Itália
Presidente da UEFA avisa: "Se não estiver tudo pronto, Euro 2032 não se jogará em Itália"
02 abr, 2026 - 11:55 • Inês Braga Sampaio
Candidatura conjunta com a Turquia ganhou votação para a organização do Europeu, no entanto, a UEFA rejeitou nove dos dez estádios propostos pelos italianos. Para Ceferin, as infraestruturas do futebol transalpino são "uma vergonha".
O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, acrescenta urgência à preparação da Itália para o Euro 2032, avisando que, se as infraestruturas não estiverem prontas a tempo, o torneio jogar-se-á noutro lado.
A eliminação da Itália no play-off de acesso ao Mundial 2026, a terceira consecutiva, está gerar discussões sobre o atual estado do futebol italiano, nomeadamente da sua formação e infraestruturas, mais ainda com vista à organização do Euro 2032, em conjunto com a Turquia.
O presidente da UEFA, que rejeita atribuir culpas ao homólogo da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Gabriele Gravina, sugere que "os políticos italianos deviam questionar-se sobre o porquê de a Itália ter das piores infraestruturas de futebol da Europa". E deixa um aviso.
"O Euro 2032 está agendado e vai acontecer. Espero que as infraestruturas estejam prontas. Caso contrário, o torneio não será jogado em Itália", atira Ceferin, em entrevista ao jornal italiano "La Gazzetta dello Sport".
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Em causa está a construção e remodelação dos estádios para o Europeu. A UEFA rejeitou nove dos dez recintos propostos por Itália, o que pode deixar a Turquia como anfitriã única do certame. Só o Juventus Stadium, ou Allianz, em Turim, inaugurado em 2011, foi aprovado.
O San Siro, em Milão — que perdeu a organização da final da Liga dos Campeões de 2027 devido a atrasos na remodelação —, o Estádio Olímpico de Roma, o Diego Armando Maradona de Nápoles, o Artemio Franchi de Florença, o Luigi Ferraris de Génova, o San Nicola de Bari, o Renato Dall'Ara de Bolonha e o Unipol Domus de Cagliari foram todos rejeitados.
Milão está obrigada a começar a construir um novo recinto até março de 2027 — a demolição do Giuseppe Meazza (San Siro) está marcada para depois de terminadas essas obras, em 2031 a 2032. Alguns clubes, como o Nápoles, comprometeram-se a construir novos estádios com financiamento privado, porém, a burocracia em Itália tem-se revelado um obstáculo: apesar do pacote de 300 milhões de euros destinado à renovação do mapa de estádios, as autoridades locais colocaram um travão nas obras, citando a herança cultural dos recintos atuais.
A lista final de estádios tem de ser submetida até outubro de 2026.
Estádios italianos são "uma vergonha"
Ceferin acredita que Itália voltará ao topo, no entanto, aponta que há muita gente em Itália "que é egoísta e só está à espera que as coisas corram mal". Para o presidente da UEFA, o problema do futebol italiano, atualmente, está na "relação entre a política do futebol e a política 'normal'".
"Se todos remassem para o mesmo lado, voltariam rapidamente a sagrar-se campeões da Europa e do mundo. Mas se as pessoas negativas continuarem assim, as coisas no futebol correrão terrivelmente", diz.
Já em agosto de 2025, Ceferin tinha dirigido fortes críticas às infraestruturas em Itália, classificando-as como "uma vergonha".
"São um dos maiores países do futebol, ganharam muitos Mundiais, Europeus, Liga dos Campeões, mas ao mesmo tempo, entre os principais países, têm de longe as piores infraestruturas. E estou cansado da discussão sobre o tema, porque tudo o que ouço são palavras. Os clubes precisam de ajuda do governo, dos municípios e até de investidores privados. É tempo de agir, porque a situação é muito má", afirmou, na altura, numa entrevista ao programa desportivo "Sport Mediaset".
Vários setores, incluindo políticos, pediram a demissão do presidente da FIGC, Gabriele Gravina. Algo que deverá acontecer esta quinta-feira, em reunião marcada para as 13h30, na sede da Federação.
- Bola Branca 18h16
- 17 abr, 2026







