02 dez, 2025 - 12:44 • Hugo Tavares da Silva
Se o futebol tivesse acabado para Martín Palermo no dia 18 de junho de 2011, era esta a história: terá sido “recrutado” por Diego Maradona para o Boca Juniors, transformou-se no maior goleador da história daquele clube e ganhou títulos vários, como duas Libertadores e a Intercontinental de 2000.
No dia do adeus à ‘cancha’ sagrada, ofereceram-lhe uma baliza da Bombonera. "É um presente lindo, com o qual convivi 19 anos da minha carreira", suspirou na altura. "Pode levar a baliza da Bombonera para casa é algo único e ficará na minha lembrança. É um pouco grande para levar para casa, ainda não sei onde a vou meter..."
Mais: no tal triunfo de 2000, contra o Real Madrid (um recital de Riquelme), marcou dois golos e foi pedir a camisola a Fernando Morientes. Recentemente, o antigo avançado espanhol contou a história e terá digo algo como “ó, por favor, dá-me tu a tua que fizeste dois golos…”
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Ou seja, foi um monstro nesta modalidade (mesmo descontando o dia em que falhou três penáltis num jogo pela Argentina), mas, como tantos, decidiu enveredar pela vida angustiante do treinador de futebol. Depois de várias trabalhos na Argentina, Chile, México e Paraguai, onde conquistou o único título neste ofício, Palermo recebeu uma chamada para tentar um pequeno milagre no Brasil.
Futebol
É a quarta taça Libertadores do Flamengo. Já o téc(...)
Quando Martín Palermo chegou ao banco do Fortaleza, no oitavo dia de setembro, o clube contava apenas com 15 pontos em 63 possíveis. Estava perigosamente no penúltimo lugar, namorando a ideia de descer de divisão depois de tempos dourados com Vojvoda, outro treinador argentino.
A estreia aconteceu a 13 de setembro, num triunfo por 2-0 contra o Vitória. Desde então, o treinador de 52 anos amealhou 25 pontos. Ou seja, somou sete vitórias e quatro empates em 15 jornadas do Brasileirão. Os rapazes de Palermo não perdem há oitos jogos, numa série que começou com uma vitória contra o Flamengo, o novo rei da América do Sul, o primeiro clube brasileiro a alcançar as quatro estrelas na Copa Libertadores.
Palermo e companhia têm agora 40 pontos, mantém-se abaixo da linha de água, mas, a duas jornadas do fim do campeonato, está apenas a um ponto do Santos de Neymar Jr., a primeira equipa que respira acima do Z4. Olhando para a paisagem completa, o Fortaleza está apenas a dois e três pontos de Vitória e Ceará, clubes que estacionam nas 15.ª e 14.ª posições, pelo que o sonho da manutenção não é impossível.
O Fortaleza Esporte Clube, fundado em 1918, terá agora difíceis jogos com Corinthians, em casa, e Botafogo, no Rio de Janeiro, para sentenciar o seu fado.