25 ago, 2025 - 13:38 • Luís Aresta
Onde é que um Sporting – Porto se cruza com um Sporting – Benfica? A resposta está na imprevisibilidade do resultado nos clássicos, bem lembrada numa entrevista a Bola Branca por Gabriel Azevedo Mendes, no mundo da bola simplesmente Gabriel. O antigo lateral direito representou o FC Porto durante nove épocas (1974-1983) e o Sporting CP em quatro temporadas (1983-1987) e foi em Alvalade que participou num daqueles jogos entre grandes rivais que ficam para a história: os 7-1 do Sporting ao Benfica, a 14 de dezembro de 1986. O evento é recordado por Gabriel, a pretexto do clássico que aí vem, em Alvalade, para o qual o antigo jogador vê o FC Porto com mais condições para somar os 3 pontos.
“À partida, o Porto é mais favorito, parece-me que está melhor, mas são duas grandes equipas e espera-se que qualquer delas possa ganhar. Eu estou a lembrar-me que estava no Sporting, até estávamos a meio da tabela, e damos 7 a 1 ao Benfica, não é?” Ah, pois é...Do nada, pode sair uma goleada em Alvalade, embora o arranque de temporada de Sporting e Porto deixe antever um duelo equilibrado.
Este será o primeiro clássico em Portugal para vários jogadores do FC Porto, tenham ele mais ou menos experiência de grandes palcos. É o caso de Bednarek, Luuk De Jong, Froholdt, Gabri Veiga ou Borja Sainz. Do lado do Sporting estará o estreante em clássicos Luís Suarez. Quando recua aos seus tempos de jogador, Gabriel admite que semana de clássico era semana mal dormida.
“Todos os jogos são importantes e, quem me viu jogar, sabe que, qualquer que fosse o adversário, eu tentava sempre, sempre, dar o máximo. Agora, estes jogos, o que sai na imprensa, todos os dias a falarem daquilo, põe a gente a custar um bocadinho mais adormecer; mas pronto, na hora do jogo toda a gente dá o máximo” sublinha o antigo jogador de Porto e Sporting.
Nesta entrevista à Renascença, Gabriel confessa que “pela juventude e pela qualidade do futebol” o médio portista Froholdt o tem impressionado. Já o desempenho do técnico italiano Francesco Farioli – que está a pôr o Porto a jogar como não se via desde os bons tempos de Sérgio Conceição – parece não surpreender o antigo defesa. Para Gabriel, o bom arranque de época portista revela um treinador preparado e que sabia que contaria com um bom plantel.
“Não me surpreende, porque ele para vir para o Porto tinha de se por ao corrente do valor da equipa. Quando se junta ao valor da equipa o valor do próprio treinador, os resultados normalmente aparecem”, declara.
O clássico deste sábado, em Alvalade, acontece a poucos dias do fecho do mercado de verão. No Sporting, é quase certo que Harder sai; há incertezas quanto a Hjulmand e Morita. No Porto, o futebol saudita tenta seduzir o jovem talento Rodrigo Mora e Diogo Costa (que completou os 200 jogos de Dragão ao peito) também continua referenciado no mercado. Os milhões de euros dos dias de hoje estão muito acima dos milhares de contos do passado e, neste contexto, Gabriel não hesita na resposta, quando questionado se o mercado mexe com a cabeça dos jogadores.
“Disso não tenho a menor dúvida. Os jogadores são seres humanos e, se houver qualquer coisa que possa pender para sair, ou para ficar, não os deixa tranquilos e é normal que fiquem agitados” remata.