Ténis
Duas reviravoltas, três "tie breaks" e a final mais longa da história. Alcaraz supera Sinner e é bicampeão de Roland Garros
08 jun, 2025 - 20:09 • Inês Braga Sampaio
Número 1 do mundo teve três "match points", depois foi o número 2 a desperdiçar o serviço para vencer. Ao fim de quase cinco horas e meia, Carlos Alcaraz chegou ao quinto Major.
Carlos Alcaraz é bicampeão de Roland Garros. O espanhol, número 2 do mundo, derrotou o número 1, o italiano Jannik Sinner, na final mais longa da história do torneio, e chegou aos cinco títulos do Grand Slam.
Foram cinco horas e 29 minutos de ténis entre os dois melhores da atualidade. Um triunfo da garra de Alcaraz, que recuperou de 2-0 e "break" abaixo, no terceiro set, e defendeu três "championship points" no quarto, para fazer o que nunca antes conseguira: uma reviravolta depois de perder os dois primeiros parciais. Foi assim que o novo rei da terra batida reteve a coroa, mesmo sem praticar o melhor ténis e mesmo quando parecia condenado, frente ao líder da hierarquia mundial, que este ano teve de cumprir três meses de suspensão devido a doping.
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Num primeiro set mais vezes decidido por erros do que por "winners", Sinner quebrou cedo o serviço de Alcaraz, mas sofreu logo o "contra-break". Contudo, foi também rápido a recuperar e, depois de ser assistido devido a uma bolha num pé, fez o 5-4 e, de seguida, o 6-4 no serviço do espanhol, cujo ténis flutuava a nível de qualidade de ponto para ponto.
Essa instabilidade de Alcaraz continuou no segundo parcial, em que Sinner chegou rapidamente ao 3-0 e, depois, ao 4-1 e ao 5-2. Até que o campeão em título acordou e, ao som de "Carlos! Carlos! Carlos!", acelerou para vitórias em três partidas consecutivas, para empatar em 5-5 e forçar o "tie break" no 6-6. Contudo, no desempate, Sinner adiantou-se, conseguiu resistir à reação de Alcaraz e fechou o segundo set.
Alcaraz nunca recuperara de dois sets abaixo para vencer um encontro e precisava de ser perfeito, ou quase, a partir do terceiro set para sonhar, sequer, quebrar essa "malapata". E tudo parecia perdido quando Sinner abriu a contenda logo com um "break". Mas o número 2 do mundo recuperou a luta e ganhou quatro partidas seguidas, para o 5-2. De súbito, parecia estar por cima mentalmente, lançado para fechar o parcial com uma tranquilidade inesperada e reentrar na discussão do título.
O italiano não desarmou, contudo, e não só venceu o seu jogo, como quebrou o serviço de Alcaraz, voltando a encostar o rival à parede e ameaçando a "varridela". Porém, "Carlitos" respondeu com um 40-0 no serviço de Sinner para fechar o terceiro parcial a seu favor, forçando um quarto set que, 40 minutos antes, parecia muito improvável.
No quarto set, Sinner ficou à beira do "break" ao terceiro jogo, mas Alcaraz conseguiu anular e fez o 2-1. O que se via, todavia, era que o italiano, em geral, ganhava os seus sets com relativa facilidade e, por outro lado, colocava muitas dificuldades nos serviços do espanhol. Algo que viria a dar frutos ao sétimo jogo, quando conseguiu quebrar o serviço do campeão (com erros de Alcaraz à mistura) sem resposta.
Sinner fez, então, o 5-3 e chegou ao serviço de Alcaraz com possibilidade de se sagrar campeão. E essa confiança foi visível quando rapidamente chegou aos 40-0 e ficou com três "match points" para levantar a taça.
E o que aconteceu? Novo volte-face. Encostado às cordas, Carlos Alcaraz venceu quatro jogos de uma assentada e ganhou a partida.
