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Boavista. PJ faz buscas a "lucros ilícitos de 10 milhões de euros"

15 jul, 2025 - 10:40 • Eduardo Soares da Silva , Daniela Espírito Santo

Há seis arguidos, singulares e pessoas coletivas. PJ foi obrigada a arrombar a porta para entrar no Estádio do Bessa.

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A Polícia Judiciária (PJ) está a realizar, esta terça-feira, buscas no Boavista Futebol Clube.

Em comunicado, a PJ confirma que procedeu a buscas domiciliárias e não domiciliárias "no Grande Porto e em Viseu" para dar cumprimento a dez mandados de busca relacionados com "um grupo de empresas ligadas ao fenómeno desportivo". Foram constituídos seis arguidos, "singulares e pessoas coletivas".

Segundo o mesmo comunicado, estarão em causa crimes de "fraude fiscal, frustração de créditos e branqueamento, praticados por quadros dirigentes, contabilistas certificados, escritório de advogado e sociedade de revisores oficiais de contas". A investigação terá durado entre 2023 e "finais de 2024", para averiguar "lucros ilícitos estimados em cerca de dez milhões de euros".

Para além do Estádio do Bessa, a PJ está a realizar buscas também em casas de dirigentes e ex-dirigentes do clube, entre os quais Vítor Murta, antigo presidente do Boavista.

De acordo com imagens recolhidas pela CMTV, a PJ precisou de utilizar um aríete para conseguir entrar nos escritórios da SAD axadrezada no estádio.

"Movimentações em numerário" e "diversas transferências bancárias suspeitas"

Voltando ao comunicado da PJ, a investigação indica que o "modus operandi" utilizado implicava "contas bancárias de passagem tituladas por terceiros singulares, transferências internacionais e depósitos em numerário de origem e destino não clarificados". Segundo a missiva, os movimentos era justificados "apenas parcialmente e por contratos de empréstimos cruzados que levantavam suspeitas quanto à ocultação de rendimentos, desvio de fundos com vista a prejudicar credores e ulterior branqueamento".

Durante as buscas para encontrar provas de "movimentações em numerário" e "diversas transferências bancárias suspeitas", foi apreendida documentação e equipamento informático.

O Boavista caiu, este verão, da I Liga para os campeonatos distritais. Depois da despromoção com o último lugar no campeonato, o clube não conseguiu inscrever-se na II Liga e também não foi aceite nas competições da Federação Portuguesa de Futebol.

O clube não conseguiu provar a inexistência de dívidas, nem a regularidade da situação contributiva perante a Autoridade Tributária e a Segurança Social.

A direção do clube lamentou nunca ter sido envolvida pela SAD no processo de salvação do mesmo.

Na última quarta-feira, o clube foi declarado insolvente e o campo de treinos junto ao Estádio do Bessa foi leiloado por 5,55 milhões de euros. Também a SAD se declarou insolvente no dia seguinte, considerando uma "decisão ponderada e estratégica."

[Notícia atualizada às 12h22 de 15 de julho de 2025 para acrescentar comunicado da PJ]

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