17 jan, 2025 - 16:48 • Eduardo Soares da Silva
Nem Benfica, nem FC Porto, nem Sporting. O treinador Armando Evangelista acredita que nenhum dos candidatos ao título tem mostrado consistência que permita apontar um favorito nesta fase da época.
Em entrevista à Renascença no dia em que arranca a segunda volta do campeonato, o antigo treinador do Famalicão acredita que os minhotos podem voltar a bater as águias, como aconteceu na primeira jornada: "O Famalicão sente-se muito confortável nestes jogos".
O técnico acredita que a conquista da Taça da Liga pode empurrar o Benfica na segunda metade do campeonato, a turbulência no FC Porto pode dissipar-se com uma boa exibição e que o Sporting deverá ir ao mercado para ajustar o plantel ao novo sistema tático de Rui Borges.
Vê um favorito, tendo em conta o que as equipas estão a jogar nesta fase?
Muito sinceramente, não. Os crónicos candidatos ao título não têm mostrado uma consistência que diga que um deles provavelmente é o maior favorito. Sporting começou de forma muito consistente com uma série de vitórias consecutivas, mas a mudança do Ruben Amorim acabou por trazer algumas dúvidas para a segunda volta.
O Benfica e o FC Porto já tiveram momentos bons, menos bons e outros assim assim. Deixa isto em aberto, e até alguma curiosidade, para a segunda volta. Apontar um favorito, neste momento, não é fácil.
O Sporting era encarado como grande favorito, tinha até almofada de pontos. Tudo mudou, mas aparentemente está mais estável agora?
Aparentemente, sim. Sabemos que o Rui Borges está à procura de estabilidade, mas poderá levar o seu tempo. O que ele quer trazer reflete-se em algumas mudanças, principalmente em termos de sistema e ideia de jogo. Por vezes isso leva o seu tempo até estar consolidado.
Até pela mudança de sistema, o Sporting precisa mesmo de reforços?
Sim, quem trabalha com eles diariamente consegue aperceber-se disso. Por vezes, há jogadores com capacidade fantástica de adaptação a posições. Sabemos que este mercado é muito cirurgico e sabemos que mudanças profundas, para o imediato, não acrescentam grande coisa. Na era de Ruben Amorim, houve surpresas de adaptação de jogadores que funcionaram muito bem. E isso pode acontecer agora também, mas acredito que vão tentar ajustar o plantel ao sistema diferente neste mercado. Plantel foi criado, pensado e formado durante quatro anos para um sistema e podem existir lacunas, como é óbvio.
Taça da Liga pode ser um empurrão importante para o Benfica?
Parece-me que sim, sabemos que uma simples vitória num jogo pode trazer estabilidade quando ela não existe, um troféu ainda mais. Não deixa de ser um troféu a meio da época, em que pode dar um novo fôlego ao clube, ao plantel, a alguns jogadores. Temos o caso do Schjelderup que aparece na Taça da Liga e já se olha com outros olhos para ele. Pode ser um ponto importante para a segunda volta do Benfica.
Partilha da ideia que o Benfica tem o plantel mais apetrechado do campeonato?
Acaba por ser muito subjetivo. Aos meus olhos, posso ver certo jogador e achar que tem boas características individuais, mas que não encaixa nas ideias e dinâmicas. Quando olhamos para o que temos pela frente, parece-me que o coletivo ainda continua a prevalecer e é o que faz ganhar campeonatos, ainda que sejam precisas individualidades que resolvam certos jogos.
Benfica abre a segunda volta contra o Famalicão, que o Armando conhece bem. A segunda volta pode arrancar com uma surpresa?
Da forma que está o campeonato, não me admirava nada até pelo comportamento do Famalicão contra os maiores clubes. Têm dado sempre boas respostas, o Famalicão sente-se muito confortável nestes jogos. Ficaria admirado se o Benfica não estivesse precavido. Sabemos que o Famalicão venceu os últimos dois jogos ao Benfica, sendo verdade que foram em casa do Famalicão. Não é descabido olhar para este jogo e perspetivar uma surpresa.
Apesar da instabilidade no Porto, acha que estão dentro da luta pelo campeonato?
Tenho a certeza que sim. Olhando para a tabela classificativa, ela fala por si. As turbulências estão à distância de uma vitória e de um jogo bem conseguido para tudo passar e ficar esquecido.
O SC Braga este ano também não conseguiu estar na luta...
As expectativas é sempre de olhar para o Braga no início da época com potencial, quando é que se vai aproximar ainda mais do primeiro lugar. Este ano, está um pouco aquém dessa expectativa que quem gosta de futebol está sempre à espera.
Em termos pessoas, o objetivo é voltar em breve?
Passa sempre por aí. Sabemos que a nossa vida é árdua, sempre na procura de alguma estabilidade, o melhor projeto que dê mais estabilidade e que vá de encontro ao que perspetivamos de gestão de carreira. É uma questão de esperar, analisar bem o que tem surgido e procurar dar o passo certo.
Prioridade seria continuar na I Liga ou voltar ao estrangeiro como fez no Brasil?
Costumo dizer que hoje em dia, e não só no futebol, tem de olhar para o mercado de trabalho de forma global. Estando no mercado, não podemos restringir onde podemos trabalhar a uma cidade, país ou continente. A evolução das coisas tem-nos dito que temos de estar preparados para olhar para o mercado de forma global e analisar tudo o que possa chegar. É assim que olho para o meu futuro.