Fórmula 1
Mercedes à beira da catástrofe? F1 pode mudar regras devido a truque nos motores da equipa
12 fev, 2026 - 21:09 • João Pedro Quesado
A união da Audi, Ferrari, Honda e Red Bull pode estar prestes a trocar as voltas aos planos da Mercedes, há muito considerada a favorita para 2026. Uma reunião da Comissão da F1 pode forçar uma mudança das regras, mas ainda nada é certo.
A primeira novela da F1 em 2026 começou ainda em dezembro de 2025, mas pode acabar já em fevereiro. Uma reunião na próxima semana pode mudar uma parte das novas regras dos motores da Fórmula 1, e eliminar a zona cinzenta que permitiu à Mercedes interpretar os regulamentos de forma diferente.
Em causa está a taxa de compressão dos motores, limitada pelas regras a um rácio de 16:1. Mas a Mercedes aproveitou o facto de a medição ser feita à temperatura ambiente, com o carro parado nas boxes, para utilizar a expansão térmica dos materiais para seu ganho, aumentando essa taxa de compressão em andamento.
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A taxa de compressão é o rácio entre o volume dentro do cilindro nas duas posições extremas do pistão, a superior e a inferior. Quanto maior a taxa de compressão, melhor — significa que está a ser extraída mais energia mecânica a partir da mistura de ar e combustível, obtendo uma maior eficiência térmica. O tema está explicado em maior detalhe nesta notícia de dezembro: "F1 já tem a primeira novela de 2026: duas equipas podem ter truque nos motores e vantagem em pista".
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Uma mudança na regra que permite este truque parecia improvável, dada a complexidade do assunto e o pouco tempo até ao início da temporada. Mas a probabilidade dessa mudança aumentou há uma semana, quando a publicação especializada "The Race" noticiou um plano de Audi, Ferrari e Honda para alterar as regras antes do GP da Austrália — e com o apoio da Red Bull, que inicialmente se pensava também ter aplicado o mesmo truque que a Mercedes.
No início desta semana, o diretor para os monolugares da Federação Internacional do Automóvel (FIA) — responsável pela regulação da F1 — afirmou, num vídeo divulgado pela FIA, que esta queria resolver a disputa sobre a taxa de compressão dos motores antes de a temporada começar. "Não queremos ter controvérsias, queremos as pessoas a competir em pista, não no tribunal ou na sala dos comissários", afirmou Nikolas Tombazis.
Essa afirmação mudou a impressão de que a FIA estava alinhada com a interpretação que a Mercedes fez das regras — que a medição da taxa de compressão se faz a temperatura ambiente. Faria sentido falar em resolver a questão se a intenção fosse deixar tudo igual?
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A sensação foi reforçada quando, na quarta-feira, Toto Wolff (o diretor da equipa Mercedes) disse estar "um bocado mais confuso nas últimas semanas sobre como chegou ao ponto de ser um tópico, porque até há última sexta-feira, foi-me dada a impressão que as coisas não iam mudar".
Sabe-se agora que está agendada, para a próxima semana, uma reunião da Comissão da F1 — um órgão que junta equipas, fabricantes, a detentora dos direitos comerciais da F1 e a FIA para discutir e propor alterações aos regulamentos da Fórmula 1. Com quatro fabricantes de motor alinhadas no tema, cria-se parte da maioria qualificada de votos necessária para fazer uma mudança imediata nas regras.
Essa maioria qualificada precisa ainda do apoio da FIA e da FOM — a detentora dos direitos comerciais — para se concretizar. A FIA e a FOM raramente não estão alinhadas sobre questões regulamentares, pelo que uma inclinação da FIA para mudar a medição da taxa de compressão poderá levar a FOM a seguir esse caminho.
Caso essa mudança se concretize, haverá sem dúvidas impacto nos motores da Mercedes, utilizados pela equipa homónima e por McLaren, Williams e Alpine. Não se sabe o impacto na performance, mas sabe-se que a data de homologação de motores é a 1 de março, não deixando margem para mudar a arquitetura.
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"Desenvolves um motor ao longo de muito tempo, tens prazos para entrega de peças, e se te disserem que não podes operar o motor da forma que o desenvolveste, isso pode ser bastante danoso para a performance", afirmou Toto Wolff.
Wolff tem feito os possíveis para desvalorizar a possível vantagem do truque, referindo uma diferença de apenas dois ou três cavalos no motor de combustão interna. Mas as restantes equipas não acreditam nesse dado.
A Mercedes poderá ter uma hipótese de recuperação com o sistema de Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Melhoria (ADUO, na sigla em inglês), que permite às equipas com grande desvantagem (medida a cada seis corridas) mais tempo de testes e menos limites orçamentais para recuperar performance. Isto se a FIA não criar uma solução de compromisso para permitir à Mercedes ajustar-se à mudança das regras.
Para já, tudo é hipotético: desde a mudança nas regras à vantagem (ou desvantagem) dos motores Mercedes.
- Bola Branca 18h16
- 13 mar, 2026












