Futebol Internacional
A sobrancelha mística de Ancelotti vai mudar-se para a seleção brasileira
29 abr, 2025 - 10:40 • Hugo Tavares da Silva
Já não há volta a dar: Carlo Ancelotti, don Carletto, vai soprar os ventos do futebol brasileiro e treinar a canarinha no próximo Campeonato do Mundo.
Afinal o futebol matutado pela sobrancelha mística não é eterno. O Real Madrid ganhou muito, sobretudo com Carlo Ancelotti no banco, mas a torneira do ballet blanco secou, foi um apagão de ideias, mentalidade e ambição.
Alguns críticos já o tinham detetado antes da segunda mão dos quartos de final da Liga dos Campeões com o Arsenal, pois se falou apenas no fantasma da remontada. Por magia, o futebol e a capacidade eram secundários. Testemunhou-se também a adeptos a perdoar tudo, viram-se jogadores na maior com jogadores do outro lado. Saudável, sim senhor, mas pouco condizente com a fome e o espírito que o Real Madrid nos acostumou.
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Carlos Ancelotti, que acabou de ver o seu grupo de rapazes perder a final da Taça do Rei e que não está assim tão longe da liderança da La Liga, vai abandonar o Santiago Bernabéu, escreve o “The Athletic” e a imprensa espanhola, escudados também pelos media brasileiros. Já não é segredo. O namoro antigo com a CBF, a federação brasileira, vai finalmente ser consumado (e assim fazer cair a possibilidade de Jorge Jesus ser feliz ali). O homem que celebrou títulos aos saltos com os brasileiros do clube madrileno, com um charuto na boca, vai treiná-los com a farda amarela e azul. Num dos momentos mais críticos da seleção canarinha e da identidade brasileira no campo, é o Campeonato do Mundo está no horizonte, em 2026.
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Segundo o “Globo Esporte”, o treinador italiano vai pegar no fado do país que não vê o Brasil a jogar à Brasil há muito tempo em junho, na Data FIFA. Ou seja, já não vai competir no Mundial de Clubes pelo Real, um clube que deverá estar a olhar com vontade para o cérebro de Xabi Alonso.
O jornal brasileiro mantém que o Carletto e a CBF assinaram um termo de compromisso em 2023 e que as condições do contrato são as mesmas, isto é, cerca de 10 milhões de euros por ano.
Na “Radio Marca”, apesar da força do Madrid no balneário brasileiro, disse-se que alguém muito perto de Neymar foi muitíssimo influente nesta movimentação. O mesmo jornalista, Raúl Varela, indicou ainda que Ancelotti pediu Mac Allister, do Liverpool, ou Sandro Tonali, do Newcastle, para substituir Toni Kroos. Foi um dos problemas no plantel, Florentino Pérez preferiu injectar a potência e irreverência de Kylian Mbappé, que ainda se debate com questões de grandezas por ali, ainda que os números impressionem em ano de estreia.
Para a defesa, o mago treinador, ex-futebolista daquele Milan especial dos holandeses e também ex-adjunto de Arrigo Sacchi, pediu William Saliba, Akanji ou Dean Huijsen, um rapaz nascido em 2005 que está a ganhar nome no Bournemouth.
À sua disposição na seleção brasileira, Ancelotti terá Vinicius Jr., Rodrygo, Éder Militão e Endrick, tudo jogadores do Real Madrid que certamente foram ouvidos para aquele processo de recrutamento.
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Carletto, um cidadão de Reggiolo e de 65 anos, vem somando títulos e êxitos numa carreira maravilhosa. Conquistou, por exemplo, cinco troféus da Liga dos Campeões, uma competição que já ganhara duas vezes em 1989 e 1990, esta última com o Benfica.
Um dos trunfos de Ancelotti para convencer futebolistas é a forma como gere os grupos. Paternal, normalmente silencioso, aqui e ali vocal para meter a casa em ordem. Hernán Crespo, em entrevista à Renascença, explicou que é em Carletto que mete os olhos na hora de definir uma referência, um norte.
“[Dizem que] há que ser agressivo, gritar... não. Creio que o referente máximo deste estilo é Ancelotti”, contou o agora treinador argentino. “Ganha absolutamente tudo e não levanta a voz, ou levanta a voz quando tem de a levantar e coloco-me nessa linha. Tinha 21 anos quando cheguei ao Parma e estava lá o Ancelotti, marcou-me essa linha. Ser autoritário não significa gritar, ter autoridade é outra coisa, ser líder é outra coisa. Há maneiras e maneiras.”
O técnico italiano é o primeiro homem a vencer títulos nacionais em Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha e França.
- Bola Branca 12h45
- 10 jul, 2026









