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José Boto “não vê com bons olhos a chegada de Cristiano Ronaldo só para Mundial de Clubes"

27 mai, 2025 - 15:40 • Hugo Tavares da Silva , Carlos Calaveiras

Diretor desportivo do Flamengo dá conta da sua visão sobre contratações, o futebol brasileiro e português e sobre a "big data".

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José Boto “não vê com bons olhos a chegada de Cristiano Ronaldo só para Mundial de Clubes"
Veja toda a conversa "Portugal e Brasil: tão Longe, tão perto" com José Boto, diretor Futebol CR Flamengo e Francisco Sousa, comentador Bola Branca. Foto: Lara Castro/RR

O diretor desportivo do Flamengo, José Boto, “não vê com bons olhos a chegada de um jogador só para o Mundial de Clubes”.

Numa altura em que Cristiano Ronaldo aparentemente se prepara para deixar o Al Nassr, o nome do Flamengo tem sido apontado como destino possível.

“Nós não vemos com bons olhos a chegada de um jogador só para o Mundial. Vamos tentar reforçar, mas com jogadores que sejam reforços para o restante da temporada. Estar a fazer algo que pode hipotecar a temporada, não vemos isso com bons olhos”, explicou.

Na 3.ª Conferência Bola Branca, José Boto falou sobre os seus dias no Brasil, um país onde há “uma falta de paciência enorme”. Em relação ao clube que agora representa não tem dúvidas:

“Um clube como o Flamengo pensa em entrar em tudo para ganhar. São 40 milhões de adeptos. Não podemos pensar a longo prazo, mas temos uma ideia de como queremos jogar e não vamos mudá-la à mínima contrariedade. Temos de ganhar ou ter obrigação de ganhar”, referiu.

Boto deixa a sua visão sobre o trabalho no Flamengo: “Fundamental [ter boa ligação com treinador], tem de haver boa sintonia. Não concebo a minha função sem q o treinador esteja alinhado com as minhas ideias, o presidente quer criar um ADN no Flamengo, quando as pessoas pensam de maneira diferente, ao mínimo resultado, se passamos de vinho para leite há alguma coisa que não está bem”.

Já questionado sobre os vários treinadores portugueses que estão no Brasil, o dirigente disse: “Procuram [treinadores portugueses] por moda. Os treinadores “têm sucesso porque nós temos uma cultura de trabalho, de estudo que não é habitual no Brasil, com cultura tática muito grande e nunca fechámos a porta a treinadores estrangeiros. Essa capacidade de criar a nossa identidade faz a diferença num país onde os treinadores pararam no tempo”.

Apesar disso, José Boto garante que “no Brasil há treinadores competentes, mas muitos deles não têm hipótese de mostrar o seu trabalho”.

O Brasileirão é um campeonato “muito competitivo”, alegadamente com “7/8 candidatos ao título”. “Depois, na realidade, este ano vão ser três ou quatro clubes [a lutar pelo título].

O antigo “chief scout” do Benfica lembra que este ano o Flamengo arrisca “fazer 86 jogos, em nenhum outro lado acontece”.

Precisamente sobre contratações, Boto diz que o Brasil está a viver uma “crise de talentos como nunca teve”. E que existem “mercados emergentes que não são tão peneirados onde os clubes portugueses ainda podem apostar, como os nórdicos”.

Sobre Portugal, “é um dos países que melhor forma jogadores, mas a aposta tem de continuar”. “Estamos muito à frente de outros países”, reforça.

“Portugal está num bom patamar, não sendo potência económica, mas no futebol conseguimos diminuir esse gap, mas não podemos deixar de perder essa qualidade de ‘beber’ de toda a gente”.

Questionado ainda sobre os avanços tecnológicos, no apoio às grandes equipas, Boto começa por considerar que “tudo o que possa ajudar a uma decisão é bem-vindo, mas não pode ser o decisor”.

“O futebol é um desporto bem diferente de outros desportos onde a big data tem importância e tem sempre de haver um olhar humano e entendido. É uma ajuda, não pode é ser isso a determinar a contratação de um jogador”, disse.

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