Torreense vence Taça de Portugal
Festa noite fora. Hoje é "feriado" em Torres Vedras após vitória inédita
25 mai, 2026 - 01:13 • João Maldonado
Milhares de adeptos saíram à rua para festejar o título inédito do Torreense. É a primeira equipa do segundo escalão a conquistar a Taça de Portugal. “Tralhão leva-me à primeira divisão” é agora o pedido que é feito ao treinador do clube de Torres Vedras.
Na autoestrada vindos de Lisboa é imediatamente claro o que acontecerá no destino desta reportagem. A festa rija, como tinha vindo a ser avisado ao longo do dia, talvez até mais em tom de brincadeira pelos adeptos de Torres Vedras, iria mesmo ganhar vida e sair do papel. Os carros com cachecóis e bandeiras multiplicam-se com a aproximação à cidade. Já por cá: uma terra inteira saiu à rua para gritar “O orgulho do Oeste somos nós”.
Nem nos melhores sonhos podia quem tem uma casa com vista para o edifício da Câmara Municipal pensar que a pequena varanda onde agora se empoleiram serviriam como camarote com vista central para a chegada da equipa que acabou de vencer a Taça de Portugal ao campeão em título na prova com um golo marcado de grande penalidade no final do prolongamento.
“Inesquecível” é a palavra mais escolhida por quem às ruas decide vir bailar. Porque é isso que se passa já depois das 23h e enquanto se aguarda o retorno dos novos heróis da cidade. Canta-se “Campeões, campeões, nós somos campeões” e ao som de um DJ estamos numa autêntica discoteca ao ar livre.
“Um percurso espetacular”, diz um adepto. “Amanhã é feriado em Torres”, declara outro, direitinho do Jamor para as ruas da terra. Tal como a Renascença já havia experienciado pela manhã, o fair-play, tão raro no convívio que envolve o futebol de hoje em dia, é por aqui brutal. “Sou sportinguista, mas adorei que a minha cidade tivesse ganho”, grita uma adepta de coração dividido, mas recebida pelos amigos que a rodeiam como se 100% do Torreense fosse. Veio para a festa, como todos os que aqui estão, e ninguém nisso vê mal.
Stopira. É mais que justo que um parágrafo isolado seja dedicado ao capitão do Torreense. Aos 38 anos atingiu o ponto mais alto da carreira. E quem diria que seria na segunda época ao serviço do clube de Torres Vedras que Ianique dos Santos Tavares o faria. E quem diria que ainda vai jogar uma subida de divisão e logo a seguir um campeonato do mundo pela sua seleção de Cabo Verde. Sobre o capitão um fã diz apenas “magnífico” - magnífico Stopira que não tremeu na hora de garantir um lugar na Supertaça e na Liga Europa da próxima época.
“Vamos para a primeira” é o desejo que ecoa agora na cabeça de todos aqueles que aqui estão. E como não? Fizeram o que se achava impossível. Agora, tudo está ao alcance. De manhã escrevia num outro texto que logo se veria se a fabulosa caminhada do Torreense esta época terminaria com uma subida ao Céu ou se o magnetismo da Terra seria mais forte. Um dos passos rumo à eternidade desta equipa está dado. Falta o outro. De qualquer forma, um duelo com o Futebol Clube do Porto e com 7 equipas europeias já estão garantidos.
Passa já das 00h quando o plantel do Torreense surge para que todos o possam ver no centro da cidade onde está sediado. É domingo, mas há milhares de pessoas nas ruas. São de todas as idades e não páram de cantar. O futebol tem esta magia de fazer os problemas evaporarem-se. Na varanda da autarquia, com a bandeira do clube bem lá no alto, os jogadores incentivam os adeptos a continuar a festa enquanto mostram e levantam vezes sem conta a taça que trouxeram do Estádio do Jamor. “Deixem passar o maior de Portugal” ou “Tralhão leva-me à primeira divisão” são dos cânticos mais escolhidos.
Hoje festeja-se, amanhã volta-se ao trabalho. Que pode ser que lá para quinta-feira haja nova celebração.
- Bola Branca 18h15
- 08 jun, 2026















