Fórmula 1
F1 cancela e não substitui GPs do Bahrain e Arábia Saudita devido à guerra no Irão
14 mar, 2026 - 22:20 • João Pedro Quesado
A F1 vai perder mais de 100 milhões de euros — fazer corridas em Portimão e Imola não ia compensar financeiramente. Base dos EUA perto do circuito do Bahrain foi atacada logo no primeiro dia de guerra.
A F1 cancelou este sábado os Grandes Prémios do Bahrain e da Arábia Saudita, marcados para abril, devido à instabilidade provocada pela guerra entre Estados Unidos da América, Israel e Irão. A época de 2026 fica com menos duas corridas, e uma pausa de cinco semanas entre o fim de março e o início de maio.
O Grande Prémio do Bahrain estava marcado para 12 de abril, enquanto o Grande Prémio da Arábia Saudita, em Jeddah, seria a 19 de abril. O Circuito Internacional do Bahrain fica a cerca de 30 km da Base de Apoio Naval do Bahrain, o quartel-general da Quinta Frota dos EUA, atacado pelo Irão logo no primeiro dia de guerra.
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A decisão já era esperada, e foi tomada antes de as equipas enviarem mais mercadoria para o Bahrain. Stefano Domenicali, presidente da Fórmula 1, considera que "enquanto esta é uma decisão difícil de tomar, é infelizmente a correta nesta fase, considerando a atual situação no Médio Oriente".
Os equipamentos menos críticos das equipas, como peças da garagem, são transportados por via marítima — um método mais barato, mas que exige mais tempo de planeamento e trânsito. As equipas deixaram algum desse equipamento no Bahrain após os testes de pré-temporada, no final de fevereiro, em antecipação da corrida de abril, e não conseguem aceder a esse material neste momento.
O Bahrain fica no Golfo Pérsico, do lado oposto ao Irão — tal como o Qatar e os Emirados Árabes Unidos, onde a F1 vai para as últimas duas corridas da temporada. Jeddah, na Arábia Saudita, está na costa do Mar Vermelho, do outro lado da Península Arábica.
Após o início do conflito, a Pirelli cancelou um teste de dois dias com carros modificados da McLaren e da Mercedes no Bahrain, marcado para os dias seguintes. Os trabalhadores das equipas e fornecedora de pneus foram obrigados a abrigar-se nos hotéis.
A decisão da F1 cancela também as rondas da Fórmula 2 no Bahrain e Arábia Saudita, da Fórmula 3 no Bahrain (a primeira da temporada), e a ronda da F1 Academy na Arábia Saudita. Os três campeonatos, associados à Fórmula 1, organizam as suas corridas nos mesmos fins de semana que a F1.
F1 perde mais de 100 milhões de euros
As organizações dos GPs do Bahrain e da Arábia Saudita são das que mais pagam para receber a F1 anualmente. O cancelamento significa que a F1 perde pelo menos 110 milhões de euros em receitas.
Isso significa menos dinheiro a distribuir pelas 11 equipas. Mas, como o calendário fica com 22 corridas, a F1 está longe do risco de 2020, quando teve de refazer completamente o calendário para não ter menos de 15 corridas — um número entendido como limiar abaixo do qual todos os canais de televisão que pagam para transmitir a F1 teriam direito à devolução de parte da verba, originando perdas monumentais para a Fórmula 1.
Qualquer corrida para substituir o Bahrain e a Arábia Saudita ainda em abril seria, além disso, conseguida sob urgência e pressão, limitando o poder negocial da F1 perante Portimão, Imola e Istambul — o que reduziria os pagamentos destas corridas, tal como aconteceu na pandemia da covid-19. A F1 confirma ter ponderado "várias alternativas".
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Adiar também não era opção, apesar de o anúncio da F1 declarar, com cuidado, que as corridas "não vão ter lugar em abril". A falta de espaço no calendário na reta final da temporada não dá margem de manobra: há apenas quatro fim de semanas sem Grande Prémio entre o início de setembro e a última corrida do ano, no início de dezembro.
A F1 preferiu, assim, ficar apenas com o custo de perder as duas corridas agendadas, sem somar os custos de reorganizar a logística do campeonato por duas corridas em locais de última hora em troca de (relativamente) pouco dinheiro.
Porquê só agora?
Com menos exigências e um calendário mais espaçado, o Mundial de Resistência decidiu pouco dias depois do início do conflito adiar a corrida no Qatar, a primeira da temporada, para outubro.
A F1 espera sempre até ao último momento possível até cancelar um Grande Prémio. A razão é, claro, financeira: se for a F1 a cancelar, a organização da corrida pode ter direito a compensação.
A detentora dos direitos comerciais da F1 (a Liberty Media, através da Formula One Management) espera sempre que seja a organização do GP a declarar o cancelamento. Deste modo, nem há corrida nem há transação monetária, deixando as duas partes incólumes no processo.
Esta não é a primeira vez que a F1 ‘cancela’ um GP no Bahrain. Em 2011, o país estava mergulhado numa revolta civil, parte do movimento da Primavera Árabe, e a F1 tinha planeado começar lá a temporada.
Três semanas antes da data, no final de fevereiro, o príncipe da coroa do Bahrain adiou a corrida. A Federação Internacional do Automóvel ainda aprovou o reagendamento para o fim de outubro, mas várias equipas mostraram-se contra a decisão. O Bahrain acabou por desistir de um GP em 2011 já em junho, mas a corrida voltou em 2012 — apesar de continuar a haver sinais de repressão violenta no país.
- Bola Branca 18h15
- 19 mai, 2026








