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Fórmula 1

Verstappen previu em 2023 os problemas da F1 de 2026: “Não é bom para o desporto”

09 abr, 2026 - 09:55 • João Pedro Quesado

Max trocou “o simulador pela Nintendo Switch”, e terá comprado a consola há três anos, quando alertou para algo “muito mau” em 2026 enquanto vencia corridas de forma imparável. No dia em que a F1 começa a debater mudanças às regras desenhadas para 2026, Bola Branca recorda as palavras do piloto da Red Bull.

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Max Verstappen tem criticado repetidamente as regras de 2026 da Fórmula 1, ao ponto de começar a pensar em voz alta sobre se faz sentido continuar no Mundial. O desgosto, porém, não é novo, e o aviso feito pelo tetracampeão da Red Bull em 2023 ressurgiu nos dias após o GP do Japão.

Foi durante o GP da Áustria desse ano — de quase total domínio da Red Bull e Verstappen — que as primeiras impressões dos carros de 2026 se tornaram públicas. Após vencer confortavelmente, Max foi questionado, na conferência de imprensa, se concordava com a opinião do diretor de equipa da Red Bull, Christian Horner, sobre os carros de 2026 serem “um Frankenstein técnico”.

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“Tenho falado disso com a equipa e já vi os dados do simulador também. A mim, parece-me bastante terrível. Se fores a fundo na reta em Monza, quatrocentos ou quinhentos metros antes do fim da reta tens de passar para a mudança abaixo enquanto estás a fundo porque isso é mais rápido”, previu. “Acho que isso não é o caminho a seguir”.

“Para mim, o problema é que parece que vai ser uma competição de motor de combustão interna. Quem quer que tenha o motor mais forte vai ter um grande benefício. Mas não acho que essa deva ser a intenção da Fórmula 1, porque depois começas uma guerra de desenvolvimento massiva outra vez e provavelmente vai tornar-se bastante caro para encontrar alguns cavalos de potência aqui e acolá. Acho que devia ser o oposto”.

“Mais, os carros provavelmente vão ter muito menos arrasto, portanto vai ser ainda mais difícil ultrapassar na reta. E depois tens a aerodinâmica ativa, que não consegues controlar. Bem, o sistema vai controlar por ti”, explicou, apontando o que se viria a tornar um grande problema. “O que torna muito estranho conduzir, porque prefiro controlar eu”.

“Quando estás atrás de alguém, talvez precises de mais frente ou mais traseira. Este tipo de coisas. Se o sistema começa a controlar isso por ti, não acho que seja o caminho a seguir. Além disso, o peso vai subir outra vez” — algo que mudou mais tarde, com uma redução de 30 quilos.

“Temos de olhar seriamente para isto porque 2026 não está assim tão longe. E neste momento, a mim, parece-me muito mau de todos os números e do que vejo dos dados, portanto não é algo que me entusiasme muito de momento”.

Não foi só a questão do peso que mudou desde a primeira queixa. São os pilotos a controlar a aerodinâmica ativa, que reduz o ângulo de ataque das asas — e, assim, a resistência ao ar — em zonas dos circuitos definidas pela Federação Internacional do Automóvel (FIA).

“Parece errado”

Na corrida seguinte de 2023, o GP da Grã-Bretanha, Max Verstappen foi questionado pelos jornalistas sobre o que tinha dito dias antes. E explicou melhor as questões em torno do motor.

“Não é correto, acho eu, que tenhas de conduzir um carro assim. A forma como ao travar o motor continua quase a fundo, acho que vai criar uma atmosfera muito estranha. É um bocado como os difusores soprados, mas quase a fundo” — o som dos difusores soprados tornou-se distintivo devido à injeção de gases de escape na traseira do carro enquanto este não acelerava, para melhorar a aerodinâmica.

"Com a aerodinâmica ativa, que está a regular-se sozinha, parece-me um bocado estranho. Acho que é mesmo complicar demasiado muitas coisas. E, do lado do motor, (...) precisamos mesmo de olhar bem para isso”, pediu Max. “Mas também sei que as pessoas acham que vão ter uma vantagem, portanto vão dizer que os regulamentos estão bons”.

