Paulo Sousa
Manuel José é uma “lenda do futebol português”
09 abr, 2026 - 18:35 • Matilde Pinhol
Paulo Sousa foi o jogador português mais utilizado pelo técnico Manuel José.
E esta quinta-feira faz 80 anos uma lenda do futebol português: Manuel José.
A este propósito a Renascença ouviu Paulo Sousa, antigo lateral direito, que foi o jogador português mais utilizado pelo técnico: 166 vezes.
Como acha que, hoje em dia, passados estes anos todos, Manuel José deveria ser recordado?
Como uma lenda do futebol português, porque ele treinou nos melhores clubes portugueses, treinou lá fora uma grande equipa, foi para a Arábia e era um deus lá. Ele foi o professor destes novos treinadores que apareceram agora. Muitos treinadores passaram por ele, ou trabalharam com ele, ou foram aos jogadores dele, e agora têm o reconhecimento e dão-lhe o devido valor.
O que é que significa para o futebol português ter viva uma figura como Manuel José, que no fundo acaba por ser história viva da própria Liga?
É importante para o futebol português. É sinal que eu acredito que ele fez uma aprendizagem muito grande e ensinou muita gente a ter os métodos de treino e trabalho de técnico. Foi um marco no futebol português durante muitas décadas. Por acaso, estive no almoço do aniversário dele.
Esteve muita gente, muitos treinadores, muitos jogadores conhecidos do futebol português. Uma festa muito bonita e uma homenagem muito bonita que ele merece. E o reconhecimento por aquilo que ele fez para o futebol português. E eu sinto-me grato também de fazer parte.
E depois de todos estes anos, qual é que considera ser o maior legado que deixa, Manuel José?
O maior legado, eu acho que é a seriedade no trabalho, a competência, a responsabilidade, acima de tudo foi sempre sincero e não saiu dos seus princípios. Ele sempre foi uma pessoa com ideias fixas.
Se calhar não treinou o Benfica, Sporting, se calhar não treinou outros clubes em Portugal por causa da mentalidade dele, porque ele era uma pessoa com ideias fixas e havia clubes que não tinham essa mentalidade. Então ele optou por ir para fora e ainda fez uma grande carreira no estrangeiro.
Como é que era trabalhar com Manuel José no Boavista?
O Manuel José fez parte do Boavistão. Foi ele que implantou o Boavistão e o Boavista cresceu muito através da presença dele no clube durante cinco ou seis épocas que ele esteve no clube. Fiz parte disso, ganhei duas Taças e duas Supertaças.
Uma, até por engraçado que seja, foi contra ele, estava ele já no Benfica, no tempo em que o nosso treinador era o Mário Reis. Mas ele sempre foi uma pessoa de trabalho, era muito sério, trabalhávamos muito, mas era uma pessoa cordial, uma pessoa que brincava quando tinha que brincar, era uma pessoa que nos dava bons conselhos. Sempre a incentivar, a não nos deixar gastar dinheiro mal gasto, era a preocupação dele, ele dizia que a vida era curta, que o futebol era curto, e para nós pouparmos, isto passava num ápice, e é verdade.
E é curioso aquilo que dizia sobre o facto de usar esses conselhos de não gastar, o futebol é curto, se calhar hoje os jogadores têm mais essa consciência, mas nessa altura, se calhar não se falava tanto disso
Isto era de uns conselhos que ele mais nos dava. Eu lembro perfeitamente, uma vez comprei um carro novo, ele deu-me o cabo da cabeça, disse-me logo, vai já outra vez para o canidelo jogar a bola, porque ele preocupava-se em termos futuros, para nós termos um pé de meia, é lógico que não se ganhava os valores que se ganha agora, nem os milhões que se ganha agora, mas para o salário atual já ganhávamos bem, e então como a vida era curta, ele preocupava-se e dizia aos seus jogadores para terem cuidado, que isto passava rápido, para não nos metermos em loucuras, era uma das maiores preocupações dele. E foi com bons conselhos e bons princípios que nos passou.
Manuel José orientou vários clubes em Portugal e o Al-Ahly, do Egipto.
- Bola Branca 18h15
- 14 abr, 2026








