Sete golos, duas reviravoltas, prolongamento. Inter vence Barcelona em jogo louco e é o primeiro finalista da Champions
06 mai, 2025 - 22:45 • Inês Braga Sampaio
Jogo de loucos em San Siro, a culminar uma eliminatória com 13 golos. No final, sorriram os italianos, que sobreviveram a nova cambalhota catalã para marcar lugar na final de Munique.
O Inter de Milão apurou-se para a final da Liga dos Campeões, esta terça-feira, ao derrotar o Barcelona, no prolongamento da segunda mão das meias-finais, por 4-3, num encontro de emoções fortes.
O plano de Simone Inzaghi para a partida deixou o Barcelona zonzo em campo. A equipa de Hansi Flick não conseguia encadear um único ataque pelo meio e vivia de raras, e ineficazes, investidas indivdiuais. Já os italianos defendiam de forma sólida e, na transição, aproveitavam da melhor forma a igualdade numérica com os defesas catalães.
Foi numa dessas situações que surgiu o primeiro golo do Inter, aos 21 minutos. Roubo de bola em zona alta de Federico Dimarco, que depois, com um grande passe, deixou Denzel Dumfries e Lautaro Martínez isolados, só com o guarda-redes pela frente. O neerlandês atraiu Wojciech Szczesny e, no momento certo, serviu o argentino, que não perdoou.
O Barcelona ainda ameaçou aqui e ali, e pediu um penálti por suposta mão na bola de Francesco Acerbi - o videoárbitro (VAR) informou que não havia nada -, no entanto, a primeira parte era toda do Inter.
Ao minuto 42, Lautaro voltou a desmarcar-se na área do Barcelona, mas Pau Cubarsí roubou-lhe a bola na "hora H". O árbitro considerou, inicialmente, o lance legal, contudo, o VAR alertou-o para possível falta. Szymon Marciniak foi ver as imagens e concordou: penálti para o Inter de Milão, porque Cubarsí acertara no pé de Lautaro e não na bola.
Chamado a cobrar, Hakan Çalhanoglu fez o habitual: marcou. O internacional turco, que em 55 penáltis em toda a carreira só falhou seis, conseguiu enganar Szczesny e rematar para o 2-0 dos "nerazzurri".
A segunda parte começou com mais um golo do Inter, todavia, Acerbi partira de posição irregular antes de cabecear. Golo anulado.
O Barcelona aproveitou o novo alento para repetir o filme da primeira mão. Pela esquerda, Gerard Martín cruzou uma primeira vez sem sucesso, mas à segunda encontrou a diagonal surpresa de Eric García, que no ar e sem deixar cair, disparou para o fundo das redes.
Dois minutos depois, a mesma dupla roçou o empate. Contra-ataque em três para dois, Martín atraiu os defesas e entregou de bandeja para García, que rematou demasiado centrado, sim, mas também encontrou pela frente os reflexos felinos de Yann Sommer: o suíço levantou-se num ápice para chegar a uma bola que parecia fora do alcance.
À segunda, e à hora de jogo, deu mesmo golo. Na insistência após um livre indireto afastado pelo Inter, Martín pegou na bola ainda longe da área e ligeiramente descaído para a esquerda. Aí, sacou de um passe que sobrevoou toda a defesa milanesa até chegar à cabeça de Dani Olmo, que, sem oposição, só teve de encostar para o empate: 5-5 na eliminatória.
Dois filmes, um só argumento: já na primeira mão, em Barcelona, o Inter chegara ao 2-0 e permitira que o adversário chegasse ao 2-2. Um encontro que terminaria empatado a três golos. Em San Siro, porém, tinha de haver um vencedor - ou desempate por penáltis.
Ao minuto 68, Lamine Yamal caiu na grande área e o árbitro foi célere a apontar para a marca de penálti. Contudo, o VAR informou-o, logo depois, que a falta de Henrikh Mkhitaryan se iniciara ainda fora da área.
Aos 77 minutos, foi Yamal a testar os reflexos de Sommer, que foi obrigado a "voar" para ir buscar a bola ao ângulo, após remate em arco.
O Barcelona não queria prolongamento. Roubo de bola quase sobre a área e Pedri abriu rapidamente em Raphinha, na esquerda. O antigo avançado de Vitória de Guimarães e Sporting rematou para defesa incompleta de Sommer e, na recarga, fez mesmo o 3-2 na partida, 6-5 na meia-final.
O 4-2 ficou muito perto já nos descontos, quando Yamal acertou no ferro.
Yamal falhou, Acerbi não. Aos 93 minutos, Dumfries fez gato-sapato de Martín pela direita e cruzou para o central-feito-avançado, que se antecipou a Íñigo Martínez e encostou, de primeira, para o 3-3.
Ao sexto de cinco minutos de descontos, Yamal desperdiçou uma oportunidade de ouro para atirar o Barça para a final. A bola chegou-lhe aos pés pelo buraco da agulha e deixou-o na cara de Sommer, mas o jovem prodígio, de 17 anos, não conseguiu rematar da melhor maneira.
Como referido, o mesmo guião para as duas mãos destas meias-finais, ambas com 3-3 no marcador ao fim do tempo regulamentar. Em Itália, contudo, tinha de haver decisão e o jogo seguiu para prolongamento.
No tempo extra, mais uma reviravolta. Aos 99 minutos, Marcus Thuram fez magia pela esquerda, desfazendo-se de dois adversários, e entregou para o ex-FC Porto Mehdi Taremi, no interior da área. De costas para a baliza, o internacional iraniano fez de pivô e amorteceu para Davide Frattesi, que ainda ajeitou para o pé esquerdo e fez um compasso de espera antes de atirar para o 4-3 do Inter: 7-6 na eliminatória.
Ao minuto 109, foi Szczesny a esticar-se para impedir o bis de Frattesi, num remate de fora da área. O polaco segurava o Barça à Champions. Na outra baliza, cinco minutos depois, Sommer respondeu na mesma moeda, ao evitar o empate de Yamal com uma grande defesa.
Aos 122, mais um dos (muitos) momentos da noite: Stefan de Vrij fez dois cortes a remates do Barcelona, um deles que ia diretamente à baliza.
Apito final, o Barcelona cai nas meias-finais, após uma eliminatória que terminou com resultado agregado de 7-6. O Inter de Milão segue para a final de Munique, marcada para 31 de maio, um sábado, às 20h00, em que aguarda por adversário: Arsenal ou Paris Saint-Germain.
- Bola Branca 18h16
- 13 mai, 2026








