19 nov, 2025 - 05:40 • Diogo Camilo
A missão era complicada à partida: na liderança do grupo B, a pequena ilha de Curaçau precisava de empatar em Kingston, na Jamaica, para garantir um lugar no próximo Mundial de futebol, que se irá realizar nos Estados Unidos, Canadá e México.
Mas o futebol é feito de história e de histórias. Esta é a de descendentes de uma colónia holandesa a retribuir à terra dos seus pais e avós, onde chegaram para jogar futebol. O nulo sofrido frente a 35 mil jamaicanos foi o suficiente para liderar um grupo onde não conheceu a derrota.
Com isso, Curaçau tornou-se a mais pequena nação a fazer parte de um Campeonato do Mundo do futebol: 150 mil habitantes. E entre eles não está nenhum dos heróis que pisou o relvado durante a madrugada desta quarta-feira.
Porquê? Porque todos os jogadores da convocatória nasceram nos Países Baixos, mas têm descendência curaçauense. O território fez parte da Guiana holandesa, do grupo de ilhas das Antilhas Holandesas, mas só existe para o mundo do futebol desde 2011.
Uma ilha a cerca de 65 quilómetros da costa da Venezuela, onde moram menos de 150 mil pessoas, que pertence ao Reino dos Países Baixos, mas tem autonomia suficiente para se qualificar para uma competição internacional de futebol.
O segredo do sucesso da seleção está em dois nomes. Primeiro: Patrick Kluivert.
Estrela da seleção holandesa, do Barcelona e do Ajax, tem raízes em Curaçau através da mãe e no final da carreira decidiu abraçar a seleção, em 2015. Dois anos depois, a nação marcava presença na sua primeira Gold Cup.
Tudo graças a Kluivert, que convenceu alguns jogadores a juntarem-se ao projeto. Entre eles estava o atual capitão da seleção, Leandro Bacuna. Hoje com 35 anos e no Bandirmaspor, somou jogos pelo Aston Villa, Reading, Cardiff, Watford e Groningen.
Outros dos jogadores veteranos da seleção são o guarda-redes Eloy Room, o defesa Cuco Martina e o médio Vernon Anita (ex-Ajax e Newcastle) - que chegou a representar a seleção principal dos Países Baixos.
No plantel, estão ainda três "portugueses": Riechedly Bazoer, hoje no Konyaspor, passou pelo FC Porto na época 2018/19; Kenji Gorré, extremo do Maccabi Haifa, jogou no Nacional, Estoril e Boavista; e Jeremy Antonisse, que esteve as últimas duas épocas no Moreirense, antes de abraçar o projeto do Kifisias da Grécia.
O segundo segredo da seleção está em Dick Advocaat, o experiente seleccionador de 78 anos que convenceu a última fornada de jogadores: Jordi Paulina, Jurgen Locadia, Jearl Margaritha, Shurandy Sambo ou Sherell Floranus são alguns exemplos.
O treinador vai estar no seu terceiro Mundial, depois de ter liderado os Países Baixos aos quartos de final em 1994, onde perdeu com o Brasil - que viria a vencer a competição -, e a Coreia do Sul em 2006, onde não passou da fase de grupos.
Desta vez, só a presença nos Estados Unidos, Canadá ou México, já será uma vitória.