06 jan, 2026 - 12:20 • Hugo Tavares da Silva
Agora sabemos que Ruben Amorim é gente como a gente. A trajetória hollywoodesca do treinador foi abruptamente interrompida por fissuras internas, resultados que não apareciam, evoluções lentas, regressões, azar e a ausência da tal estrelinha que parecia aquecer o caminho do português.
Amorim foi despedido do Manchester United ao fim de 14 meses. A história do lisboeta no colosso inglês fica colada à constante conversa sobre o seu 3-4-3. Tensões internas, alegadamente sobre escolhas de jogadores e o papel que teria Amorim (“vim ser manager, não o treinador”), parecem ter ditado o desfecho inesperado.
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Na primeira época, o United de Amorim terminou em 15.º e perdeu a final da Liga Europa, onde estavam as fichas para o acesso à Liga dos Campeões. As chegadas de Sesko, Mbeumo e Matheus Cunha no verão ajudaram a afinar a ideia de Amorim (principalmente dos dois últimos, vá). Apesar do atual e supostamente desanimador sexto lugar, o Manchester United está apenas a três pontos da Liga dos Campeões. Na lembrança fica a eliminação na Taça da Liga contra uma equipa da quarta divisão.
Futebol Internacional
A saída de Ruben Amorim do Manchester United poder(...)
Bruno Fernandes foi o grande futebolista deste percurso de Amorim no gigante de Inglaterra, marcado pelo legado de Alex Ferguson e numa crise de identidade desde a saída do escocês mítico que deixava de falar com jogadores quando perdiam jogos.
Fernandes fez 42 jogos, 11 golos e 14 assistências. Lidera os três segmentos. No top-5 de jogadores com mais presenças surgem Leny Yoro (41), Diogo Dalot (40), Manuel Ugarte (37) e Noussair Mazraoui (35). Se falamos de golos, Fernandes é seguido por Amad Diallo (9), Mbeumo (6), Zirkzee (4), Casemiro que é Casimiro (4), Mount (4) e Matheus Cunha (4).
Finalmente, nas assistências, a lista liderada por Bruno Fernandes é composta por Amad Diallo (6), Dalot (4), Ugarte (2), Patrick Dorgu (2) e Christian Eriksen (2).
Amorim cumpriu apenas 63 jogos e a percentagem de vitórias é dramática para um clube desta dimensão: 36.92% (32% se falarmos apenas de Premier League).
Na ressaca da saída traumática de Alex Ferguson, os sucessores tiveram todos os seus problemas e dramas, mas as percentagens de vitórias estão muito acima: José Mourinho (58.33%), ten Hag (54.69%), Solskjaer (54.17%), David Moyes (52.94%) e Louis van Gaal (52.43%).
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O treinador português conquistou em média apenas 1.23 pontos por jogo na Premier League, muito longe dos 2.16 de Alex Ferguson em 810 jogos. José Mourinho, por exemplo, garantiu 1.89 pontos por jogo na Premier League em 93 partidas. O cenário estava numa tendência ascendente, já que os 31 pontos em 20 jogos de 2025/26 representavam 1.67 pontos por jogo. Os dados estão todos no site da Premier League.
As mudanças no 11 foram 137 desde 24 de novembro de 2024 (foram 25 duplas de meio-campo, por exemplo). Apenas Chelsea (141) e Tottenham (155) mexeram mais. O impacto das lesões ajuda a contar esta história.
Enquanto esteve na Premier League, Amorim perdeu 19 vezes. Apenas Ange Postecoglou fez pior (21).
Resumindo, Ruben Amorim resistiu 63 jogos como treinador do Manchester United, garantindo apenas 24 triunfos, somando ainda 18 empates e 21 derrotas.
Segue-se Darren Fletcher como treinador interino, tal como aconteceu com Ryan Giggs, Michael Carrick e Ruud van Nistelrooy nas intermitências das agruras do pós-Ferguson.