Ouvir
  • Bola Branca 18h16
  • 17 abr, 2026
A+ / A-

Yamal condena islamofobia no Espanha-Egito. "Faz de vocês ignorantes e racistas"

02 abr, 2026 - 13:23 • Inês Braga Sampaio

Alguns adeptos espanhóis cantaram "quem não salta é muçulmano" durante o jogo particular, de preparação para o Mundial 2026. Polícia da Catalunha já abriu inquérito.

A+ / A-

Lamine Yamal ficou indignado com os cânticos islamofóbicos de adeptos espanhóis, que cantaram "quem não salta é muçulmano" durante o jogo entre as seleções de Espanha e Egito, na terça-feira, em Barcelona.

Os cânticos foram ouvidos no estádio várias vezes durante o jogo, um encontro de preparação para o Mundial 2026, depois de, ainda antes do início da partida, ter havido assobios quando soava o hino do Egito.

No Instagram, o jogador do Barcelona, que abandonou o relvado assim que terminou a partida sem saudar as bancadas ou outros futebolistas, recordou: "Eu sou muçulmano, alhamdulillah [graças a Deus]."

"Sei que [o cântico] era para a equipa adversária e não era algo pessoal contra mim, mas como pessoa muçulmana não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável. Entendo que nem toda a massa adepta é assim, mas aos que cantaram estas coisas: usar uma religião como provocação num estádio faz de vocês pessoas ignorantes e racistas", escreveu.

Yamal sublinha que o futebol "é para desfrutar e animar, e não para faltar ao respeito às pessoas por quem são ou por aquilo em que acreditam".

Aberto inquérito policial

A polícia da região da Catalunha anunciou, na quarta-feira, a abertura de inquérito aos "cânticos islamofóbicos e xenófobos" ouvidos no estádio.

Logo no final do jogo, que terminou com um empate sem golos, os cânticos foram condenados por jogadores e pelo treinador da seleção espanhola.

O governo regional da Catalunha criticou também a demora e fraca ativação dos protocolos antirracismo nos estádios de futebol.

“À medida que se sucediam os acontecimentos, senti muita indignação por ver que não se adotava nenhuma ação”, disse o conselheiro do Desporto no governo regional da Catalunha [equivalente a ministro num governo nacional], Berni Álvarez, que assistiu ao jogo no Estádio RCDE.

O Governo espanhol, através de vários ministros, e outros dirigentes políticos, condenou os cânticos ouvidos desde as bancadas.

"Os insultos e cânticos racistas envergonham-nos como sociedade", escreveu o ministro da Presidência e Justiça, Félix Bolaños, no X.

O selecionador de Espanha, Luis de la Fuente, expressou, no final do jogo, "total e absoluta repulsa por qualquer atitude racista, xenófoba e de falta de respeito". Considerou "intoleráveis" os cânticos que ouviu.

Luis de la Fuente sublinhou que, ainda assim, "a grande maioria do estádio vaiou os indivíduos indecentes que tiveram essa atitude".

Ouvir
  • Bola Branca 18h16
  • 17 abr, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque