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Fórmula 1

F1 esconde centenas de críticas às novas regras. Pilotos dividem-se sobre impacto nas lutas em pista

08 mar, 2026 - 23:11 • João Pedro Quesado

“É uma forma diferente de correr”, segundo Charles Leclerc. Mas muitos adeptos já condenam as novas regras e falam de uma F1 artificial, mesmo quando o campeonato divulga números maiores de ultrapassagens para promover as mudanças.

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A F1 escondeu centenas de comentários negativos nas redes sociais sobre o impacto nas corridas das novas regras de motores, estreadas este domingo no GP da Austrália — que George Russell venceu.

A Renascença contou pelo menos 485 críticas escondidas pela F1 entre as respostas a uma publicação realizada na manhã deste domingo, cerca de hora e meia após o fim da corrida, em que afirma ter havido 120 ultrapassagens no GP da Austrália deste ano, contra 45 na corrida do ano anterior.

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Os comentários escondidos podem ser vistos na rede social X (antigo Twitter), onde a afirmação da F1 recolheu cerca de três mil comentários. Entre os comentários que continuam visíveis estão também muitas críticas.

A publicação tem níveis semelhantes de interação noutras redes sociais, como no Instagram, onde também são visíveis críticas à nova F1. “Parecia uma troca de posição em vez de uma ultrapassagem”, disse uma utilizadora. Outro apontou que “dificilmente houve alguma corrida real”, entre muitos comentários a declarar que “mais quantidade não significa ser melhor”.

Enquanto vários comentários escondidos na rede social X incluem linguagem mais agressiva e até com insultos, muitos são meras críticas ao estilo das redes sociais, com o uso de “memes”. E muitos comentários com linguagem agressiva não foram escondidos pela F1.

As primeiras dez voltas da corrida ficaram marcadas por um jogo do gato e do rato entre George Russell e Charles Leclerc. Os dois pilotos trocaram de posição quase todas as voltas, e frequentemente mais que uma vez por volta, com a luta influenciada pela carga da bateria e, consequentemente, a potência elétrica disponível (ou não).

O cenário repetiu-se em quase todas as lutas por posição, com os pilotos a aprender à vista de todos o impacto da utilização do modo boost e de ultrapassagem na energia disponível. O gasto era tal que, após concluída a ultrapassagem, os pilotos ficavam frequentemente sem energia para defenderem o lugar acabado de conquistar — sem o motor elétrico, a potência dos carros fica reduzida a quase metade.

Este estilo de corrida já tem alcunha: ioiô. Com corrida já no próximo fim de semana, na China — numa pista onde há uma reta de 1,2 km de comprimento —, este estilo pode regressar, ou as equipas podem já ter aprendido o suficiente para se defenderem melhor em pista.

São lutas “artificiais”? Pilotos estão divididos

“Vai definitivamente mudar a forma como corremos e ultrapassamos”, afirmou Charles Leclerc, explicando as alterações em pista. “Antes era mais sobre quem era o mais corajoso a travar mais tarde, talvez agora há um pensamento estratégico por detrás de cada movimento que fazes, porque toda a ativação do botão de boost faz-te pagar à grande depois”.

“Por isso tenta-se sempre pensar vários passos à frente, para tentar ficar em primeiro. É uma forma diferente de correr”, concluiu Leclerc, no comentário mais neutro sobre as mudanças na Fórmula 1.

Lewis Hamilton, colega de Leclerc na Ferrari, achou a corrida “divertida”. “Achei que o carro era mesmo, mesmo divertido de conduzir”, apontou, revelando provavelmente o factor mais importante para esta opinião: “Vi os carros à frente e houve boas batalhas em vai e volta. Achei que foi fantástico”.

George Russell, vencedor da corrida, pede calma. “É preciso dar uma oportunidade. Somos 22 pilotos, quando tivemos os melhores carros e a menor degradação de pneus e quando todos estivemos mais felizes, toda a gente se queixa que as corridas são uma porcaria”, sublinhou, referindo-se às regras entre 2022 e 2025.

Com exceção dos pilotos da Audi — marca que se juntou à F1 graças às novas regras —, as críticas aumentam à medida que se vai descendo na classificação do GP da Austrália.

Lando Norris descreveu que “se pode ter uma diferença de 30, 40, 50 km/h e quando alguém bate em alguém a essa velocidade vai-se voar, vai-se passar por cima da vedação e vai-se provocar muitos danos a ti próprio e talvez a outros”.

“Não há nada que se possa fazer agora. É uma pena, é muito artificial. Dependendo do que o motor decide fazer e faz aleatoriamente às vezes, és simplesmente ultrapassado por cinco carros e não podes fazer nada sobre isso”.

Oliver Bearman, da Haas, considera tudo “um bocado ridículo”, nomeadamente “ter tanta diferença num botão e perder isso na próxima reta”, além de o fenómeno “ser não-linear, o que se ganha em reta quando se usa o boost é um quarto do que perdes na próxima reta”. Conclusão: “não são corridas, é Fórmula E”.

Sergio Pérez, que regressou à F1 com a Cadillac, alinha no mesmo diapasão: “É uma Fórmula 1 muito diferente daquela a que estava habituado, é muito menos divertida, definitivamente.”

“Às vezes levantas ligeiramente o pé e aquilo [o motor] muda mais do que seria de esperar. Às vezes estava a chegar à curva três 30 km/h mais rápido por causa de levantar o pé de forma diferente ou de acelerar de forma diferente, algumas coisas, honestamente, não percebo”.

Carlos Sainz, piloto da Williams e representante da associação de pilotos (a GPDA), há um problema de segurança com estas regras. “A maior preocupação para mim era a primeira volta. Senti que era bastante duvidoso com o modo de linha reta ligado. Pareceu muito perigoso, e muito difícil de controlar o carro atrás de outro”.

O problema não é o modo de linha reta, que precisamos, se não — vocês viram que estávamos a levantar o pé como malucos ontem na qualificação”, apontou Sainz, virando-se para as exigências de energia dos novos carros. “Não devíamos precisar de aerodinâmica ativa para corridas. Acho que isso e o modo de linha reta são um penso rápido por cima do problema do motor”.

“É um penso rápido como solução para uma fórmula de motores que não parece funcionar muito bem agora”, concluiu Sainz.

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