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Volta a Portugal

Iúri Leitão, o campeão olímpico que devolve à Volta a Portugal a figura do ídolo

12 ago, 2025 - 09:50 • Pedro Castelo*

Com a chegada a Viseu na quinta etapa, Iúri Leitão ascendeu à liderança da classificação dos pontos. O campeão olímpico confessou-se: “Acho que não vai dar para ir até ao fim com esta camisola..."

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A edição deste ano da Volta a Portugal tem um protagonista que vai muito além do que se passa nas estradas. Iuri Leitão, ciclista português da equipa espanhola Caja Rural, chega ao pelotão nacional com o ouro olímpico conquistado nos Jogos de Paris 2024 ainda fresco na memória coletiva.

E, com ele, traz algo que muitos adeptos da modalidade sentiam falta: um verdadeiro ídolo capaz de mobilizar o público, localidade após localidade. "É muito bom sentir esse carinho e esse orgulho das pessoas", confessa o vianense, visivelmente emocionado com as demonstrações de afeto. "É essencialmente isso que se sente: o orgulho das pessoas de verem um ciclista português, com bons resultados lá fora e que já trouxe grandes alegrias ao país”.

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Com a chegada a Viseu na quinta etapa, Iúri Leitão ascendeu à liderança da classificação dos pontos. O campeão olímpico confessou-se: “Acho que não vai dar para ir até ao fim com esta camisola, porque esta Volta tem muitas etapas de montanha e até arrisca a ter o mesmo corredor com a camisola amarela e com a laranja ou até a azul. Não me parece que faça muito sentido, mas isso é com organização…”

Depois dos desabafos deixados no ar, voltemos à sua ligação com o público, que é recíproca. Apesar de estar há algum tempo a competir fora de portas, Iúri nunca perde a oportunidade de correr em Portugal quando a equipa o permite.

"Sempre que posso, tenho todo o gosto em voltar. Seja na Volta ao Alentejo, na Volta ao Algarve, no Grande Prémio das Beiras… Fico sempre feliz por poder aqui estar. E este ano não é diferente. Vir à Volta a Portugal em pleno verão é muito especial. (...) Mesmo que fique sempre em último, vir correr a Portugal vale sempre a pena”.

O ano de 2025 tem sido atípico para o campeão, com poucas provas em território nacional e uma Volta ao Algarve interrompida logo ao terceiro dia. A Volta a Portugal, por isso, ganha um significado ainda maior, funcionando como reencontro com os adeptos e como montra para o futuro, que está em aberto.

"O meu contrato com a Caja Rural termina este ano. Ainda não renovei, nem assinei por outra equipa. Neste momento, o futuro é incerto, mas espero que se resolva em breve”, conclui.

A presença de Iúri nesta edição da prova evoca memórias de outros ídolos que marcaram gerações de adeptos do ciclismo português, daqueles corredores que transformavam cada chegada numa festa e cada partida num momento de comunhão popular.

A Volta a Portugal vive destas figuras, homens que, além das vitórias, oferecem inspiração. E, em 2025, o ouro olímpico ao peito e a simpatia de Iúri Leitão fazem dele não apenas um dos nomes mais fortes do pelotão, mas também um símbolo daquilo que o ciclismo tem de melhor: a capacidade de unir o país em torno das bicicletas.

*jornalista em serviço especial para a Rádio Renascença

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