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Duarte Gomes confirma quebra de "confiança institucional" após receber informação de árbitro

01 jul, 2026 - 13:25 • Inês Braga Sampaio

Ex-diretor técnico nacional de arbitragem salienta que, após investigar informação de árbitro, a continuidade em funções teria sido "incompatível" com os seus princípios.

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Duarte Gomes confirma, esta quarta-feira, que renunciou ao cargo de diretor técnico nacional de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) após ter recebido e investigado informações de um árbitro que levaram a uma quebra de "confiança institucional". A continuidade em funções teria sido "incompatível" com os seus princípios.

De acordo com o "Record", Duarte Gomes demitiu-se por ter perdido a confiança no presidente do presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, por suspeitas de alegada ingerência nas nomeações de árbitros para o futebol profissional, em concreto nos jogos do Estrela da Amadora. Em comunicado no Facebook, o antigo árbitro confirma ter recebido "um conjunto de informações", da parte de um árbitro profissional, "que, pelo seu teor e sensibilidade", suscitaram "preocupações institucionais muito relevantes".

Segundo o mesmo jornal, o árbitro Hélder Malheiro contou a Duarte Gomes que soubera antes do anúncio oficial que iria ser nomeado para apitar o jogo do Estrela da Amadora frente ao Moreirense. O árbitro terá afirmado que soube através de um antigo árbitro assistente que trabalha no clube da Reboleira, o que, no entendimento do agora ex-diretor técnico nacional, levantava dúvidas sobre o processo de nomeação.

"Entendi ser meu dever institucional proceder às diligências que considerei adequadas e que foram conduzidas com reserva, neutralidade e transparência. O objetivo dessa iniciativa foi esclarecer internamente toda a situação e aferir se se encontravam reunidas as condições de tranquilidade indispensáveis ao normal exercício das minhas funções", pode ler-se no comunicado do Duarte Gomes, que acrescenta:

"Após o decurso dessas diligências, concluí que não era possível restaurar o grau de confiança institucional que considerava essencial ao desempenho do meu cargo. Por essa razão e entendendo que a minha continuidade em funções seria incompatível com os princípios e valores que sempre pautaram a minha vida, tomei a decisão de me demitir."

O antigo árbitro realça que "em nenhum momento" colocou em causa "a honra, o bom nome ou a reputação" de qualquer pessoa, instituição ou membro dos órgãos sociais da FPF e do Conselho de Arbitragem.

"Nunca tornei públicos nomes, factos concretos ou circunstâncias específicas relacionadas com esta matéria", salienta.

Duarte Gomes mostra-se, ainda, "totalmente disponível" para prestar "todos os esclarecimentos adicionais" que lhe sejam solicitados pelas entidades competentes, acerca das informações que recebeu e investigou.

Estrela desmente, Benfica e Porto pedem explicações

O presidente do Estrela da Amadora, Paulo Lopo, já reagiu. Em declarações a Bola Branca, garante que o clube amadorense nunca soube antecipadamente que árbitros iam apitar os seus jogos.

"Isso não corresponde à verdade, se alguém soube foi porque Duarte Gomes contou a alguém. O Estrela da Amadora não soube da marcação desse jogo, nem de outros. Só sabemos no dia anterior, às vezes um dia e meio", declara Paulo Lopo, que admite levar Duarte Gomes a tribunal.

O Benfica pediu uma "reunião de emergência" com o Conselho de Arbitragem e exige "esclarecimentos completos e garantias de que a arbitragem portuguesa não continuará sujeita a pressões, condicionamentos ou influências que colocam em causa a verdade desportiva".

O FC Porto pediu uma "reflexão profunda" a Pedro Proença e exige "esclarecimentos com a maior urgência" sobre a saída de Duarte Gomes do Conselho de Arbitragem da FPF.

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