“Do meu lado, simplesmente a ver como piloto, parece errado. Mas também tens sempre esta política na Fórmula 1 em que uma equipa pensa ‘podemos tirar uma vantagem disto’. Elas vão dizer que é bom, mas no fim de contas temos de olhar mesmo para o que é bom para o desporto e acho que, neste momento, como as coisas estão, não é bom para o desporto”.

Quase três anos depois, as previsões de Max Verstappen têm-se provado corretas. A qualificação, até 2025 uma hora de espetáculo em que os carros eram levados ao limite da aderência, tornou-se numa sessão em que os pilotos suprimem os instintos e não procuram a última décima de segundo com medo de “confundir” o motor e perder bem mais que essa décima na reta seguinte.

Quanto às corridas, é bem possível argumentar que, sem as características dos Ferrari e McLaren, os três Grandes Prémios realizados até agora teriam tido muito menos interesse. Os melhores arranques destas duas equipas colocam carros mais lentos frente aos Mercedes, cuja performance atrás de outros carros indica estarem otimizados para circular em ar limpo, obrigando os 'flechas de prata' a forçar ultrapassagens ou a procurar vantagem na estratégia de pneus.

Não admira, portanto, que Verstappen tenha continuado as queixas. Desde a alcunha “Fórmula E em esteroides” na pré-temporada a pensar no sentido da vida após o GP do Japão, o tetracampeão tem defendido a sua ideia de F1.

A primeira impressão em 2026

“Não é muito divertido, para ser honesto. Diria que a palavra certa é gestão. Como piloto, a sensação não é muito Fórmula 1. Parece mais uma Fórmula E em esteroides. Muito do que fazer como piloto, em termos de inputs, tem um efeito massivo no lado da energia”, disse Verstappen nos testes de pré-temporada. “Para mim, isso não é Fórmula 1. Talvez seja melhor pilotar na Fórmula E, não? Porque isso é tudo sobre eficiência energética e gestão. É isso que representam. Em termos de condução, não é tão divertido”.

“O carro tem um bom aspeto. Honestamente, as proporções do carro parecem bem, acho eu. Esse não é o problema. É só que tudo o resto é um pouco, para mim, anti-corridas".

Corridas artificiais

“Continua a ser terrível”, afirmou Max após o GP da China, confrontado com uma corrida menos estranha para quem via na televisão. “Não sei, se alguém gosta disto, então não percebem bem o que são corridas. Não é divertido de todo. É jogar Mario Kart. Isto não é competir. Olhem para as corridas. Estás a passar com ‘boost’, depois ficas sem bateria na reta seguinte. Depois passas com ‘boost’ outra vez. Para mim, é uma piada”.

A falta de competição

“É só o Kimi [Antonelli] ou o George [Russell] que estão a vencer, certo? Não é bem vai e volta. Eles estão milhas à frente do resto. É só que a Ferrari às vezes tem estes bons arranques e se põem na frente, e depois demora umas voltas a resolver isso. Como disse, isto não tem nada que ver com competir”.

Treinar a jogar Mario Kart

“Encontrei uma solução mais barata... Troquei o simulador pela minha Nintendo Switch. Estou a treinar com o Mario Kart, na verdade. Encontrar os cogumelos está a correr bem, as conchas azuis são mais difíceis. Estou a trabalhar nisso. O foguetão ainda não está lá”.

A chegar ao limite

“Adoro corridas, mas só aguentamos até certo ponto, certo? Acho que estão dispostos a ouvir, a FIA e a F1, só espero que se faça alguma coisa. Quer dizer, não sou o único a dizer isto, acho que muitos dizem, sejam pilotos, adeptos, todos queremos o melhor para o desporto. Não criticamos só por criticar, criticamos por uma razão, queremos que seja F1, F1 a sério, em esteroides. Hoje, claro, não foi o caso”, acusou Verstappen após a primeira corrida da temporada.

"Diria o mesmo se estivesse a ganhar corridas, porque me importo com o produto das corridas. Não se trata de estar chateado com a minha situação atual, porque na verdade estou a lutar ainda mais agora, claro”.

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