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Mundial 2026

Haiti. Era uma vez um país que se esquece da tragédia durante o Mundial

13 jun, 2026 - 16:15 • Redação*

Os caribenhos regressam a um Mundial 52 anos depois da última participação

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O Haiti, pequeno país das Caraíbas, prepara-se para regressar ao maior palco do futebol mundial mais de meio século depois da sua única presença, em 1974. Entre instabilidade política e desafios sociais profundos, a seleção haitiana volta a colocar o seu nome entre as melhores do mundo.

Com pouco mais de 11 milhões de habitantes e uma forte diáspora espalhada sobretudo pelos Estados Unidos e pelo Canadá, o futebol haitiano tem sobrevivido entre ciclos de esperança e frustração. O regresso a uma fase final de um Campeonato do Mundo representa, por isso, um dos momentos mais marcantes da sua história desportiva. A estreia está agendada para a próxima madrugada, às 02h00, contra a Escócia.

A única presença até hoje aconteceu em 1974, na Alemanha Ocidental.

Apesar da eliminação na fase de grupos, ficou para a história o golo de Emmanuel Sanon frente à Itália, que quebrou uma das mais longas séries de jogos sem sofrer golos de Dino Zoff e continua a ser um dos momentos mais emblemáticos do futebol haitiano.

Desde então, o percurso tem sido feito de tentativas e reconstruções. O Haiti manteve presença regular nas competições da CONCACAF, com destaque para as meias-finais na Gold Cup 2019, nunca voltando, no entanto, a uma fase final de um Mundial.

Foi, por isso, com surpresa e emoção que a seleção garantiu a qualificação para o Campeonato do Mundo de 2026. Num percurso exigente, o Haiti conseguiu ultrapassar adversários teoricamente mais fortes e assegurou o apuramento numa fase decisiva marcada pelo equilíbrio.

A equipa assenta numa mistura entre jogadores experientes e alguns jovens oriundos da diáspora, muitos deles formados em academias francesas e norte-americanas. Essa ligação externa tem sido fundamental para elevar o nível competitivo da seleção, que continua a procurar afirmação no contexto internacional.

Entre os nomes mais relevantes do plantel destaca-se Wilson Isidor. O avançado fez formação no Mónaco e no Rennes e atua pelo Sunderland na Premier League, tendo ajudado a equipa a chegar à Liga Europa na época de regresso à primeira divisão.

A convocatória haitiana também integra dois jogadores que atuam no futebol português. O médio Leverton Pierre e o avançado Yassine Fortuné chegaram ambos esta temporada ao Vizela e somaram minutos importantes ao serviço do clube minhoto.

O Haiti chega aos EUA com menos ingenuidade competitiva do que em 1974, mas com a mesma dose de imprevisibilidade que sempre caracterizou a sua história futebolística.

No grupo, a tarefa promete ser exigente. Brasil, Marrocos e Escócia são adversários difíceis e todos contam mais experiência que o Haiti.

Ainda assim, o regresso por si só já representa um feito histórico. Para um país tantas vezes marcado pela adversidade, voltar a um Campeonato do Mundo é mais do que futebol.

E, se em 1974 o mundo conheceu o Haiti através de um golo histórico em Munique, agora a seleção caribenha regressa com uma nova oportunidade de escrever a sua própria história no palco mais visto do futebol mundial.

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