu verificar que tudo está a funcionar devidamente: motor, bateria, turbo, recuperador de energia da travagem, caixa de velocidades, transmissão, travões, hidráulica, eletrónica, e o arrefecimento de tudo isto.

Agora é altura de colocar mais quilómetros em todas as peças, para descobrir o que parte e como parte. Obviamente, as equipas preferem descobrir o que parte antes de partir — o que explica as longas estadias na garagem, em que os mecânicos inspecionam o carro à procura de sinais de algum problema. Ter um problema em pista não é incomum, mas é de evitar: pode causar danos a outras peças que não a culpada, ou mesmo um acidente, obrigando a equipa a gastar horas preciosas a reparar o carro.

Com uma mudança tão grande nos regulamentos, os três dias que as equipas podem utilizar em Barcelona vão ser maioritariamente focados na fiabilidade. Como a pista é bem conhecida e representativa, nas suas várias partes, de muitas outras que surgem no calendário da F1, os dados ali recolhidos vão dar às equipas uma boa base de trabalho para o desenvolvimento ao longo do ano. Vai ser ainda o primeiro contacto dos novos carros com os pneus oficiais de Pirelli para 2026.

Outra preocupação das equipas será verificar a correlação dos dados recolhidos em pista com as previsões geradas pelas simulações na fábrica. Isto aplica-se maioritariamente à aerodinâmica: níveis de carga produzida conforme vários ângulos de asas e alturas ao solo, o efeito dessas variações no equilíbrio do carro, e o comportamento com os efeitos das mudanças de direção e travagens.

As equipas vão, também, estar de olho umas nas outras. Em 2014, da última vez que os motores mudaram, havia engenheiros armados com gravadores de som no final das boxes, para captar o som de cada motor e depois, em análise, perceber o que cada equipa estava a fazer. Haverá, à boa velha moda antiga, observadores em vários pontos da pista, filmando e anotando as diferenças entre os carros em curvas de diferentes características.

Fosse a vontade das equipas lei, e testava-se infinitamente. Era praticamente o que acontecia na primeira década deste milénio: as equipas testavam quando queriam e onde queriam, beneficiando quem tinha mais recursos. As maiores equipas tinham uma ‘equipa-B’ para realizar esses testes — a Ferrari chegou ao ponto de o fazer ao mesmo tempo que decorria um Grande Prémio.

Os limites atuais impõem testes coletivos na pré-temporada, e permitem que cada equipa faça dois dias de 200 km, e ainda pequenas ‘demonstrações’ de 15 km.

O segundo e terceiro testes de pré-temporada serão no Bahrein. O teste entre 11 e 13 de fevereiro terá transmissão em direto de apenas uma hora no final de cada dia. O último teste, entre 18 e 20 de fevereiro, será transmitido na íntegra pela F1TV.

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