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Só que agora era Sinner a servir, para o campeonato. Obrigado a quebrar o serviço do adversário, Alcaraz voltou a agigantar-se e chegou aos 40-15, com dois pontos de "break" ao seu dispor, e agarrou logo o primeiro. De seguida, venceu o jogo de serviço em branco, para o 6-5, e voltou a empurrar a bola para o lado do italiano.
Sinner é Sinner, ainda assim, e conseguiu forçar, ainda que entre dificuldades, o "tie break" e, aí, a primeira coisa que fez foi quebrar o serviço do espanhol e, depois, chegou ao 2-2. Só que Alcaraz ainda voltaria a renascer das cinzas: deu a volta e, num ápice, venceu o desempate por 7-3. Quinto set, aqui íamos nós.
Era Jannik Sinner o primeiro a servir. E foi Jannik Sinner o primeiro a ceder: Carlos Alcaraz entrou a todo o gás no quinto set e quebrou-lhe imediatamente o serviço, e depois fez o que tinha a fazer para o 2-0. Quando tinha tudo para fazer o 3-1, contudo, permitiu que o número 1 do mundo recuperasse. Ainda assim, na "hora H", conseguiu mesmo manter a vantagem, tal como para o 4-2 e o 5-3. Sinner não facilitou no seu serviço, fazendo o 5-4, e empurrou a responsabilidade de volta para o adversário. E eis que a fénix, que tivera de defender três "match points" uma hora antes, servia para se sagrar bicampeão.
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Alcaraz cedeu à pressão nas duas primeiras partidas e permitiu que Sinner chegasse ao 30-0. Respondeu a tempo, para o 30-15, mas depois, Sinner chegou "in extremis" a um "amorti" do número 2 mundial e ficou com dois pontos de "break" para gastar. O espanhol voltou a não conseguir suster a tensão e permitiu que o italiano empatasse. 5-5.
Dois ases, uns quantos erros e dois "rallies" longos depois, Sinner fez o 6-5 e, pelo menos, forçar o "tie break" final. E Alcaraz, que minutos antes servira para conquistar o título, servia agora para não o perder.
Mais um "rally" longo e uma grande pancada de Alcaraz: 15-0. 15-15. E eis que uma pancada que saiu longa ofereceu o 15-30 a Sinner. Mas depois foi o italiano a falhar, para o 30-30. O público rugia, ouviam-se os "shhhh's". Ao quinto jogo, Alcaraz salvou um ponto impossível e conseguiu fazer o 40-30, para gáudio das bancadas. Uma bola mesmo na linha valeu o 40-40. Não obstante, o espanhol prevaleceu de novo e ganhou a vantagem. E de seguida, mandou a final para o desempate. Nunca na história o Major francês fora decidido no "tie breaker".
E eis que Carlos Alcaraz puxou do melhor ténis, no mais decisivo dos momentos, e depois de tantos altos e baixos, tantas voltas, reviravoltas e contravoltas, e disparou para o 7-0 que nem um jato. Sinner ainda reagiu e fez o 7-2 no seu serviço. Uma bola longa do italiano deixou o espanhol a dois pontos da glória. Bola na rede, 9-2. Alcaraz ficava com sete "championship points", sete pontos para se fechar o bicampeonato.
Só precisou de um: na resposta ao serviço de Sinner, o campeão em título encaracolou uma pancada à linha e, ao ver a bola amarela tirar o branco ao pó de tijolo, caiu ao chão, engolido pelo rugido do público.
Um clamor não de quem diz "finalmente!", ao cabo de cinco horas e 29 minutos, a mais longa final da história do Open de França; mas sim de alguém que celebra uma grande vitória após um grande espetáculo. E o resultado? Não perca o fôlego: 4-6, 6-7 (4-7), 6-4, 7-6 (7-3) e 7-6 (10-2).
É o quinto Major de Carlos Alcaraz, o segundo título consecutivo em Roland Garros, que junta ao bis em Wimbledon (2023, 2024) e a uma vitória no US Open (2022) — aos 22 anos, só lhe falta conquistar a Austrália. Roland Garros volta a coroar um, e o, espanhol.
- Bola Branca 18h15
- 15 mai, 2026












