FIFA
Infantino garante que cooperará "sem reservas" com justiça suíça
07 ago, 2020 - 14:25 • Lusa
Presidente da FIFA sob a mira da justiça no âmbito da sua ligação ao então procurador-geral suíço Michael Lauber, que se encontrava a investigar um processo de corrupção no futebol.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, garantiu, esta sexta-feira, aos presidentes das federações-membro a sua disposição de cooperar "sem reservas" no processo penal que lhe foi movido pela justiça suíça.
"Como sempre fiz, cooperarei sem reservas com a investigação. Na verdade, espero ter a oportunidade de responder a qualquer pergunta relacionada com este assunto, pois, muito simplesmente, não tenho nada a esconder", refere, em carta.
Gianni Infantino está sob a mira da justiça suíça no âmbito da sua ligação ao então procurador-geral helvético Michael Lauber, que se encontrava a investigar um processo de corrupção no futebol e recentemente pediu a demissão do cargo.
A Procuradoria helvética abriu o processo contra o presidente da FIFA devido a reuniões informais não declaradas com Michael Lauber, indiciado por "abuso de cargo público, quebra de sigilo, assistência e incitamento a infratores".
Gianni Infantino expressa o seu desejo de explicar "de maneira clara e precisa" a situação que levou a justiça suíça a iniciar um processo criminal pelos encontros que manteve, enquanto presidente da FIFA, com o ex-procurador-geral Michael Lauber.
"Como vocês sabem, na época em que fui eleito presidente da FIFA em 2016, graças a todos vocês, a nossa organização, que também é a vossa, estava numa situação lamentável", escreve Infantino, para contextualizar os encontros.
Infantino recorda que, "naquela época, a FIFA estava envolvida como parte lesada em mais de 20 processos judiciais apenas na Suíça e corria o risco de ser declarada uma organização criminosa pelas autoridades dos Estados Unidos".
"Nessas circunstâncias, uma das minhas principais prioridades, responsabilidades fiduciárias e obrigações morais para com todos vocês, que confiaram em mim para cumprir essa missão, era recuperar a confiança pública na nossa instituição o mais rapidamente possível", afirma.
O presidente da FIFA insistiu que "este é o contexto no qual as reuniões" que manteve com o então procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, que, recentemente, apresentou a sua demissão, devem ser enquadradas.
"Essas reuniões não eram secretas e de forma alguma ilegais. Particularmente, participei dessas reuniões com a mais alta autoridade legal do país para oferecer nosso apoio e assistência em relação às investigações em andamento, já que a FIFA é uma parte interessada e lesada de ditas investigações", refere.
Gianni Infantino acrescenta ainda que a FIFA continua confiante e determinada a garantir que aqueles que cometeram atos criminosos em prejuízo do organismo sejam responsabilizados e paguem pelas suas ações.
Justiça suíça abre processo criminal contra presidente da FIFA
Em causa estão reuniões informais não declaradas e(...)
Na carta dirigida aos presidentes, Infantino afirma que participou dessas reuniões, "cuja logística foi organizada pela Procuradoria-Geral da República [Suíça], de boa fé e como representante da FIFA, e para aproveitar a oportunidade para descrever as mudanças drásticas que ocorreram na FIFA em termos de governança corporativa".
"Obviamente, é muito claro que nada remotamente ilegal aconteceu ou poderia ter acontecido durante essas reuniões. É um absurdo até levantar essa questão", frisou Infantino, realçando que os encontros eram com a mais alta autoridade legal do país.
O presidente considera que "a intervenção da justiça era necessária para mudar a FIFA e restaurar a sua credibilidade", de modo que o seu objetivo, "desde o primeiro dia, foi e continua a ser o de ajudar as autoridades em todo o mundo para investigar delitos cometidos na FIFA".
"Os dirigentes da FIFA reuniram-se com promotores de outras jurisdições para esse fim. A cooperação da FIFA percorreu um longo caminho em direção a sentenças e condenações, especialmente nos Estados Unidos, onde mais de 40 condenações criminais foram entregues", recordou.
Em relação à investigação da justiça suíça, Infantino comentou que teve por base "queixas anónimas" apresentadas contra ele em Berna, embora desconheça o seu conteúdo, e afirma que este processo "está já a prejudicar gravemente a FIFA".
Infantino explicou ainda que permanece "à disposição das autoridades suíças para esclarecer quaisquer dúvidas que possam ter".
O presidente da FIFA, que se colocou "à disposição dos presidentes das federações para esclarecer alguma dúvida ou dar mais informações a este respeito", garantiu também que esta situação o motiva a empenhar-se ainda mais "para continuar a melhorar o futebol".
- Bola Branca 18h14
- 05 jun, 2026









