Futebol Internacional
Pippo Inzaghi, o "treinador perfeito para a Serie B", conseguiu mais uma promoção no calcio
05 mai, 2025 - 11:20 • Hugo Tavares da Silva
Depois de Venezia e Benevento, o antigo avançado que celebrava golos com uma febre delirante garantiu a promoção do Pisa, que abandonou a Serie A em 1991. Conheça o percurso de Pippo Inzaghi (um homem apaixonado que vai voltar a encontrar o irmão).
A coisa devia estar mais ou menos bem resolvida nos almoços de domingo da família Inzaghi. Pippo foi o grande futebolista, o ‘killer’, o goleador que celebrava em delírio (deve berrar quando acerta com o caroço da azeitona na pequena tigela, atormentando a canalha e os vizinhos). Simone, apesar da carreira muito digna e com muitos anos de Lazio, é o cérebro, o mister, o homem que eleva grupos à altura das nuvens.
Continua tudo a ser verdade, mas Pippo, o genial e não muito elegante goleador, o terror das linhas defensivas e quem sabe a maior vítima do VAR se jogasse nestes nossos tempos, está a fazer o seu caminho naquele retângulo a que chamam área técnica onde os treinadores fazem gestos extravagantes e gritam como quem sofreu uma catástrofe natural.
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Pippo Inzaghi, que não aprecia demasiados dribles e saliva pelo jogo vertical, meteu o Pisa na Serie A 34 anos depois. A cidade da torre inclinada terá uma equipa direitinha no principal escalão do calcio e logo com dois portugueses ao barulho: Tomás Esteves, lateral direito ex-FC Porto, e Miguel Veloso, o refinado canhoto que agora é treinador-adjunto.
Corrige-se assim a tristeza de 1990/91, quando o Pisa não escapou à despromoção à Serie B, que aconteceu com Mircea Lucescu no banco e com o jovencito Diego Pablo Simeone no relvado a mostrar os dentes.
O senhor 9 deixou os campos em 2012, depois de brilhar enfiado nas camisolas de Piacenza, Atalanta, Juventus, Milan e seleção nacional. No mesmo verão, enfiou o apito na boca e começou a dar treinos na formação do AC Milan. Foi um saltinho até à equipa principal, em 2014/15, uma época de má memória que terminou em 10.º. Daí a tal história dos fados de cada um estar bem resolvida nos almoços de família…
Pippo, hoje com 51 anos, foi então para a terceira divisão. O seu Venezia foi campeão da Serie C e promovido. No ano seguinte até terminou em segundo na Serie B, mas não foi feliz nos play-offs contra o Palermo. Seguiu-se um trabalho não muito feliz no Bologna, na Serie A onde encontrou a Lazio orientada pelo irmão, acabando por ser despedido.
"Sou conduzido pela paixão", confessou à Sky Sports, em janeiro. A tal paixão com que celebrava os golos é a mesma. "Quando decidi ser treinador depois de deixar o Milan, fui para o Venezia na Serie C porque nada me assusta. Eu desfruto deste trabalho. Gosto de levar aos meus jogadores e às minhas equipas o que eu era como futebolista."
No Benevento foi campeão da Serie B com quase mais 20 pontos do que o Crotone, um rival embalado pelos 20 golos de Simy Nwankwo, o avançado nigeriano com passado no Portimonense e Gil Vicente. O toque de midas voltara. Depois da promoção, a despromoção da liga onde Cristiano Ronaldo foi o melhor marcador, com 29 golos. O inverno voltara.
A seguir, no Brescia viveu algo bizarro ao ser despedido e contratado três meses depois. Na Reggina, de volta à Serie B, ficou ali na enfadonha sétima posição. Nessa altura, em 2022/23, o Pisa terminou a temporada em 11.º. No Salernitana, onde também defrontou o irmão agora no Inter, também não foi famoso o seu trajeto.
Até que chegou o Pisa (depois da descida aos infernos das divisões inferiores e da bancarrota), talvez inspirado pela presença de Miguel Veloso, uma espécie de Pirlo da portugalidade. Apesar da derrota em Bari, Pippo e companhia beneficiaram da derrota do Spezia no campo da Reggiana onde em tempos idos jogaram Paulo Futre e Rui Águas.
"É treinador perfeito para a Serie B", diz-nos um jornalista italiano sobre Inzaghi, já definindo um mercado idóneo para o técnico. "Não de Serie A, tem limitações. É demasiado stressado, não tem muitas ideias táticas..."
O treinador vê-se de maneira diferente. "Tenho quase 350 jogos como treinador profissional", lembrou na mesma entrevista à Sky Sports. "Claramente, estás sempre a aprender algo porque há sempre alguma coisa para aprender. Um treinador tem de evoluir e crescer com o tempo. No meu tempo livre, tentei estudar o trabalho dos treinadores melhores e já estabelecidos e, claro, tenho a sorte de poder partilhar ideias com o meu irmão Simone, que eu considero um dos melhores treinadores da Europa."
Esta época, entre Serie B e Coppa, o Pisa ganhou 22 dos 38 jogos e marcou 62 golos, sofrendo 33. Na Taça, caiu o logo na segunda ronda contra o Cesena, que contava com o filho de Pierre van Hooijdonk na frente, Sidney, e com Jonathan Klinsmann, o filho da lenda, na baliza. Itália é uma barrigada para estas coisas…
Por isso, para o ano, os irmãos Inzaghi vão ver-se mais vezes do que nos almoços de família (vão repetir o que aconteceu na pré-época no verão passado, quem sabe a semente para um ano glorioso para ambos). O grandíssimo mister do Inter está perto de colocar o clube de Milão em mais uma final da Liga dos Campeões, enquanto Pippo, quem sabe o Vítor Oliveira transalpino, tal é a apetência para as promoções e dar alma e tamanho aos pequenos, continua a fazer o seu caminho.
- Bola Branca 18h16
- 13 mai, 2026









