Futebol Nacional
Árbitros de futebol admitem “paragem total” e prometem “intensificar as ações de protesto”
03 dez, 2025 - 14:57 • Hugo Tavares da Silva
APAF exige alterações regulamentares à Liga Portugal para “garantir o respeito, a segurança e a dignidade do exercício da função de arbitrar”.
A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) deu conta, via comunicado, que as “alterações regulamentares” exigidas à Liga para “garantir o respeito, a segurança e a dignidade do exercício da função de arbitrar” foram recusadas ou não receberam uma resposta satisfatória.
Na ressaca dessa reunião de 12 de novembro, em que o presidente da Liga Reinaldo Teixeira esteve presente, soube-se que a APAF exigia novos castigos, entre eles um clube disputar um a três jogos à porta fechada caso repita, na mesma época, “ilícitos de lesão de honra ou reputação” nas críticas aos árbitros.
Mais: aquela associação exigia também a aplicação de uma multa entre os 30 ou 92 mil euros aos dirigentes que verbalizem “declarações ou emitam juízos pondo em causa a imparcialidade, a competência ou criando qualquer tipo de suspeição sobre árbitros”.
A lista era longa. A APAF exigia ainda ainda que um clube de futebol é considerado responsável "pelos atos cometidos por qualquer dos seus dirigentes, representantes, funcionários e demais agentes desportivos a si vinculados”. Os árbitros propunham ainda que, em casos de reincidência nas críticas, esse agente desportivo fosse punido com a perda de um a três pontos na classificação da I ou II Liga.
Agora, como a resposta não satisfez a APAF, os árbitros admitem agora engrossar a voz e a contestação.
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“Atendendo à resposta da Liga Portugal, que consideramos não satisfazer as pretensões apresentadas, anunciamos que os árbitros vão manter e intensificar as ações de protesto, até que sejam implementadas medidas objetivas e eficazes de forma a garantir o respeito, a segurança e a dignidade do exercício da função de arbitrar”, pode ler-se no comunicado da entidade presidida por José Borges, que tomou posse em meados de julho.
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E os árbitros acrescentam: “Consideramos avançar para uma paragem total dos árbitros, caso nada seja feito, em tempo útil, em relação às nossas propostas.
O comunicado tem o título “cartão vermelho à violência verbal”. No mesmo exige-se que o tema “seja finalmente encarado com a seriedade e profundidade que merece e que seja devidamente debatido na Liga Portugal, tanto em sede de Assembleia Geral como na Cimeira de Presidentes”.
Os árbitros reagem assim a mais um período controverso do futebol português, com um clima crispado entre dirigentes e árbitros.
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“É fundamental que as alterações regulamentares e disciplinares estejam, de forma clara, em cima da mesa, e que exista uma verdadeira vontade de ajustar o regulamento em benefício das competições”, pode ler-se ainda no comunicado publicado nesta quarta-feira.
A APAF revela ainda que, quando a Liga Portugal aprovar as exigidas alterações regulamentares, há um compromisso por parte do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, o antigo árbitro Pedro Proença, para ratificar as mesmas.
“O clima instalado está também a refletir-se nos árbitros das restantes competições, nacionais e distritais, em todos os escalões, com especial incidência na falta de segurança, tema que deve merecer a melhor atenção das entidades competentes”, salienta a APAF, que considera que “todos queremos e merecemos um desporto mais saudável”.
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