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Sport Transparency Index avalia centenas de clubes, ligas e federações. "Objetivo é ligar as luzes"

18 jun, 2025 - 07:32 • Inês Braga Sampaio

Emanuel Macedo de Medeiros, CEO da SIGA, empresa que lidera este projeto, explica à Renascença como foi desenvolvido e para que serve, da ótica das organizações e dos adeptos.

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O Sport Transparency Index é um projeto pioneiro que avalia, "de forma objetiva e imparcial", os índices de transparência e boa governança das organizações desportivas, do futebol ao judo, desde clubes a ligas e federações nacionais, "porque sem integridade não há desporto".

Assim explica à Renascença Emanuel Macedo de Medeiros, CEO da Sports Integrity Global Alliance (SIGA), que liderou esta iniciativa, que, a partir de agora, avaliará a transparência no desporto de forma anual.

"O objetivo é ligar as luzes. Conferir transparência, para que todos os interessados, a começar pelas próprias organizações que estarão sob os holofotes, possam ver em que patamar se situam e avaliar as melhorias que devem introduzir para se alcandorarem cada vez mais a posições cimeiras e merecerem a confiança, o respeito e o reconhecimento da opinião pública e da comunidade desportiva em geral", sublinha.

Este index "é a primeira ferramenta independente criada com o propósito de avaliar, de forma objetiva e imparcial, os níveis de transparência e, por consequente, de boa governança das organizações desportivas".

"Muita gente apregoa, e é entendimento consolidado e unânime, que o desporto requer integridade e transparência. Mas há muita proclamação feita que necessita de ser fundamentada e comprovada", sustenta o CEO, reforçando que o objetivo de medir e comparar os níveis de transparência das organizações desportivas passa por "incentivá-las a uma contínua melhoria", mas também reforçar a "prestação de contas e o escrutínio".

"As organizações desportivas, cujo papel e relevância ninguém discute, também devem demonstrar que estão adequadas aos mais elevados padrões de transparência. E este é um instrumento que visa incentivar, de facto, esse esforço, essa caminhada, de uma forma pública, dinâmica, objetiva e rigorosa. Estamos cientes de que se trata de um passo fundamental, de grande fôlego, e que irá abrir também caminho para formas de escrutínio e de verificação", vinca Macedo de Medeiros.

Mais de uma dezena de métricas

Os critérios de avaliação foram desenvolvidos por peritos independentes. Foram utilizados 15 indicadores universais de transparência na elaboração do Sports Integrity Index, divididos por três áreas.

"A organização, na qual é analisada toda a estrutura de governança das várias organizações desportivas. A existência ou não de códigos de conduta, ou instrumentos similares, a composição dos Conselhos de Administração ou das direções. Por exemplo, a transparência em relação aos patrocínios e aos parceiros comerciais", explica o CEO da SIGA.

No domínio operacional: "Houve o cuidado de destacar as políticas de igualdade de oportunidades e de diversidade e de inclusão. A privacidade e segurança de dados. Sistemas, por exemplo, de denúncias privadas, os chamados 'whistleblowing systems'. E também, muito importante, a consulta e o envolvimento ativo dos 'stakeholders' no processo de tomada de decisão. Isto é pedra de toque fundamental."

Macedo de Medeiros destaca, ainda, que, neste campo, fez-se "um mergulho muito profundo" sobre a regulação das apostas desportivas.

"E o último domínio foi o financeiro. Foram passadas a pente de fino a conformidade das organizações esportivas e o cumprimento das normas contabilísticas, políticas de contratação, políticas anticorrupção e anti branqueamento de capitais", detalha, nesta entrevista a Bola Branca.

Os 15 indicadores: estrutura de governação e organizacional, código de conduta, Conselho de Administração, membros da organização, lista de patrocinadores/parceiros e assembleia geral (organização); políticas de igualdade de oportunidades e diversidade, de privacidade e segurança de dados, de proteção de denunciantes e de consulta/envolvimento de "stakeholders" (operação); conformidade com normas contabilísticas, divulgação e relatórios financeiros, e políticas de contratação pública, anticorrupção e sobre apostas desportivas (finanças).

"Name and fame" e um apelo às marcas

Este index não serve apenas como um espelho para as organizações desportivas. Emanuel Macedo de Medeiros espera que também os adeptos tirem ilações, porque "é evidente que não basta pedir fidelidade aos adeptos, não basta pedir paixão, não basta pedir investimento".

"As organizações desportivas podem e devem liderar dando o exemplo, e aqui está um convite muito claro a que o façam. O nosso propósito não é criar situações de embaraço, não é o 'name and shame' ["nomear e envergonhar"], é o 'name and fame' ["nomear e dar fama"]. É sempre contribuir para um reforço da cultura de integridade e de transparência, para que os clubes, as ligas, as federações possam ser aquilo que realmente está ao seu alcance, que é serem campeões em matéria de integridade e de transparência e darem demonstrações cabais disto."

"O que nós pretendemos é trabalhar de forma construtiva, próxima das organizações desportivas, para ajudá-las a percorrer esta caminhada rumo à excelência e à efetiva consagração da sua transparência e da sua integridade, porque sem integridade não há desporto", acrescenta.

O diretor executivo da SIGA também chama à responsabilidade os patrocinadores, que "não podem, nem devem, deitar dinheiro em cima de organizações desportivas ou de torneios ou de eventos desportivos".

Os "sponsors", diz, devem ser "agentes efetivos, dinâmicos e proativos" pela mudança cultural, "exercendo a sua própria responsabilidade para que este 'cluster' seja cada vez mais credível, transparente e íntegro".

"Não é apenas olhar para o estádio e ver a sua marca projetada. Não, eles têm de exercer também a sua responsabilidade social e contribuir para o reforço desta cultura de integridade, porque sem isso não conseguimos avançar", alerta o empresário português, nesta entrevista.

Globalização e maior envolvimento

No futuro, Emanuel Macedo de Medeiros assume a ambição de transformar o Sport Transparency Index numa ferramenta "global".

Para isso, pretende conferir-lhe "um permanente 'benchmarking'", alargar o número de organizações avaliadas e a profundidade das análises, e aumentar o alcance geográfico para além-Europa.

"Queremos implementar e desenvolver em parceria com as organizações desportivas, com os parceiros comerciais, sejam eles operadores televisivos ou 'sponsors'. Também com a sociedade civil e, naturalmente, com os 'media', porque os 'media' têm uma função importantíssima e também indeclinável, não apenas de informar, mas também de formar. E contamos com todos para podermos avançar neste domínio", conclui.

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