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Fórmula 1

F1 reduz energia disponível no Japão para evitar problemas na qualificação

26 mar, 2026 - 15:20 • João Pedro Quesado

Circuito de Suzuka terá uma corrida mais parecida com a da Austrália. Lando Norris já perdeu uma bateria esta temporada.

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A F1 decidiu, esta quinta-feira, reduzir a energia elétrica disponível aos pilotos em cada volta da qualificação para reduzir a necessidade de poupança de energia durante as voltas rápidas no Grande Prémio do Japão.

As equipas e fabricantes de motores chegaram a acordo com a Federação Internacional do Automóvel (FIA) para reduzir de 9 para 8 megajoules a energia disponível por volta na qualificação — ou seja, a energia elétrica que os pilotos podem recuperar ao longo de uma volta.

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A mudança deve-se às características da pista de Suzuka, mais parecida com a de Melbourne, onde decorreu a primeira corrida da temporada: curvas rápidas e poucas travagens fortes para recarregar a bateria nesses momentos.

Para conseguir recuperar toda a energia disponível, as equipas têm de recorrer mais ao “super-clipping” — em que não só o motor elétrico deixa de contribuir para acelerar o carro, como transforma o motor de combustão num gerador, carregando as baterias. Essa tática leva a que os carros percam velocidade enquanto estão em plena aceleração, um fenómeno que é audível e notoriamente estranho.

A redução de energia disponível traduz-se numa menor necessidade de recuperar essa energia e, assim, menor utilização da tática mais extrema de recuperação de energia. Também significa que os carros serão tendencialmente mais lentos, ficando mais longe do limite da aderência — um problema que a F1 pretende menorizar na pausa até ao GP de Miami, forçada pelo cancelamento das corridas no Bahrain e Arábia Saudita.

Como será a corrida em Suzuka?

O circuito de Suzuka tem fases bastante diferentes durante a volta. O primeiro setor é marcado pelos ‘esses’ — cinco curvas e contracurvas em rápida sucessão —, onde ultrapassar é difícil. Os dois setores seguintes também têm curvas rápidas, mas contam com retas (mesmo que obriguem a virar um pouco o volante) onde a energia elétrica vai ser consumida rapidamente.

O GP de 2025 foi decidido na qualificação: Max Verstappen partiu da pole e foi sempre seguido de muito perto pelos dois McLaren, que não encontraram espaço para ultrapassar.

Isso não quer dizer que a corrida de 2026 possa ser controlada pela Ferrari, mesmo com a expectativa de os carros italianos voltarem a saltar para a liderança no arranque. As diferenças de gestão e eficiência na utilização da energia elétrica vão ditar formas diferentes de recuperação, e provavelmente levarão a ultrapassagens nas várias retas.

Lando Norris já perdeu uma bateria em 2026

Os problemas da McLaren na China, onde Lando Norris e Oscar Piastri desistiram ainda antes da partida, terão feito mais danos além dos pontos potencialmente perdidos.

De acordo com o “The Race”, a bateria de Lando Norris ficou irrecuperável, conclusão alcançada após a análise da divisão de motores da Mercedes. O campeão do mundo de 2025 perde assim uma das três baterias a que tem direito durante a temporada.

Já a bateria do carro de Oscar Piastri terá sido reparada com o acordo da FIA. A situação será confirmada na sexta-feira, quando a federação publicar a lista de componentes dos motores já utilizados pelos pilotos.

Honda muda peças para melhorar fiabilidade

O circuito de Suzuka pertence à Honda, mas a ida a ‘casa’ não será fácil para a marca japonesa e a Aston Martin, equipa que agora utiliza os motores Honda.

A marca leva mais alterações às baterias para melhorar a fiabilidade e procurar terminar uma corrida pela primeira vez em 2026 — as vibrações provocadas pelo motor têm causado provocado danos em várias peças. A equipa tem limitado ainda as rotações por minuto do motor em pista, o que reduz a performance em troca de uma maior longevidade.

As vibrações, contudo, têm tido efeitos também nos pilotos. No GP da China, Fernando Alonso foi visto a tirar repetidamente as mãos do volante, sofrendo com as vibrações que sentia. A meio da corrida, já com uma volta de atraso para os líderes, a equipa retirou o carro da corrida para poupar Alonso.

Enquanto a Honda espera que as mudanças no Japão poupem as baterias, não é claro que os pilotos sintam a diferença. Isso talvez só aconteça em Miami, depois de mais de um mês de pausa.

O Grande Prémio do Japão começa esta sexta-feira, com treinos livres às 2h30 e 6h de Portugal continental. O horário é o mesmo no sábado: terceira sessão de treinos às 2h30 e qualificação às 6h. No domingo, a corrida também começa às 6h.

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