Yamal condena islamofobia no Espanha-Egito. "Faz de vocês ignorantes e racistas"
02 abr, 2026 - 13:23 • Inês Braga Sampaio
Alguns adeptos espanhóis cantaram "quem não salta é muçulmano" durante o jogo particular, de preparação para o Mundial 2026. Polícia da Catalunha já abriu inquérito.
Lamine Yamal ficou indignado com os cânticos islamofóbicos de adeptos espanhóis, que cantaram "quem não salta é muçulmano" durante o jogo entre as seleções de Espanha e Egito, na terça-feira, em Barcelona.
Os cânticos foram ouvidos no estádio várias vezes durante o jogo, um encontro de preparação para o Mundial 2026, depois de, ainda antes do início da partida, ter havido assobios quando soava o hino do Egito.
No Instagram, o jogador do Barcelona, que abandonou o relvado assim que terminou a partida sem saudar as bancadas ou outros futebolistas, recordou: "Eu sou muçulmano, alhamdulillah [graças a Deus]."
"Sei que [o cântico] era para a equipa adversária e não era algo pessoal contra mim, mas como pessoa muçulmana não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável. Entendo que nem toda a massa adepta é assim, mas aos que cantaram estas coisas: usar uma religião como provocação num estádio faz de vocês pessoas ignorantes e racistas", escreveu.
Yamal sublinha que o futebol "é para desfrutar e animar, e não para faltar ao respeito às pessoas por quem são ou por aquilo em que acreditam".
Aberto inquérito policial
A polícia da região da Catalunha anunciou, na quarta-feira, a abertura de inquérito aos "cânticos islamofóbicos e xenófobos" ouvidos no estádio.
Logo no final do jogo, que terminou com um empate sem golos, os cânticos foram condenados por jogadores e pelo treinador da seleção espanhola.
O governo regional da Catalunha criticou também a demora e fraca ativação dos protocolos antirracismo nos estádios de futebol.
“À medida que se sucediam os acontecimentos, senti muita indignação por ver que não se adotava nenhuma ação”, disse o conselheiro do Desporto no governo regional da Catalunha [equivalente a ministro num governo nacional], Berni Álvarez, que assistiu ao jogo no Estádio RCDE.
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O Governo espanhol, através de vários ministros, e outros dirigentes políticos, condenou os cânticos ouvidos desde as bancadas.
"Os insultos e cânticos racistas envergonham-nos como sociedade", escreveu o ministro da Presidência e Justiça, Félix Bolaños, no X.
O selecionador de Espanha, Luis de la Fuente, expressou, no final do jogo, "total e absoluta repulsa por qualquer atitude racista, xenófoba e de falta de respeito". Considerou "intoleráveis" os cânticos que ouviu.
Luis de la Fuente sublinhou que, ainda assim, "a grande maioria do estádio vaiou os indivíduos indecentes que tiveram essa atitude".
- Bola Branca 18h16
- 17 abr, 2026









