06 jun, 2023 - 20:46 • Eduardo Soares da Silva
A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol não é contra a proposta da Federação de autonomizar a arbitragem profissional, mas pede uma discussão aprofundada para evitar projetos falhados.
Luciano Gonçalves, presidente da APAF, não é contra a ideia: "Tudo o que seja para defender e que possamos ter independência na arbitragem, iremos estar de acordo. Importa perceber os moldes, este mode dado pela FPF será apenas lançarmos a discussão. Como é óbvio, seria impensável pensar num projeto a curto-prazo. Como tudo na vida, tudo o que é feito à pressa, os resultados podem não ser os melhores".
Em declarações à margem da tomada de posse de Pedro Proença como presidente da Liga de Clubes, o dirigente da APAF confirma que será parte integrante do projeto, mas fala em "fase embrionária".
"Ficamos satisfeitos por ver que é o Conselho de Arbitragem que vai presidir o grupo de trabalho. Nós estarmos envolvidos no processo também me deixa satisfeito, mas é tudo embrionário, importa saber se será igual ao modelo inglês ou alemão", acrescenta.
Luciano Gonçalves só teve conhecimento da proposta "durante a manhã, mas não surpreendeu, porque a FPF procura o melhor para a arbitragem. O melhor para nós é termos a independência, mas ainda é cedo".
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) propõe a autonomização da arbitragem profissional e sugere a criação "de um modelo de organização que contemple um entidade externa, a exemplo do que já sucede em outros países".
O Conselho de Arbitragem, órgão que atualmente gere o quadro de árbitros portugueses, está sob alçada da FPF, mas, de acordo com o comunicado publicado esta terça-feira, a federação entende que a sua autonomização "permitirá utilizar ferramentas e mecanismos legais que garantam a constituição e desenvolvimento do quadro de árbitros mais adequado".
A FPF irá convidar a Liga e a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) para "integrar um grupo de trabalho que será liderado pelo presidente do Conselho de Arbitragem e que contará com o suporte da Direção Jurídica da FPF".
A independência do setor da arbitragem profissional tem sido um tema recorrente nos últimos anos em Portugal, com os diferentes organismos que gerem o futebol nacional a alertarem para esse necessidade.