16 jan, 2026 - 12:45 • João Fonseca
Com a 18.ª jornada a marcar o arranque da segunda volta da I Liga, Manuel Cajuda analisou o campeonato em entrevista à Bola Branca. O experiente treinador sublinhou a surpreendente vantagem do FC Porto, lançou os clássicos decisivos da segunda metade e deixou reflexões fortes sobre jogadores, treinadores e o estado do futebol nacional.
O campeonato surpreendeu Cajuda logo na primeira metade. “A diferença pontual entre o 1.º, 2.º e 3.º não era perspetiva a esta altura”, começa por afirmar, destacando sobretudo o líder: “É surpreendente que o Porto, vindo de um dos piores campeonatos do ano passado, faça Ainda assim, o cenário é claro: “O Porto limita-se a fazer o seu campeonato normal e a não querer perder a vantagem que tem”, até porque, sublinha Cajuda, os dragões vêm “de algumas ausências de títulos e vão querer recuperar”.
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O calendário da segunda volta reserva duelos decisivos: FC Porto–Sporting (8 de fevereiro), Benfica–FC Porto (9 de março) e Sporting–Benfica (19 de abril). Para Cajuda, esses jogos vão pesar, e muito.
“Se o Porto ganhar ao Sporting fica a 10 pontos do segundo classificado. Agora, se perder, anima o campeonato”, explica, acrescentando que os leões “estão a fazer um campeonato muito bom, só ofuscado pelo super campeonato do FC Porto”.
Sobre o Benfica, deixou uma leitura positiva: “O Benfica está a melhorar muito, está muito mais forte, muito mais organizado”, justificando a evolução com o tempo de trabalho do treinador e a exigência do calendário inicial.
No capítulo individual, Cajuda destacou um nome: “Nunca mais ninguém falou no Gyökeres… foi completamente esquecido, porque houve rendimento por parte do Suárez”, apontando o avançado como uma das grandes surpresas da época. Também elogiou as contratações do FC Porto: “Não eram jogadores de primeiríssimo plano, mas estão a ter um comportamento excelente.”
Entre os treinadores, deixou elogios a César Peixoto e a Ricardo Borges, sublinhando a dificuldade atual em manter projetos: “Hoje os treinadores duram muito menos tempo do que no meu tempo… agora um ano, dois e depois desaparecem”, valorizando quem consegue crescer de forma sustentada.
Cajuda fechou com uma crítica contundente ao clima em torno da arbitragem: “Surpreendo-me que se façam tantas mesas redondas com gente quadrada à volta delas”, lamentando que, após os jogos, “já não se discute futebol, discute-se arbitragem”.
Para o treinador, apesar de melhores infraestruturas e tecnologia, o futebol português não evoluiu como podia: “Não vejo que haja grande evolução na promoção do negócio. O futebol hoje é um negócio próspero, mas dá-me confusão.”
Com a segunda volta em marcha, Cajuda deixa o aviso: a margem é curta, os clássicos contam, e o campeonato ainda não está decidido.agora a melhor primeira volta de sempre do clube.”
Apesar da vantagem portista, o treinador com mais de 500 jogos na Primeira Liga recusa dar o título como fechado: “Haver margem há, mas é uma margem muito reduzida”, lembrando que “equipas com 7 e 8 pontos de avanço já perderam campeonatos”.