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4ª Conferência Bola Branca

Hugo Oliveira: "O futebol é beleza, é arte. Esquecemo-nos todos muitas vezes disto"

29 mai, 2026 - 13:45 • João Filipe Cruz (entrevista) , Inês Braga Sampaio (texto)

Na Conferência Bola Branca, o treinador do Famalicão pede melhores comportamentos por parte dos intervenientes e recorda: "Se o espetáculo não for bom, saem todos prejudicados".

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Hugo Oliveira, treinador do Famalicão, considera que o futebol português se esquece frequentemente de que o desporto é entretenimento e que, se não houver espetáculo, não suscitará o interesse do público.

"O futebol é beleza, o futebol é arte. Esquecemo-nos todos muitas vezes disto. O mecanicismo tem vindo a assumir um papel fundamental, o quantitativo tem trazido cada vez mais força aos jogo e à análise e a tudo o que é futebol, mas o futebol é arte e o futebol é talento", destaca, em entrevista na 4ª Conferência Bola Branca, que decorreu na quinta-feira.

Perante o público do auditório da Renascença, em Lisboa, Hugo Oliveira assume que o que mais o "atrai" é "poder, através do jogo, trazer para as pessoas, depois de uma semana de trabalho, alguma beleza".

"Os nossos jogos são apelativos?"

No entender do treinador, Portugal está "muito longe do futebol de alto nível", em especial da Premier League. Não nas ideias, na competência técnico-tática ou no talento de treinadores e jogadores, mas sim "na organização do jogo como um todo". A solução, ou um passo decisivo nessa direção, será parar e reunir, para melhorar a imagem do futebol nacional.

"Que imagem passamos dos nossos jogos? São positivos? São apelativos? A Liga portuguesa é apelativa para ser vista? Os estádios têm condições? Eu estou a pedir um estádio em Famalicão ao tempo, porque os adeptos merecem um estádio mais condizente, que não seja tão frio. Ou seja, que apeteça ir ao estádio. Que aproxime o jogador. Que possamos vender este jogo. O nosso jogo tem de ser mais atrativo, não pode parar tanto. Não pode ter tantas paragens para impedir o adversário de jogar. Não devemos ter um jogo tão de sobrevivência", argumenta Hugo Oliveira.

O técnico entende o jogo de sobrevivência: "O 'gap' financeiro entre a I Liga e a II Liga é tremendo. Uma equipa em Portugal que desça, para sobreviver a seguir é muito difícil. A manutenção na I Liga é de tal maneira importante que há alturas em que tem de se sobreviver. Mas sobreviver é deitar a bola fora para que não se jogue? É continuamente o guarda-redes estar sentado no chão? É não pensar no espetáculo e colocar todos os jogadores para levar um ponto? Há muitas formas de viver e não sou eu que vou criticar o meu vizinho. Devemos olhar o jogo como uma forma de atingir objetivos e resultados, mas isto é um desporto, um espetáculo", diz.

E como trazer espetáculo à Liga portuguesa? Criando um jogo que seja emotivo, afirma, porque "as pessoas hoje em dia procuram momentos".

"Ir ao estádio tem de ser uma procura de momentos. Para isso, eu tenho de ir ao estádio e eu não posso saber quanto vai ficar", explica.

Hugo Oliveira e o adeus à Europa: “O futebol é bonito por causa disto. Aconteceu futebol, foi um dia fantástico”
Hugo Oliveira e o adeus à Europa: “O futebol é bonito por causa disto. Aconteceu futebol, foi um dia fantástico”

Hugo Oliveira não retira importância a vencer: "O ganhar é fundamental e uma forma de ajudar à felicidade. Mas não é tudo. E nem tudo justifica".

Nesse sentido, o treinador do Famalicão quer ver melhores exemplos.

"Nós, intervenientes do desporto futebol, somos demasiado importantes para não pensarmos no nosso comportamento quando estamos na atividade. Somos um pouco exemplo para as novas gerações e para aqueles que querem chegar a estes momentos, e temos de nos pautar por um comportamento que seja condizente com a exigência do ponto de vista humano, sem nunca deixar de ter fome e ambição de ganhar", vinca.

Com a experiência dos anos em Inglaterra, que declara terem-no ajudado a ganhar maturidade e outra visão do futebol, Hugo Oliveira reforça que, "se o espetáculo não for bom, saem todos prejudicados".

"O futebol português devia juntar mais as pessoas que estão na pirâmide, de baixo até ao topo. Se não pararmos todos e não nos sentarmos — árbitros, treinadores, jogadores — não vamos fazer o jogo evoluir, não vamos fazer o jogo mais apelativo. Nós trabalhamos para os adeptos. Temos todos de entender que isto é entretenimento, não é guerra. Trabalhamos todos para o mesmo", declara o técnico.

A 4ª Conferência Bola Branca decorreu na quinta-feira, no auditório da Renascença, em Lisboa. Conta com convidados como Luís Montenegro, André Villas-Boas, Pepijn Lijnders, Antonio Gagliardi, Pedro Proença e Reinaldo Teixeira. Pode recordar todos os painéis aqui.

Intitulada “A Excelência no Futebol", a Conferência Bola Branca centrou-se nos caminhos para a excelência no futebol português e mundial e faz a transição entre o fim das ligas profissionais, a conclusão das principais competições europeias de futebol e a preparação final do Mundial.

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