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Mundial 2026

​Nunca fez tanto sentido “ciao” significar adeus ou olá: vamos ter outro Mundial sem a Itália?

26 mar, 2026 - 13:23 • Hugo Tavares da Silva

Um olhar para o passado e o presente da squadra azzurra no dia em que os italianos enfrentam o primeiro play-off de acesso ao Mundial 2026. “Tentamos pensar positivo. O país está pronto para tudo agora que temos Furlani, Antonelli e Sinner", desabafa um jornalista italiano a esta rádio.

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Quando a Itália disputou pela primeira vez um Campeonato do Mundo, venceu-o. Quando a Itália voltou a um Mundial, venceu-o outra vez. Estávamos em 1934 e 1938, uma período em que os bravos italianos eram tocados pela varinha de Vittorio Pozzo. Os italianos estiveram ausentes no torneio debutante, em 1930, no Uruguai, conquistado pelos senhores da casa.

Depois de algum anonimato durante a ascensão dos brasileiros que largaram o complexo vira-lata, como diria Nelson Rodrigues, os italianos voltaram a uma final em 1970 (oi Rivellino, oi Pelé, oi Tostão, etc etc). E a outra em 1982, triunfando naquela prova depois de passar por cima, sem qualquer pingo de piedade pelos românticos, do virtuoso Brasil de Telê Santana.

Em 1994, com Arrigo Sacchi sem a aura do seu AC Milan e o adjunto Carlo Ancelotti, o céu quase ficou mais azul. Baggio atirou a bola tão tão para cima naquele penálti que talvez entrasse num qualquer arco-íris e permitiu mais um carnaval no coração dos brasileiros. Em 2006, o charuto de Marcello Lippi acendeu-se para celebrar o quarto título mundial da história.

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E chegamos aos nossos tempos. A Itália só se tinha ausentado nos Mundiais de 1930 e 1958, no Uruguai e Suécia. Em 2018 e 2022, os italianos falharam as qualificações e espantaram o mundo. Nunca acontecera os futeboleiros viverem dois torneios consecutivos sem a Itália, a tetracampeã Itália, a mãe de Gianni Rivera, Facchetti, Paolo Rossi, Bruno Conti, Baresi, Baggio, Totti, Del Piero, Maldini, Cannavaro… O Bola de Ouro de 2006 curiosamente estará, com certeza, no próximo Mundial, como selecionador do Uzbequistão.

Para o Mundial 2018, a Itália ficou atrás da Espanha no Grupo G de acesso ao torneio na Rússia, o que levou a seleção de Buffon, Bonucci e Jorginho ao play-off. Um golo de Jakob Johansson, da Suécia, desatou a tristeza no coração dos italianos 60 anos depois da ausência precisamente no Mundial da Suécia, onde Pelé brilhou com 17 anos.

Em 2022, depois de ficar no segundo lugar do Grupo C (atrás da Suíça), a Itália esteve quase quase no caminho de Portugal no play-off, mas caiu na semifinal dessa derradeira fase de acesso ao torneio no Qatar. A Macedónia do Norte despachou os italianos e depois os portugueses triunfaram, por 2-0, carimbando o acesso à competição que seria conquistada pela Argentina de Lionel Messi.

Pela terceira vez consecutiva, a Itália vai disputar o play-off de acesso ao Campeonato do Mundo (em primeiro lugar do grupo passou a Noruega de Haaland). Esta quinta-feira, os rapazes de azul orientados por Gennaro Gattuso defrontam a Irlanda do Norte. Se o desfecho dessa partida for feliz, os tetracampeões enfrentam o vencedor do duelo entre País de Gales e Bósnia. O sobrevivente dessa contenda vai integrar o Grupo B do Mundial 2026, juntando-se a Canadá, Qatar e Suíça.

Para Paolo Tomaselli, jornalista da “Gazzetta della Sera”, “as chances são boas” e para dar força a essa esperança convoca os nomes de Mattia Furlani, Kimi Antonelli e Jannik Sinner, o atleta de salto em comprimento, o piloto de Fórmula 1 e o tenista que faz sombra a Carlos Alcaraz. “Tentamos pensar positivo. O país está pronto para tudo agora que temos esses nomes…”

De acordo com este jornalista, a Itália joga num 3-5-2 “básico”, sendo que a única inovação que o antigo centrocampista do AC Milan trouxe foi a aposta na dupla Moise Kean-Mateo Retegui. “O Pio Esposito é a próxima grande coisa do nosso futebol, vai jogar na segunda parte.”

Finalmente, a pergunta mais difícil: afinal, porque é que a Itália está a viver este castigo de estar à beira de ficar fora do terceiro Mundial consecutivo? “As razões são múltiplas, o debate está sempre em cima de termos má técnica. Há demasiada tática, até nos mais jovens, se é que me entendes…”

A Itália joga esta quinta-feira, a partir das 19h45, contra a Irlanda do Norte, no New Balance Arena de Bergamo.

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