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Daniel Sá

Final da Champions nos EUA é ideia "acertada" no quadro da globalização do futebol

27 abr, 2023 - 09:40 • Inês Braga Sampaio

"A Champions não está reservada aos europeus", diz em entrevista à Renascença o diretor-executivo do IPAM. Daniel Sá acredita que uma final nos Estados Unidos é uma forma de afastar a Superliga e atrair investidores norte-americanos.

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O diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM) entende e concorda com a ideia de uma final da Liga dos Campeões nos Estados Unidos, pelo dinheiro que move e pela globalização do futebol. Para Daniel Sá, hoje em dia não faz sentido falar de uma Champions reservada aos residentes na Europa.

É uma iniciativa "arrojada", mas não inovadora. Já há jogos das fases regulares da NFL (futebol americano) e da NHL (hóquei no gelo) na Europa e as Supertaças de Itália e de Espanha são disputadas fora. Trata-se de um método testado e de sucesso comprovado e que, segundo afirma Daniel Sá, em entrevista à Renascença, "é fácil de entender".

"São competições de topo, querem atrair cada vez mais espectadores e patrocinadores. Deslocalizar uma final da Liga dos Campeões para o território que mais desporto consome no mundo, que são os Estados Unidos, parece-me, obviamente, uma ideia, do ponto de vista de negócio, muito acertada", salienta o diretor-executivo do IPAM.

A Liga dos Campeões já não é só dos europeus


Daniel Sá admite que os adeptos europeus podem sentir "alguma mágoa" por terem de atravessar o Atlântico para verem a sua equipa disputar uma final da Liga dos Campeões. No entanto, contraria a ideia de que a competição pertence a quem reside na Europa e defende que "a ideia de que o adepto está a dez minutos do estádio tem de mudar".

Para o diretor-executivo do IPAM, "já há muito tempo que mudou" o paradigma de que o adepto europeu é o público-alvo da Liga dos Campeões. Atualmente, o futebol e os seus adeptos são globais. Por exemplo, "tipicamente, uma equipa da Premier League tem muito mais adeptos na Ásia, em quantidade, do que dentro de portas, em Inglaterra":

"Vai ao encontro ds tendência da última década: os adeptos são globais. A final da Champions é o evento mais visto do mundo, em termos de competição que se realiza anualmente. Portanto, já de há muitos, muitos anos que há uma audiência tão grande fora da Europa como dentro. Não podemos pensar que a Liga dos Campeões, que envolve equipas europeias, está apenas reservada a adeptos residentes na Europa. Esse conceito já não faz sentido para a realidade que temos."

"Até porque uma boa parte dos atletas e treinadores que ganham a Champions também não são europeus e os donos de muitos dos clubes que disputam a final também já não são europeus", acrescenta.

Daniel Sá admite, inclusive, que se chegue ao ponto de uma final do Europeu fora da Europa, embora a certeza para o futuro seja outra.

"Também do ponto de vista digital, com toda esta tecnologia, a Inteligência Artificial, o Metaverso, estamos muito perto já de conseguir com que um chinês, no seu sofá, na sua casa, consiga assistir à final da Champions quase da mesma forma como assistiria do estádio. É este o novo mundo em que estamos a viver e é esta a realidade que vai chegar muito mais rapidamente do que nós pensamos", salienta.

Afastar os norte-americanos da Superliga


Daniel Sá entende que haja "algum conservadorismo" em relação à ideia, em função do legado da prova. Porém, realça que já não se coaduna com a realidade de uma indústria de entretenimento global.

Também já não se coaduna com a necessidade crescente da UEFA de tornar a Liga dos Campeões atrativa para os grandes clubes, numa era em que a Superliga Europeia é uma ameaça "sempre latente".

"Tivemos aqui a Superliga tão próxima de acontecer. Nunca sabemos quando há um novo risco de aparecer. Era uma Superliga que abanava com muitos milhões de euros, neste caso dólares, porque havia um financiamento americano por trás, para que todos os clubes pudessem ganhar mais dinheiro. Portanto, é evidente que a própria UEFA tem de procurar alternativas que ajudem a maximizar as receitas daquela que é a sua competição mais representativa", explica o diretor do IPAM.

A realização de uma final da Champions nos EUA também é uma forma de dissuadir os investidores norte-americanos de financiar a Superliga e convencê-los a canalizar esse dinheiro para a UEFA: "Faz parte da estratégia da UEFA e de vários clubes em procurar defender este conceito de negócio que é a Liga dos Campeões. É indiscutível."

Daniel Sá assinala que o impacto financeiro da organização de uma final da Champions pode render a uma cidade da Europa "entre 50 a 100 milhões de euros", dependendo do local e das equipas em prova.

"Naturalmente que depende também de em que cidade dos Estados Unidos é que isto se realiza, da capacidade do estádio e da ativação. Mas teoricamente, e tendo em conta a forma como este tipo de eventos é explorado nos Estados Unidos, acho que, no mínimo, se antevia a possibilidade de duplicar este tipo de impacto", revela.

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