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4ª Conferência Bola Branca

"És maluco?". Como Farioli deixou De Zerbi e rumou à Turquia para ser adjunto

29 mai, 2026 - 09:54 • Eduardo Soares da Silva

O treinador Antonio Gagliardi, ex-adjunto de Juventus e seleção italiana, esteve na 4ª Conferência Bola Branca para explorar os motivos da quebra da Serie A e para falar do amigo Farioli, campeão nacional pelo FC Porto.

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"És maluco?". Antonio Gagliardi explica como Farioli deixou De Zerbi e rumou à Turquia
"És maluco?". Como Farioli deixou De Zerbi e rumou à Turquia para ser adjunto | Foto: Lara Castro/Renascença

Francesco Farioli, treinador do FC Porto, decidiu deixar de ser adjunto na Serie A, em 2020, para ocupar as mesmas funções na Turquia. Quando ligou a Antonio Gagliardi para contar a novidade, o treinador italiano chamou-lhe de "maluco".

"Ele ligou-me a dizer que ia sair para ir para a Turquia ser adjunto. Eu disse que ele estava maluco. Perguntei-lhe porquê, o De Zerbi é um mestre. Mas a verdade é que ele tinha uma clara visão", começou por contar, na Conferência Bola Branca.

Gagliardi fez parte da equipa técnica da seleção italiana durante mais de uma década. Foi adjunto de Roberto Mancini na conquista do Euro 2020 e da Juventus em 2020/21. Conhece Farioli há vários anos.

"Ele pensou na sua jornada, tudo o que ele faz é parte de um caminho maior. Ele tem sempre uma visão, uma das melhores qualidades dele é esta. Tem uma visão para tudo: estilo de jogo, metodologia, da carreira dele", conta.

Em Itália, Farioli foi apenas adjunto e fez toda a carreira de treinador principal no estrangeiro. "Um dia vai regressar", espera Gagliardi.

"Concordo com ele, acho que não é o momento correto. Ele está no caminho certo", explica.

Os motivos da queda do futebol italiano

Apesar da conquista do Euro em 2021, com toque de Gagliardi, a seleção italiana continua a afundar e falhou o terceiro Mundial consecutivo.

"É um momento muito triste, há erros claros. Acho que a maior questão é que não temos grandes jogadores, como tínhamos no passado e como tantas outras seleções", aponta.

O técnico exemplifica: "No 'ranking' da Bola de Ouro dos últimos 15 anos, Espanha tem 61 nomeados, França tem 50, Espanha tem 40. Depois vem Portugal, Inglaterra e só depois chega a Bélgica e a Países Baixos. Por fim, vem a Itália, só com 16. Não temos a mesma qualidade."

Gagliardi associa ainda a problemas políticos: "Há muita burocracia, porque se falamos da queda do futebol, temos também de falar da queda do país."

A Itália falhou o apuramento na final do "play-off" frente à Bósnia. Gagliardi acredita que os problemas continuariam a estar presentes, mesmo se a seleção tivesse seguido para a fase final: "Teríamos ido ao Mundial se aquele penálti tivesse entrado, mas o problema seria o mesmo. Não há jogadores de topo."

Em 2006, a seleção italiana venceu o Mundial, mas foi também nesse anos que o país mergulhou numa crise com o "calciopoli", uma investigação sobre um esquema de manipulação de resultados a envolver Juventus, AC Milan, Fiorentina e Lazio. Será outro motivo para a quebra?

"Talvez o início esteja aí, mas foi só o início, temos de pensar para a frente", conclui.

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