Arbitragem
João Pinheiro foi nomeado para 6 dos últimos 10 clássicos entre Benfica e Porto: é normal? Perguntámos ao VAR Bola Branca
06 mar, 2026 - 16:00 • Inês Braga Sampaio , Hugo Tavares da Silva
Contas feitas, somando o clássico deste fim de semana em Lisboa, serão três jogos na Luz e três no Dragão desde 2022/23, sempre para a Liga, para o árbitro da AF Braga. Têm a palavra Tiago Rocha, José Leirós e Tiago Antunes.
No domingo joga-se, na Luz, mais um clássico entre Benfica e FC Porto. É uma história já longa e com muitos capítulos entre estes dois cromos importantes da caderneta, os dois maiores triunfadores do futebol nacional. Mas há outro cromo que se tem vindo a repetir: o árbitro João Pinheiro.
Nos últimos nove jogos entre encarnados e dragões, o árbitro da Associação de Futebol de Braga, na primeira categoria desde 2015 e internacional desde 2016, apitou cinco. Ou seja, a partir de segunda-feira, João Pinheiro terá apitado seis dos últimos 10 jogos entre FCP e SLB. Contas feitas, serão três jogos na Luz e três no Dragão desde 2022/23, sempre para a Liga. No mesmo período, João Pinheiro apitou ainda quatro dérbis lisboetas.
Já segue a Bola Branca no WhatsApp? É só clicar aqui
Para conhecer melhor este árbitro e também para entender se esta recorrência se trata de uma situação normal, a Renascença foi ouvir os seus três VAR Bola Branca. A partir daqui, na primeira pessoa, têm a palavra Tiago Rocha, José Leirós e Tiago Antunes.
Que avaliação faz de João Pinheiro (em concreto para este clássico)?
Tiago Rocha: “A nomeação de João Pinheiro é quase esperada, é sempre uma escolha feita em função dos últimos jogos, do momento, das suas prestações, parece-me que é uma escolha acertada, tendo em conta as suas prestações, quer internamente, quer a nível das competições europeias".
José Leirós: “João Pinheiro é uma boa nomeação, é um árbitro que tem muita experiência, que tem sido aposta da UEFA. Arbitrou uma final das competições europeias na época passada, e certamente a FIFA tem-no nomeado e poderá ser o representante da arbitragem portuguesa no Campeonato do Mundo”.
Tiago Antunes: “João Pinheiro chega ao clássico Porto-Benfica num momento delicado. É um árbitro experiente, está habituado a grandes palcos, mas a época de facto tem sido marcada por irregularidade, por decisões discutíveis, critério oscilante e alguma perda de confiança pública nas suas prestações. Para domingo, o desafio é enorme. Terá de mostrar controlo emocional, firmeza disciplinar e a capacidade para gerir um jogo que promete intensidade máxima. Se conseguir estabilizar o seu critério desde cedo e manter coerência nas decisões, pode encontrar neste clássico uma boa maneira de recuperar a autoridade e fechar feridas de uma época que tem sido difícil".
É normal ter sido nomeado para seis dos últimos 10 jogos entre Porto e Benfica?
Tiago Rocha: “É sinal de que, ao longo dos tempos, as suas prestações são consistentes. Não podemos fazer a avaliação como repetitiva, mas porque naquela altura, naquele dado momento, na escolha para aquele jogo, se calhar era o árbitro que se encontrava nas melhores condições para o fazer, dada a fase da época, do tipo de encontro, das prestações e dos restantes elementos que poderiam apitar o encontro”.
José Leirós: “É normal, nos últimos 15 anos tem acontecido isso, não há muitos árbitros para arbitrar estes jogos mediáticos, jogos difíceis, e o Conselho de Arbitragem recebeu do Conselho de Arbitragem anterior poucas possibilidades. Esta época, está a lançar e dar experiência a outros árbitros, e certamente que os outros árbitros, que fazem todos partes da mesma equipa, não ficam melindrados nem têm qualquer falta de confiança neles quando veem João Pinheiro ou Luís Godinho serem nomeados para estes jogos”.
Tiago Antunes: “Não é comum. Este padrão de renovação revela duas coisas: por um lado, a confiança que o Conselho de Arbitragem vai depositando em João Pinheiro para jogos de altíssima tensão. Por outro, a limitação evidente de alternativas consideradas seguras para este tipo de palco. Esta repetição também levanta questões de equilíbrio competitivo e de desgaste. Quando o mesmo árbitro vai aparecendo tantas vezes no mesmo confronto, aumenta a pressão, a exposição e a probabilidade de polémica. É um sinal da estrutura, não é apenas do árbitro”.
Pode ser interpretado como um sinal de falta de confiança nos outros árbitros?
Tiago Rocha: “Não me parece que o Conselho de Arbitragem tenha falta de confiança nos restantes árbitros, até porque temos bastantes e bons árbitros ao mesmo nível. Estamos a falar de Luís Godinho, Fábio Veríssimo e outros árbitros mais recentes. É sempre uma escolha feita face ao momento, o tipo de jogo e a fase da época. Não me parece que tenha a ver com a falta de confiança e falta de árbitros. A escolha é sempre ponderada para o tipo de jogo, pelo momento da época e o tipo de prestação que o árbitro tem vindo a ter nos últimos encontros”.
José Leirós: “É uma situação normal. A quantidade, a experiência e a qualidade de árbitros é um problema que há em Portugal, e é nisso que a Federação Portuguesa de Futebol está a trabalhar”.
Tiago Antunes: “Pode ser interpretado como um sinal de falta de confiança nos outros árbitros, é essa a conclusão a que eu chego. Quando João Pinheiro é escolhido de forma tão recorrente para clássicos, isso mostra que o Conselho de Arbitragem não vê muitos nomes capazes de assumir este tipo de jogo com a mesma segurança. A repetição para mim não reflete apenas mérito individual do João Pinheiro. Reflete também um quadro competitivo curto, em que poucos árbitros são considerados preparados para a pressão, o ritmo e a complexidade de um Porto-Benfica. No fundo, a nomeação diz tanto sobre Pinheiro, como sobre a fragilidade das alternativas”.
- Bola Branca 18h15
- 08 mai, 2026







